O mercado fechou nesta sexta-feira em 157,90 centavos base Setembro, ante um fechamento sexta-feira retrasada de 161,85 centavos.
O mercado não capitalizou o forte fechamento de sexta-feira retrasada. O mercado continua com um olho no gato e outro no peixe, pois apesar de não estar conseguindo sair de perto da baixas, a estrutura também não consegue evoluir para uma condição de carrego positivo. Os estoques certificados continuam sua corrosão, em ambos os mercados.
O fluxo de safra do Brasil continua calmo para a puxada final da colheita, e os cafés do Brasil não apareceram no terminal, pois a conta ainda está longe de ser atrativa.
Já se foi o tempo do líquido e certo que o terminal buscaria sempre puxar para “encaixar“ o diferencial e atrair novas certificações. Afinal, para o capital especulativo, o que são 500 mil sacas em um universo de 170 milhões? Até eles sofrerem o primeiro atochada na posição short deles na virada dos meses. Com certeza eles tem noção disto, então devem estar esperando os cafés do Brasil.
Referente a 25 de Julho, os fundos reduziram um pouco suas posições vendidas, trocando de mão com os comerciais que aumentaram suas posições de hedge, muito provavelmente de cafés Brasil. O volume de contratos praticamente não se alterou. Em resumo, poucas notícias do lado dos fundamentos, muitas notícias do lado climático (sem nenhum interferência no momento no parque cafeeiro), e algumas movimentações no macro.
Falando em macro, o FED americano enfiou mais 25 pontos nos juros americanos, chegando agora no patamar mais alto em mais de 20 anos (5,5%). Apesar de alguns sinais de uma estabilidade inflacionária, a economia ainda mostra sinais fortes, vide os resultados trimestrais corporativos muito bons semana passada.
O FED pode ter um problema mesmo em fazer a economia chegar na meta de 2% inflação com um pouso suave.
Por aqui, quase certo uma redução de juros pelo BC em Agosto, frente aos últimos dados, principalmente do núcleo de serviços.
Até difícil acreditar para quem vai ao supermercado, e com a nomeação do Pochmann para o IBGE logo a inflação será zero ou negativa. Trazendo o Mantega de volta para a Vale ou Petrobrás, voltam os dois gênios da politica econômica da Dilma para o atual governo.
Mesmo em cargos menos prestigiosos… por enquanto, a capacidade de estrago ao Real é liquida e certa. Haddad que se cuide (vide a trajetória do Palocci). Boa sorte à quem aposta no longo prazo no Real…
A compra do Maratá pela JDE, a ser aprovada pelo CADE, mostra a força da consolidação no mercado brasileiro de café. Restam os gigantes e os nichos… e os nichos quando crescem e incomodam, são comprados. Acaba levando a concentração também a parte da cadeia de suprimentos e provedores. É uma tendência não só em café… maquinistas, exportadores de pequeno porte, corretores. Todos têm que se adaptar.
Até o momento, a próxima grande ocorrência no mercado é a florada brasileira. Já começam a circular algumas fotos pelas redes sociais. 90% das fotos que vi até o momento, não vão ajudar em nada o mercado. Alguns meses atrás comentamos…eventualmente a florada Brasil é o fator que não vai deixar o mercado na faixa de 190 e 200 centavos (mercado da época). Mas no momento não apostaria no liquido e certo com mercado afundando… ainda tem água debaixo da ponte em clima e no macro… A compra de opções acima de 2 centavos para meses bem futuros, pode ser uma proteção bem barata no momento, caso você já tenha vendido o café recém colhido e não queira ficar se torturando se o mercado rebater para cima.
Boa semana a todos e boa sorte aos Ucranianos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.