O mercado fechou sexta-feira em 146,05 centavos, basicamente inalterado frente à sexta-feira retrasada. Tecnicamente muito pouca novidade no mercado.

Pouca mudança nos estoques certificados, nenhuma grande novidade em um leve aumento de vendas dos fundos, e uma gama de “novos“ vendidos entrando no mercado. A semana foi dominada pela macroeconomia.
Novos dados mostram a economia americana ainda pulsando forte, com a criação de 336 mil vagas em Agosto (o dobro do esperado). Ao mesmo tempo, a inflação geral de preços tem se estabilizado, o que torna a próxima decisão do FED de subir ou não mais 25 pontos na taxa básica de juros ser bem difícil. As taxas de notas do tesouro americano continuam apostando em um cenário inflacionário (ou com poucas chances de cair para a meta do FED) e com um pouso suave da economia.
Como temos comentado, as chances de isto acontecer não são fáceis, e apostar contras o dólar no momento, continua sendo bastante arriscado.

Os últimos dados dos órgãos estatísticos do departamento de indústria e comércio nos USA, indicam que no anualizado de Agosto a Agosto, foram investidos em novas indústrias, 198 bilhões de dólares, o maior valor desde a criação da database em 1950. Muitos novos investimentos em carros elétricos, indústria renovável, etc… vem dos novos subsídios federais para investimentos nestas indústrias. Outras, como de indústria de base, vem da oferta de gás a preços muito competitivos na base sul dos USA. Outras vem do efeito do “nearshoring“ onde algumas indústrias estão transferindo suas cadeias produtivas para o NAFTA e saindo da Ásia.

Adicione a isto os riscos geo-políticos (agora já temos uma nova guerra no Oriente Médio) e, como a cerejinha do bolo, a moderna e eficaz máquina política atual do Brasil. Se voce é um gestor de fundos, e hoje consegue uma remuneração anual, de pelo menos 10% em dólares (pelo menos…), vai precisar de um bom incentivo para entrar em commodities.

Claro que o cenário de uma ótima safra no Brasil no ano que vem pode ser esse incentivo para maiores vendas em NY porém, a aversão atual ao risco pode nos levar a uma queda mais gradual ou até menos expressiva (os fundos já estão vendidos…). O dólar não vai ajudar, e nem o clima.

Os números de exportação do Brasil no primeiro trimestre desta nova safra, atingiram 9,9 milhões de sacas, um aumento de 15% em relação a a safra anterior. Até aí nenhuma surpresa, pois continuamos com a expectativa de embarque para o segundo trimestre, que deveria mostrar um ritmo menor se as previsões de safra abaixo de 40 milhões de Arábica estiverem corretas. Caso não aconteça, a mensagem é simples: Não teremos problema de oferta até a próxima safra, que por sinal parece estar caminhando muito bem com a segunda florada estourando esta semana.

Dados da OIC mostram que as exportações da África diminuíram ano a ano (ano safra deles contabilizado a partir de Outubro). Total desta safra foi cerca de 11 milhões de sacas, frente 12,3 milhões da safra passada. A África inteira, dá mais ou menos 3 meses de Brasil…
Em termos de negócios a semana foi tranquila, um pouco mais de interesse em qualidades mais competitivas, com grinders em negócio na faixa de 28/30 abaixo de NY.

Semana deve ser agitada. Bolsa deve sofrer. Commodities… veremos!

Ótima semana para todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.