O mercado fechou sexta-feira em 170,95 centavos, base Dezembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 174,20 centavos.
A puxada do mercado teve muito de cobertura dos specs de curto prazo e consequente virada de mão para posição comprada, muito baseado na firmeza do spread, enquanto a origem não vendia abaixo de 150 centavos, segundo comentário de um experiente trader.
Como o tempo para certificar e entregar é bastante curto, vamos ver quanto sai do mato para entender se o mercado tem fôlego para mais, independente do fortíssimo spreada no dec-mar.
Então… essa semana começou a aparecer café do mato e o primeiro sinal que depois do Dezembro o mercado pode desarmar, é o semi derretimento do diferencial Colômbia.
Já saíram negócios essa semana de Colombia a +7,5 contra o mesmo café a +25 a poucas semanas atrás.
Houve muito mais cobertura de posições do que exatamente novos comprados no mercado, como mostra os dados oriundos da Bolsa. Porém, o clima Brasil também deu suporte ao mercado com o calor intenso e a possibilidade de aborto de chumbinhos.
Várias regiões com altitudes mais baixas apresentaram volume até considerável de escaldadura de folhas. Como as árvores em geral estão bem enfolhadas, o impacto da perda destas folhas ainda difícil de prever, assim como a queda de chumbinhos.
No fim de semana as chuvas voltam para as principais regiões produtoras. Ou seja, o mercado mostrou que abaixo de 150 centavos a venda diminui, e acima de 175 a venda aparece. Temos a variável clima e os embarques de novembro de Dezembro (o bom número de Outubro já está fatorado no mercado) para entender para observar para que, se vamos quebrar para algum lado após o Dezembro sair da tela, ou vamos ficar neste canal.
No macro, tivemos notícias de suporte técnico ao Real. Os dados de inflação vieram em linha nos USA indicando que a estratégia dos juros começam a fazer efeito. O mesmo acontece na zona do Euro. As chances de um novo aumento dos juros no momento por lá agora se tornaram mínimas. Junta-se a isto a visita “vamos ser amigos de novo… eu preciso do seus investimentos“ do Premier Chinês aos USA, tirando um pouco da pressão da panela na relação das duas potências.
A economia chinesa era 75% da economia americana antes da pandemia. Este ano deve fechar em 64%, e se mantiverem o mesmo ritmo, ano que vem fecha abaixo dos 60%.
Ainda no campo geopolítico, a semana não ofereceu nenhuma mudança em termos de aumento de risco e fuga de capitais.
Por aqui apesar de continuarmos com um governo que beira a mediocridade no sentido de resultados, política econômica e moralidade, as exportações vão fechar o ano com números muito bons mantendo um bom superávit na conta corrente. Obrigado Agro!
O conjunto da obra me obriga a acreditar que no curto/médio prazo o $5 Reais/dólar deve ser uma boa resistência. Vale ressaltar um olho nos hermanos… a improvável vitória de Millei (digo improvável porque o “mecanismo“ vai fazer de tudo para que a vitória dele não aconteça) trará uma dinâmica instável ao Mercosul.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.