O mercado fechou sexta-feira em 386,10 centavos base Dezembro, contra sexta-feira retrasada em 378,30 centavos. O contrato de Dezembro chegou a ficar acima dos 390 centavos, uma valor no Dezembro que já não atingíamos a vários meses. Os Fundos continuam a adicionar nas posições compradas. Os estoques certificados caíram cerca de 60 mil sacas em Agosto, chegando agora perto das 700 mil sacas. Os direcionadores continuam os mesmos: ● um menor rendimento do que o esperado da safra atual brasileira;● as tarifas impostas pelos EUA, e● as incertezas sobre a próxima safra brasileira. Mercado continua achando que os volumes de exportação brasileira serão muito apertados, frente a demanda mundial, e a situação de estoques deixa o mercado muito vulnerável a intempéries climáticas. Nos últimos dias foram observadas chuvas em várias regiões produtoras. A famosa “chuva criadeira“. Segundo alguns relatórios meteorológicos, mais chuvas são esperadas para Setembro. Algumas localidades já se observa abertura de florada. Que o parque cafeeiro está preparado para uma ótima florada, ninguém tem dúvida. O resto fica na mão de São Pedro. O mercado até o momento porém, premia quem teve paciência. Tanto no Arábica como no Conilon, o produtor mantém a calma e não tem pressa em vender. Cafés finos estavam sendo negociados acima de R$2.400 na última sexta-feira. Interessante que os Armazéns Gerais indicam um volume menor de café depositado, em comparação ao ano passado. Isto não e muita surpresa, considerando a renda mais baixa do que o esperado, e também o prejuízo de carregar estoques frente ao inverso na Bolsa (fora os custos financeiros altos). De notar que apesar do volume geral mais baixo ano a ano, o volume de café depositado por produtores quase dobrou em alguns casos, o que indica que o produtor procura mais segurança e foge dos canais tradicionais (por vários motivos) como Cooperativas, maquinistas etc… Os diferenciais de venda na exportação pouco mudaram, mesmo com a dificuldade de oferta. NY e Londres têm ajudado bem, como também a falta de demanda americana. Do lado do Vietnam, os diferenciais cederam para +200 com a alta de Londres. O spread entre os dois mercados continuam na faixa de 150 centavos para cima. Com esse spread, cadê a demanda para mais Robustas?Vale salientar… apesar dos embarques menores de Brasil, outras origens continuam em um ritmo forte de exportação. Segundo comentários de um experiente trader esta semana, nos últimos meses o mundo tem suprido os menores embarques de Brasil. Café por enquanto não falta. Do lado da demanda, a grande notícia foi a compra de JDE pela KDP. Um negócio que consolida a nova empresa (chamada Global Coffee Co.) como a segunda maior do mundo em valor (US$16 bilhões & Nestlé com US$23 bilhões). A diferença em volume deve ser menor ainda. A JAB, holding da JDE conseguiu um bom prêmio pelas ações. A JAB é um conglomerado com várias indústrias, composta por executivos e conselheiros do mais alto nível. Fora o lucro com as ações, a decisão de desinvestir, com certeza tem base não somente na volatilidade e margens apertadas na indústria de café, mas como em todo ambiente econômico global com as tarifas e custo de capital. Do lado da KDP, líder nos EUA nas cápsulas e K-Cups, a compra agora trás a amplitude de marcas lideres na Europa e América Latina. A empresa vai se dividir em duas unidades, uma somente para café e outra para refrigerantes e outras bebidas. Não é à toa, o atual CEO vai ficar com a unidade de refrigerantes, e o atual CFO vai ser o novo CEO da empresa de café. A empresa aumenta bastante seu endividamento com a compra, e o mercado vai observar com lupa, se os ganhos de escala vão realmente acontecer, e o comportamento do market share das marcas. O mercado cada vez consolidando mais. Podem ter certeza que as outras gigantes não ficaram paradas. Esta semana observamos não somente por aqui, mas também nos EUA, várias empresas comunicando o aumento dos preços do café ao consumidor. Pelo jeito não dá mais para esperar uma solução negociada para o tarifaço no café brasileiro por lá nos EUA. Por aqui, a resistencia do produtor de Conilon na venda, bem como o baixo volume de Arábica disponível no mercado, também não dá muita alternativa para os torradores locais. O USDA e o ICO com certeza têm uma capacidade analítica e técnica muito maior do que eu tenho, porém não acredito em um crescimento de demanda no ano fiscal 2025. Acredito que até agora existe um grande esforço financeiro para manter o consumo estável ou até com pequeno crescimento, mas no segundo semestre vai ser difícil os aumentos não terem um impacto na gôndola. Acredito que capsulas e solúvel tenham outra dinâmica, porém cafeterias e gôndola terão um impacto negativo. A maior empresa de café nos EUA, a JM Smuckers anunciou semana passada, um resultado negativo de cerca de US$44 milhões no primeiro trimestre. A divisão de Café reportou uma queda de 22% em lucratividade. Apesar disto a empresa manteve os objetivos de crescimento entre 2 e 4% para o ano, acreditando na manutenção da resiliência do consumo de café. Tomara!!! No macro, lá nos EUA entrou em vigor os 50% de tarifas sobre a Índia também. Decisão geopolítica bastante questionável pela Casa Branca. Outra notícia que o mercado não engoliu, foi a demissão do um membro do FED (Lisa Cook), sobre suposta fraude hipotecária (sendo questionado ainda na justiça). Isto aumentou novamente o receio do mercado, sobre a ingerência na independência do FED, o que no longo prazo é absolutamente inócuo. Se eu não confio em você, não vou te emprestar dinheiro pela taxa que você quer… somente vou te emprestar pela taxa que eu acho que cobra os riscos. Não é à toa que o spread entre os juros pagos pelo Tesouro de curto prazo & longo prazo estão operando perto das altas históricas. As apostas sobre a queda dos juros em Setembro continuam fortes. A inflação no segundo semestre desacelerou para 2% e o PCE veio dentro do esperado. O PIB cresceu anualizado acima dos 3% no 2° Trimestre, porém muito em função de: queda de importações, aumento de consumo, forte crescimento de indústrias ligadas a IA. Em Julho por aqui, as contas do governo tiveram o pior resultado desde 2020, com R$59 bilhões de prejuízo. As despesas continuam a crescer em ritmo forte, enquanto as receitas começam a cair (economia indo mais devagar??). O IPCA-15 está mostrando uma deflação para Agosto em 0,14%, porém o resultado só foi atingido pelo chamado “bonus de Itaipu“ que aliviou as contas de luz de usuários de baixo consumo (??? Eu sou baixo consumo e não vi alivio nenhum..). Sem esse “bonus” que valeu apenas para Agosto, a inflação teria sido positiva. Ok… alguns alimentos tiveram uma queda de preços, porém a inflação de alimentos continua acima da inflação geral nos últimos doze meses. Estamos longe das metas inflacionarias. Também, segundo o CAGED foram criados cerca de 130 mil empregos formais em Julho (mercado esperava um pouco mais …135 mil). Foi o menor resultado para Julho desde 2020. É cedo, mas pode ser outro sinal de desacelaração da economia. Politicamente, a última pesquisa Atlas-Intel divulgada esta semana, coloca o governador Tarcísio na frente de Lula em um eventual segundo turno. Claro que não dá para confiar em nenhuma pesquisa, mas foi um calmante para o Dólar. As coisas mudam rápido, e o polo começa novamente a migrar para Tarcisio. De imediato Lula pediu ao Itamaraty que avalie a aplicação da “lei de reciprocidade“ contra as tarifas americanas (vitamina para o Dólar). Segundo o Vice Presidente Alckmin, isto vai forçar aos EUA sentarem na mesa para negociar (pobre Alckimin…). É Lula apostando na tal “soberania“ como seu carro chefe eleitoral. Aqui vale ressaltar a imediata reação do CECAFÉ, via comunicado, desaconselhando tal medida, pois por meio de conversas bilaterais com outros setores do legislativo e representantes da indústria, vinham conseguindo abrir um canal de comunicação com o departamento de comércio americano. Governo sem rumo… Atenção para “batalhas“ no Congresso. O que parecia negociado via Artur Lira, sobre a isenção de IR para quem ganha ate 5 mil reais, pode ter um supresa negativa para o Governo. Seria outro baque já no estado combalido da situação fiscal do país. Apesar de todo cenário acima, Dólar… repetindo ainda é cedo, porém parece que a economia por aqui pode começar a dar sinais de esfriamento. E os números inflacionários, apesar de longe da meta, se acalmaram. Uma remota possiblidade para uma possível queda nas taxas básicas de juros em Dezembro ou Janeiro 26, mas com o spread de juros entre Dólar e Real ainda muito convidativo, o Dólar deve continuar sobre pressão, o que ainda ajuda os números de inflação. O cenário político mostrando Tarcisio competitivo, também ajuda o Real. E por último, agora no segundo semestre, os efeitos das tarifas na economia americana também vão começar a mostrar seus reais efeitos (e ainda temos a negociação com a China). Apesar de várias projeções mostrarem uma expectativa do Dólar a R$5,70 no final do ano, acreditamos que R$5,40 no momento é um ponto médio. NY… agora é florada e chuvas, tarifas e consumo . Vamos contabilizando…inverso para cima ou inverso para baixo. Boa semana a todos!*Joseph Reiner*