O ano de 2025 foi especial para o produtor de café, depois de ciclos difíceis, margens comprimidas e muita incerteza, o mercado finalmente ofereceu preços remuneradores, exportações regulares e um ambiente mais previsível. Não foi um ano perfeito, mas foi um ano mais justo, que permitiu ao produtor respirar, reorganizar a propriedade e recuperar algo fundamental: confiança.
Segundo o CEPEA em 2025:
Preços do Arábica em Bica Corrida flutuaram entre R$ 2.769,45 e R$ 1.682,70, e está encerrando o ano próximo de R$ 2.160,00.
Para o Robusta flutuaram entre R$ 2.102,12 e R$ 975,70, e está encerrando o ano próximo de R$ 1.200,00.
O Dólar mais valorizado ao longo de 2025 também contribuiu para sustentar os preços do café em Reais, já que se trata de uma commodity dolarizada, a combinação de um Real mais desvalorizado e de um ambiente macroeconômico mais incerto, manteve a cotação da moeda americana próxima de R$ 5,54 no encerramento do ano.
Do ponto de vista do mercado, nesse ano o ambiente climático também foi menos agressivo do que em anos recentes, houve irregularidade nas chuvas em várias regiões, como já se tornou comum, mas sem a sequência de eventos extremos que marcaram períodos anteriores. As temperaturas, de forma geral, se mantiveram mais amenas, o que ajudou a sustentar o desenvolvimento das lavouras e trouxe maior estabilidade ao campo.
Neste momento o olhar naturalmente se volta para o que vem pela frente. A safra 26/27 atravessa fases importantes de formação, enquanto a 27/28 começa a construir sua base produtiva.
Isso faz com que os próximos meses tenham peso relevante, não apenas para a próxima colheita, mas também para o potencial do ciclo seguinte. Entre Janeiro e Março de 2026 a granação tende a ser decisiva para transformar esse cenário em resultado concreto para uma grande safra.
O clima, aliado ao manejo adequado, costuma definir boa parte do desempenho futuro, para aprofundar essa leitura do campo e trazer uma visão agronômica mais detalhada sobre esse período, o conceituado agrônomo Régis Ricco da RR Consultoria Rural, que acompanha de perto as lavouras, diz que as temperaturas máximas preocupam mais que o volume de chuvas nesse momento. “As chuvas poderiam estar ocorrendo em maiores volumes, mas o que mais preocupa são os veranicos prolongados aliados à altas temperaturas nesse momento, na maioria das regiões cafeeiras. A gente sabe que deve trazer algum prejuízo no processo de enchimento dos grãos, mesmo que pequeno, mas ainda é cedo para qualquer anotação nesse sentido!*.

Reiterando, encerrar 2025 com esse pano de fundo é importante, foi um ano que devolveu dignidade ao produtor, ofereceu preços compatíveis com o esforço realizado e permitiu olhar para frente mais otimista.
O café segue sendo uma atividade desafiadora e cíclica, anos como este lembram por que tanta gente continua apostando no campo.
Que os próximos meses consolidem esse bom momento e que 2026 comece com um café bem granado e produtores confiantes, o ano termina melhor do que começou.

Boa semana e um excelente réveillon.

Gustavo Matias
@matiascoffeetrading