Essa semana a Bolsa está testando suportes importantes como o 332 c/lb, número que não era testado desde agosto/2025, fechamos o contrato de Março KCH6 em exatos 332,25 c/lb. Dezembro KCZ6 fechou já cotado baixo de 300 cents, em 298,85 c/lb.
Houve um movimento de aumento de posições compradas, como mostrou o COT* de 21/Jan até 27/Jan, a Bolsa subiu +2.095 pontos. Porém essa semana o mercado devolveu tudo com agressividade e caiu -3.875 pontos, o COT* vai mostrar na sexta-feira dia 6/fev o que aconteceu nessa semana de 28/jan a 3/fev, vamos acompanhar, vale lembrar que a mesma agressividade que leva o preço para baixo também leva o preço para cima.
Preço do café Arábica sofreu ajustes, com ideias entre R$ 1.900,00 a R$ 2.200,00, e Robusta ficou entre R$ 1.140,00 a R$ 1.200,00. O preço depende muito do vencimento que a empresa compradora está trabalhando, Março, Maio, Julho Setembro, Dezembro. Entretanto os preços ficaram nas médias dos últimos 60 dias.
O Dólar abriu a semana a R$ 5,28 e chegou a mínima de R$ 5,18 e fechou a sexta-feira a R$ 5,26. Continuou entrando fluxo de investimento estrangeiro no Brasil. Até dia 26/Jan já haviam aportado mais de 20 bilhões de Reais na bolsa brasileira.
“A safra de café no Brasil apresenta cenário positivo em muitas regiões de arábica. As chuvas vêm ocorrendo em volumes e distribuição favoráveis, colaborando diretamente para a boa granação dos frutos. Nos meses anteriores, observou-se queda mais acentuada de chumbinhos, associada principalmente a estresses fisiológicos, como oscilações hídricas, temperaturas elevadas e limitações nutricionais. Assim, mesmo após a fase de expulsão e perdas iniciais, tendo continuidade das condições climáticas adequadas e bom manejo nutricional, é possível esperar uma produção muito boa nesta safra”, afirma Fernando Diniz, consultor da equipe RR Consultoria Rural.
Desde que comecei a trabalhar com café em 2010 (eu não era do ramo) eu escuto que vai faltar café, sempre dizem isso como se fosse um desejo para que o preço do café suba de alguma maneira.
O fato é: nunca faltou. Sempre o mercado global esteve abastecido de alguma maneira e o estoque vai trocando de mãos de acordo com as necessidades, diferenciais, câmbio, juros, fluxo de caixa, produtividade, etc.
Essa semana ficou evidente, após apurarmos exportações globais de 2025 (Jan a Dez) em números que o mundo está se abastecendo de outras origens:

É essencial lembrar que o Brasil não opera sozinho, o mercado global é abastecido por cerca de 70 países produtores, com volumes e espécies diferentes, que juntos formam a base da oferta mundial. Em média, o mundo produz algo próximo de 177 milhões de sacas por ano, sendo aproximadamente 100 milhões de arábica e 77 milhões de robusta. O Brasil é o maior, mas não é o único responsável pelo equilíbrio ou desequilíbrio do mercado.
Essa diversidade de origens cria um mecanismo natural de compensação, quando uma origem perde competitividade por preço, câmbio ou diferencial, outras ocupam espaço. Isso não significa abundância imediata, mas significa que o mercado global não fica refém de uma única fonte, e esse ponto tem pesado cada vez mais na percepção de preço.
Tanto comentamos abertamente que a demanda não para, é resiliente, cresce 2% a.a. nos últimos 40 anos, então a indústria precisa originar café e dar continuidade aos negócios, se o Brasil não vende então vão para outra origem, blends mudam, o mercado é camaleão, ele se ajusta as necessidades do seu próprio negócio, não dá para ficar sem café.
Pense comigo em números, segundo o USDA o Brasil produziu na safra 25/26, 63 milhões de sacas, considerando o ano safra 25/26 de Julho/25 a Junho/26:
O Brasil exportou 23 milhões de sacas de Julho/25 a Janeiro/26 e consumiu aproximadamente 12,5 milhões de sacas no mercado interno no mesmo período. Então ainda teríamos disponível no Brasil 27,5 milhões de sacas para utilizar entre fevereiro a Junho/26, sem considerar safras passadas que existem em menor quantidade.
Mesmo com o número expressivo em sacas no saldo da safra 25, é um número muito justo considerando nossa média de exportação dos últimos anos somada ao consumo interno, que fica por volta de 5,3 milhões de sacas por mês, conforme tabela abaixo:

É bem provável que pela falta de negócios no mercado interno o número de exportações se mantenha abaixo da média, pessoal já de olho na safra do Brasil de 2026. A safra vem se aproximando e o fluxo de negócios para 2026 aumentou consideravelmente em Janeiro: assunto da próxima semana.
Temos fundamentos altistas:
- Os estoques certificados de arábica seguem baixos. O ritmo de novas certificações aumentou, mas está sendo compensado pelas retiradas
- Bolsa continua muito invertida (backwardation), Março contra Maio está -16,9 c/lb negativo
- O mercado em backwardation funciona como um incentivo para que os fundos mantenham posições compradas
- O Real brasileiro se fortaleceu, reduzindo o incentivo para que produtores vendam
- Produtores brasileiros e vietnamitas estão bem capitalizados e não têm pressa em vender
- Os estoques físicos nos países consumidores seguem baixos
- A cobertura de contratos da indústria continua baixa
Temos fundamentos baixistas:
- Espera-se um superávit global no segundo semestre de 2026
- Possibilidade de uma safra enorme no Brasil em 2026/27
- Expectativa de maior produção de robusta no Vietnã, Indonésia e Brasil
- As exportações do Vietnã continuam apresentando desempenho forte
- O clima no Brasil é previsto como favorável nos próximos dias, e qualquer possível queda na produção de 2026/27 já estaria refletida nos preços atuais do mercado
- O mercado continuará vulnerável à liquidação de posições compradas caso as projeções de superávit comecem a se confirmar, o que derrubaria a bolsa
No mercado de café, o preço na Bolsa é mais reflexo de percepção do que de realidade física, não é somente sobre oferta e demanda global. É sobre como fundos, tradings, torrefadores e algoritmos interpretam riscos, notícias e eventos. Uma geada no fim de semana pode fazer o mercado explodir na segunda-feira, não porque a oferta ou a demanda tenham mudado de um dia para o outro, mas porque a percepção coletiva do mercado mudou. O preço reage ao “mercado de papel”, onde decisões são tomadas, movidas por gestão de risco e especulação. Os mais eficientes não são os que tentam adivinhar a direção, mas os que se preparam e planejam para qualquer cenário, entendendo que o jogo é sobre como o mercado como um todo enxerga o mundo, e não sobre opiniões individuais.
Um seguro de preço (Opção) a R$ 100,00 a saca parece caro para pagar ao adquirir, mas se torna barato quando é necessário utilizar. O mercado tem oscilado R$ 100,00 em um dia sem muita dificuldade.
Aprenda a se proteger utilizando mecanismos da Bolsa.
Desejo sucesso e uma boa semana para todos, até domingo que vem,
Gustavo Matias
@matiascoffeetrading
Não é recomendação de compra ou venda.
*Teremos curso de Precificação e Exportação de Café dias 3 e 4 de Fevereiro
*Temos o curso de Hedges e Operações Estruturadas, a agendar, consulte
*Matricule-se pelo 16 99291-2005, diretamente comigo
*(COT Commitments of Traders é o relatório que mostra o tamanho das posições na bolsa por categoria: fundos, cadeia do café, bancos, etc.)