A semana começou com o Arábica a 279,90 c/lb e encerrou a sexta-feira em 293,30 c/lb. No Robusta, o contrato saiu de 3.580 USD/ton e terminou próximo de 3.772 USD/ton. Café da safra 2025 segue pressionando exportadores a elevarem os diferenciais do Arábica, enquanto o diferencial do Robusta no mercado interno caiu mais de 10 cents arbitrando contra NY.

Os preços também oscilaram dentro de uma faixa relativamente estreita. Segundo o CEPEA, o Arábica foi negociado entre R$ 1.840,71 e R$ 1913,12 por saca. Entretanto compradores que precisam comprar a qualquer custo estão pagando perto de R$ 2.000 por saca para cafés com pouca catação, 10% ou menos.
Veja que há diferenças enormes entre uma empresa compradora e outra, ofertas que às vezes variam até R$ 200,00 entre uma empresa e outra. A agressividade depende muito do diferencial de venda que a empresa está trabalhando na venda ou vendido. O Robusta variou entre R$ 1.056,07 e R$ 1.070,68, diferencial caiu em relação a NY, aparentemente sem pressão compradora.

Diferenciais para exportação vem trabalhando bem alto ainda, por volta de +60 para um 17/18 FC, o que torna o Brasil um café bem caro para o mundo importar, um dos fatores que ajudam a explicar a queda nas exportações.

No câmbio, o dólar ganhou força ao longo da semana, saindo de aproximadamente R$ 5,17 para a região de R$ 5,24. A escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos elevou o preço do petróleo e aumentou a aversão ao risco nos mercados globais, favorecendo a moeda americana. Em momentos assim, fluxos tendem a migrar para ativos considerados mais seguros, fortalecendo o dólar e impactando diretamente a formação de preço das commodities, inclusive o café.

O último relatório COT (Commitment of Traders) mostra os fundos com posição líquida em 16.465 contratos, caiu -391 contratos em relação a semana passada.

Essa semana eu fui perguntado por várias vezes, por vários produtores, empresas, alunos, etc:
Qual será o preço do café em Julho/Agosto para a safra 2026?

E eu queria muito mesmo saber, mas tudo o que eu responder será somente um chute.
Para mesa de operações, que fazem as proteções corretamente, não importa para onde o preço do café vai, o cálculo é diferente.

Eu sei o quanto o café vale hoje para entrega em setembro/26 e não está nem perto do valor atual do físico. O café hoje negocia próximo de R$ 2.000,00 por saca em alguns negócios físicos. Ao mesmo tempo, a curva futura negocia valores próximos de R$ 1.620 para a safra nova.

O café está caro hoje ou o futuro que está barato?

Essa diferença não é apenas nominal, ela mostra como o mercado está precificando o tempo. Quando o preço do curto prazo supera os vencimentos mais longos, o mercado entra em backwardation (invertido). Em termos simples, o café disponível agora vale mais do que o café prometido para o futuro. Isso normalmente ocorre quando o fluxo físico está apertado, quando estoques são baixos ou quando compradores precisam do produto imediatamente e pagam mais por isso.

Atualmente o mercado de café apresenta exatamente essa estrutura, o físico negocia com prêmio enquanto os contratos mais distantes carregam desconto. A bolsa olha para frente e tenta antecipar um cenário de oferta mais confortável, esse é o mecanismo das bolsas de commodities, que precificam continuamente os diferentes vencimentos ao longo da curva. A explicação mais simples é a expectativa de safra maior à frente, especialmente no Brasil, com recomposição gradual de estoques globais. A curva futura tenta incorporar essa hipótese antes que ela se materialize. Falamos aqui várias vezes que a bolsa é movida por percepção.

Veja a curva comparativa de anos anteriores:

Mas existe outro fator importante na equação: o custo do dinheiro no dólar.
O Brasil opera hoje com uma das taxas de juros reais mais altas do mundo. Com a Selic elevada, o país atrai fluxo financeiro internacional em busca de rendimento e esse movimento tende a fortalecer o real frente ao dólar.
Um real mais forte significa que o preço em reais do café pode cair mesmo que a bolsa permaneça estável. Parte do ajuste que o mercado espera pode vir pelo câmbio, não necessariamente pela queda da bolsa em Nova York. Com exceção à guerra, que pode acabar a qualquer momento ou durar 4 anos ou mais, assim como vem durando a da Rússia contra Ucrânia.

Enquanto isso, no mercado de moedas a lógica é inversa. Diferentemente do café, o dólar opera em Contango. O preço futuro da moeda normalmente é maior que o preço à vista, refletindo justamente o diferencial de juros entre os países. Com a Selic alta, o custo de carregar dólar no tempo se torna maior, e essa diferença aparece na curva de maneira bem generosa para quem opera futuros.

Temos duas estruturas opostas acontecendo ao mesmo tempo: Backwardation (invertido) no café e Contango no dólar. O primeiro indica aperto no curto prazo do físico e o segundo reflete o custo financeiro de carregar moeda ao longo do tempo.
A combinação dessas duas curvas ajuda a explicar parte do atual mercado. O físico ainda opera apertado, sustentando preços elevados no presente, enquanto o mercado financeiro tenta antecipar um cenário mais equilibrado à frente.

De qualquer maneira, essa curva do dólar está ajudando, e muito, o preço do café futuro se manter mais alto, nessa mesma base de NY.

Entre o café disponível hoje e o café que poderá existir amanhã existe um intervalo de tempo, esse intervalo está tentando ser precificado e ainda permanece uma incógnita. E isso não é em valor nominal da saca em Reais, isso é em diferencial.

Para o valor nominal, a cada vencimento de contrato, um pouco é tirado do preço do café quando o mercado está invertido, o spread entre contrato de Maio e Julho está em equivalentes menos R$ 33,00 aproximadamente, com dólar a R$5,24. Ou seja, analisando friamente, o café vem sendo desvalorizado mês a mês conforme os vencimentos de cada contrato chegam, além dos custos de armazenagem e seguro, veja gráfico comparativo:

Atentar que o contrato de Maio tem duas datas importantes que movimentam com preço da tela, Opções expiram em 10/abril e FND dia 22/abril.

A única certeza que temos é o hoje: o mercado já está negociando café para setembro de 2026 perto de R$ 1.620,00 a saca. O preço de hoje nós conhecemos e o preço de amanhã só saberemos quando chegar lá. Aprenda a utilizar as ferramentas do mercado financeiro para se proteger, fale com sua cooperativa sobre Opções.

Quero desejar um feliz dia das Mulheres para todas as Mulheres do agro, mulheres fortes e guerreiras que lidam com a labuta do campo nesse nosso mundo do café, meus parabéns a todas vocês.

Boa semana,
Gustavo Matias
Instagram: @matiascoffeetrading

*Não é recomendação de compra ou venda
*Teremos curso de Precificação e Bolsa dia 24 de Março
*Teremos curso de Precificação e Exportação de Café dias 25 e 26 de Março
*Temos o curso de Hedges e Operações Estruturadas, a agendar, consulte
*Matricule-se pelo 16 99291-2005, diretamente comigo