A bolsa de NY fechou a semana levemente na defensiva. Toda movimentação no inicio da semana com a volta do Talebã ao poder e a retirada americana após a “ocupação” no Afeganistão (e o receio do aumento do terrorismo), e continua preocupação com a variante Delta do Coronavirus levando vários locais ao redor do mundo a novos lockdowns (e maiores protestos contra) e consequente temor do mercado sobre impactos na economia; queda dos preços do petróleo; jfortalecimento do dólar e títulos do tesouro americano, queda das vendas do varejo nos USA de 1.1% em (expectativa perto de zero). O cenário macro na semana não foi favorável às Commodities comercializadas em Dólar.
Os estoques americanos (GCA) subiram 294,885 sacas em Julho, chegando a um total de 6,074,346 sacas totais estocadas. Se somarmos os estoques certificados pela bolsa (cerca de 130 mil sacas nos USA… o grande saldo na Europa – 2 milhões de sacas), temos um total de cerca de 6.2 milhões de sacas em estoque nos USA (ai não estão contabilizados cafés em transito). Isto equivale a mais de 10 semanas de estoques pela média de consumo (sem contar sazonalidades). No momento um estoque relativamente confortável.
Não podemos esquecer do volume embarcado pelo Brasil nos últimos 12 meses e, exatamente neste ponto que o reverso da moeda ira ocorrer. Volto a frisar que com uma safra de arábica este ano entre 30-35 milhões de sacas a conta já apertava… tirando o impacto da geada de 22/23 fica ainda mais apertado a relação produção/consumo. Vamos lembrar que o número sempre fecha, ou aparece mais café, ou o consumo cai. Olhando os estoques atuais podemos entender que o mercado de NY reflete este equilíbrio. Se aparecer mais café, o ponto de equilíbrio de preços será abaixo de onde estamos agora, e o inverso se os embarques (principalmente Brasil) diminuírem e consequentemente os estoques também. Onde o consumo cai para trazer o nível de oferta & procura novamente em equilíbrio? Em termos de USA , EEUU e Japão, ao que tudo indica, acima dos 200 cts/lb . Dados e fatos. sigam os números…
Nenhuma grande novidade em termos de demanda externa nem tampouco no mercado interno, com a evolução da colheita e pouca disponibilidade de mercadoria. Mercado interno continua sendo o melhor pagador (com exceção de alguns de cafés certificados). As entregas futuras continuam se realizando aos trancos e barrancos e com muita negociação (o que repito, dos males o menor). Esta semana circularam noticias de uma grande casa exportadora tomando uma atitude jurídica mais drástica contra os produtores que estejam em situação de inadimplência. Compreensível, mas de efetividade jurídica duvidável.
A associação dos exportadores (CECAFE) anunciou que esta em tratativas com o SERASA para construir um cadastro positivo de produtores/propriedades, para que o comércio em geral possa acessar para avaliar em caso de negociações que envolvam prazo. Bem construído e com a parametrização correta pode ser uma ideia muito boa. Aliás, seria uma ótima ideia também o SERASA montar uma base de dados dos comerciantes em geral para que os produtores possam acessar e também poder avaliar o risco do seu lado.
Fretes marítimos e containers: mesma situação da última semana… e deve continuar sendo pelo menos até meados de 2022… a saga continua!!
Praticamente não existe mais espaço em navios para Setembro em Santos, e Outubro já indo forte na mesma situação.
O segundo maior terminal de containers na China foi fechado por 7 dias (lockdown Corona) criando atrasos em mais de 300 embarcações ao redor do mundo. Recebi algumas fotos de embarques teste sendo feitos com big bags bulk no porão de navios. Soluções logísticas precisam aparecer pois novos fechamentos fora dos grandes contratos já passam de 10 mil dólares por container. Na sua maioria, o exportador só repassa e algo me diz desta vez não vai ser o produtor que vai pagar a conta!
Boa semana a todos!!!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.
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