O mercado encerrou sexta feira à 221,85 centavos base Maio, basicamente inalterado relativo ao fechamento de sexta-feira retrasada.

Vale neste momento uma correção: no último relatório indicamos um aumento de 350 mil sacas nos estoques GCA. O número baseado no relatório de 15 de fevereiro não está correto (agradeço aos amigos que me alertaram da errata. O numero correto é uma pequena queda).

Não querendo chover no molhado, o mercado continua mostrando alta volatilidade, e isto não vai mudar no curto/médio prazo. Tecnicamente olhando somente o mercado de café, a defesa nos níveis de 220 centavos pode até parecer positiva… porém, quando olhamos o dólar (uma das moedas que mais se valorizaram no mês) a receita em Real para o produtor não está lá muito animadora no curto prazo. A SELIC nos atuais níveis, fuga de capitais da Rússia, valorização de petróleo e grãos, e no momento um aumento módico dos juros nos USA, tornam o mercado especulativo brasileiro interessante.

Notem bem: mercado especulativo… No momento que houver um início de resolução dessa guerra (não sou da opinião que Putin tem todo tempo do mundo a seu favor), um possível novo aumento de juros nos USA e uma maior atenção às eleições locais… existe uma boa possibilidade de parte deste capital pousar em outras economias, e termos uma nova desvalorização do Real.

Não podemos esquecer que mais de 30% do trade mundial de grãos vem da Rússia e Ucrânia, sendo a Ucrânia um grande fornecedor mundial principalmente de trigo. Não é então supresa a posição comprada recorde nas bolsas de soja, milho, e trigo (entre outras).

Quem pagou com o rebalanceamento? Café, Algodão e Cacau.

Para os amigos que tiveram tempo para ler, esta semana também a Stone X publicou sua estimativa de safra. Trabalho bem feito, indicando para a safra 22/23 uma produção de 38,3 milhões de sacas de Arábica e 20,6 milhões de Conilon. O relatório baseado em dados estatísticos, de produção e logística, indica que o Brasil poderá exportar cerca de 38 milhões de sacas em 22/23. Se o consumo mundial estiver perto de 170 milhões de sacas, e na média 60% da demanda seja de Arábica, pouco mais de 100 milhões devera ser consumo de Arábica. Brasil entra com 38 milhões …. 64 milhões tem que vir de Colômbia, America Central, Africanos e algo da Asia (Indonesia, etc..) + estoques globais de passagem.

Ou… bebemos mais Robusta!

Também achei bem interessante notícia vinculada no inicio da semana, que a Alemanha vai reverter regras ambientais para impulsionar safras domésticas. Não vou nem comentar para não ser indelicado com os colegas europeus… somente espero que nossos diplomatas, sempre muito atentos e aguerridos em defender a causa do Agro principalmente na Europa, se lembrem destes fatos em futuras negociações (sim… eu sei que é esperar demais, mas sempre tenho esperança).

Vou repetir o último parágrafo do report passado:

“Muitas incertezas. Muita volatilidade. Admitir que a tendência do mercado é somente subir, e que correção criou um novo espaço para o mercado novamente testar 242 centavos acima, pode ser um erro. Não é mais tão nítido por fatores que possam estar afetando a demanda (guerra, novas ondas covid, inflação, etc…).

Ainda sou otimista a novos testes do mercado acima de 242 centavos, frente a chegada do inverno brasileiro. Mas novas oportunidades de vendas não devem ser menosprezadas.”

Glória aos Heróis!!!

Boa semana a todos!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.