O mercado fechou sexta-feira em 229,45 centavos, cerca de 15 centavos acima do fechamento de sexta passada, voltando a trabalhar muito perto dos 232 centavos.
Podemos escolher a razão do tom positivo do mercado esta semana. Começamos a semana com vários rumores de que vários traders voltando de viagens ao interior após o seminário do Guarujá, acharam que a safra brasileira pode ser menor do que a mediana estimada. Terminamos a semana com o mercado temendo uma nova seca (??? …) que novamente poderia estar prejudicando a granação final desta safra.
No meio do caminho tivemos comentários mais brandos do FED Americano de que a inflação poderia estar atingindo um topo por lá…
Um possível acordo com a Rússia para criar um corredor humanitário de escoamento de grãos da Ucrânia…
E nenhuma notícia de novos lockdowns na China.
Ahh… tem outra em que, na segunda quinzena de Julho teremos uma frente fria maciça entrando pela região sul do Brasil.
A realidade é que continuamos com um dólar mais fraco suportando o mercado… os estoques certificados voltaram a cair em um ritmo um pouco mais acelerado (mas ainda não em um ritmo muito forte)… a renda e a qualidade dos primeiros cafés colhidos estão um pouco aquém do esperado (mas nada fora de uma normalidade) e, como comentamos algumas semanas atrás, o período seco que tivemos no final do Outono, realmente vira notícia quando na primavera tivermos novas anomalias de baixa pluviometria durante a florada.
Sinceramente eu esperava que este mercado voltasse a testar os 200 centavos, se nenhuma frente fria com alta intensidade se aproximasse no curto prazo. Bem ou mal temos um volume de café razoável entrando no mercado nos próximos meses. Porém, como eu sempre repito a vocês, nunca é uma boa ideia brigar contra uma tendência, e a tendência do mercado após esta semana se tornou positiva.
Tecnicamente estamos observando uma nova corrida até os 260 centavos (potencialmente). Friamente, vale também a velha estratégia de comprar os fatos e vender os rumores… Sendo assim, não mudo minha visão que no momento, todas as puxadas de mercado são ótimas oportunidades de encaixar vendas.
Pessoalmente ainda acredito que a safra de Arábica do Brasil dificilmente passe dos 40 milhões de sacas, e que o déficit global de Arábica fique entre 3 e 5 milhões de sacas. Porém, respeito e observo outros números, pois basta uma queda de demanda (fatores inflacionários) e uma maior flexibilidade nos blends para uma maior inclusão de Robusta, e este déficit pode muito bem ser zerado.
Por este motivo acredito que tirando um fator geada, o grande fator que vai gerar uma grande oscilação no mercado vai ser a próxima florada do Brasil.
Pessoal, geralmente este fator acontece de qualquer maneira certo? É chover no molhado… Mas desta vez um problema na próxima safra Brasil, vai levar a um déficit maior de Arábica (pelo possível 3° ano consecutivo) e sem estoques nem perto de serem suficientes para suprir a quebra. Por outro lado, uma florada que prometa uma nova super safra …. A corda vai roer … e vai roer forte …de um lado …ou de outro no nosso querido mercado de NYC!
Boa semana a todos!!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.