O mercado fechou sexta-feira à 223,25 centavos, base Setembro contra 227,40 centavos na sexta-feira retrasada graças a mais uma sexta feira baixista.
Podemos alocar parte da culpa para o último relatório do USDA sobre demanda e produção global o de café. O órgão acredita que teremos um 2022/2023 superavitário em 7,8 milhões de sacas, atingindo um total de 175 milhões de sacas para o biênio. Deste total, 5,1 milhões de sacas vem do Brasil com a produção estimada em 41,5 milhões de sacas de Arábica.
Outros pontos importantes de produção é a manutenção da safra Colombiana em 13 milhões (enquanto muitos creditam não chegar nem a 12 milhões), e a melhora da próxima safra hondurenha em pelo menos 10%. Na minha opinião, o truque do superávit continua no número de demanda de 167 milhões de sacas.
Não podemos discutir a safra brasileira nem a Colombiana no momento porém, o número da demanda está no rastelo das médias do mercado. Tirem 4 milhoes do Brasil, 1 milhão da Colômbia e coloquem mais uns 3,5 milhões de consumo, e lá se foi o superávit.
Para o USDA os estoques finais estarão em 34 milhões de sacas. Este número é mais difícil ainda de quantificar, mas indica que deveríamos ter no Brasil pelo menos 10 milhões de sacas de passagem de safra (em termos estatísticos de produção Brasil x produção global).
Com tudo isto, não podemos tirar o foco a atenção da situação dos estoques atuais, principalmente os certificados. As retiradas continuam e estamos fechando a semana abaixo dos 970 mil sacas. Segundo o mercado, muitos cafés tem penalidade devido ao tempo estocado, e alguns inclusive com qualidade já bem comprometida. Em determinado momento o desconto não vai compensar a qualidade de bebida e da torra.
Sobre a safra brasileira, alguns relatórios durante a semana continuam indicando um atraso perante a média dos últimos anos. Quem acompanha o mercado físico pode sentir bem isto na pele… cafés bons somem em minutos, e cafes da Zona da Mata igual. Fora o USDA nenhum nova atualização de relevância quanto a números de safra.
Um capitulo especial merece o dólar. De moeda emergente mais valorizada, até a que mais “apanhou“ em questões de dias. Em teoria, mesmo com a queda de NY na sexta-feira, o nível deveria ser um bom fundamento para arrancar mais café do mato (mesmo com o reportado atraso de colheita).
Estamos chegando perto dos 50% colhidos (com Conilon proporcionalmente maior), e os próximos 15/20 dias (com a manutenção de NY acima dos 220 centavos) começarão a nos dar um sentimento mais claro do volume de café ofertado no mercado.
Vender ou não à $1.300 reais??
Também de importância, não devemos ter uma mudança de direção no momento do Dólar, pois com o vai e vem da Petrobras, e também o governo dando mostras claras de mais gastos sociais/eleitoreiros, difícil a manutenção de confiança no Real. Do outro lado, também não vemos nada de novo, com o candidato do PT apresentando pontos de programa de governo que no fundo não dizem absolutamente nada. Como disse o Capital Sully… “brace for impact“ (o pouso vai ser dolorido).
As bolsas de valores lá fora tiveram uma semana melhor com alguma recuperação, após o mercado mostrar que talvez estejamos na crista das ondas inflacionárias (deixar claro… la fora!). Nesta questão podemos ver algum suporte para o Real no curto prazo, mas não vamos nos enganar… o macro continua bem prejudicado.
Quem sou eu para discutir dados do USDA, mas continuo com a minha opinião que os fundamentos a médio/longo prazo são sólidos. Mesmo com as posições de fundos de curto prazo podendo sofrer liquidações, caso o mercado não suporte nos níveis de 220/222 centavos, podemos até na verdade ver mais compras entrando do trade e fundos de longo prazo.
No longo prazo sempre acredito nos fundamentos… no curto/médio prazo porém, a volatilidade do macro não pode ser descartada.
Longo prazo café, curto prazo dólar????
Boa semana a todos!!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.