O mercado fechou sexta-feira a 224,65 centavos base Setembro, contra 223,25 sexta-feira retrasada.
Ontem, um amigo me perguntou: “porque você fica escrevendo estes relatórios toda semana?? basta escrever: comprem terça e vendam sexta que deve ter uns 70% de efetividade nos últimos seis meses”… (não fiz a correlação, mas não deve estar muito longe disto não).

No meio da semana o mercado deu uma forte puxada e sinceramente, até agora não tenho ideia de qual foi o fundamento. Me chegaram informações, desde noticias de uma forte frente fria para o fim do mês (não consegui confirmar em nenhum site) até uma tempestade tropical na América Central que afetará muitas regiões (realmente está chegando) queda dos estoques certificados (após a movimentação de 250 mil sacas de um lado do Atlântico para o outro, isto também já estava fatorado no mercado) e vai por aí afora. A realidade é que os estoques certificados já estão abaixo das 890 mil sacas, e podemos observar que o percentual dos cafés de Honduras só aumenta… ou seja, aqueles velhinhos que no momento ninguém quer pegar.

Como comentamos, a estrutura começa novamente a se fortalecer com os spreads entre os meses abrindo em favor do mês presente (o que é uma forma do mercado dizer: quero café agora e não depois… não vou pagar para ninguém carregar).
Para arrancar mais café do Brasil, os prêmios tem que alargar. Cafés finos a 10/12 abaixo, vão chegar a paridade ou até mais caros que NYC… então nestes níveis, não vamos ver novas certificações de Brasil, a não ser que NYC suba para alargar os prêmios.

Não vejo o trade e muito menos a indústria com apetite suficiente para isto. Para o trade, fora os resultados costumeiros de carrego, a batalha são as dores de cabeça logísticas e as arbitragens entre qualidades.

O último relatório de posições em NYC mostrou um aumento de posições dos fundos e uma diminuição das posições de curto prazo (nenhuma surpresa observando como foi sexta-feira).

Pessoal, toda semana estamos olhando os fundamentos do mercado. Não quero ser repetitivo, porém, nada realmente mudou. Os fundamentos continuam mostrando um mercado apertado na questão de oferta de Arábica;

  1. Estoques certificados caindo dia a dia;
  2. Safra Brasil atrasada e possivelmente, no quadrante mais baixo do que a média que o mercado previa;
  3. Números de Colômbia e América Central ligeiramente mais baixos;
  4. Apesar do macro estar bastante perigoso com todas as notícias de inflação e recessão, os últimos relatórios de demanda não estão indicando queda.

A grande torradora Italiana Lavazza declarou que as vendas estão indo muito bem, se recuperando principalmente no segmento OOH (out of home – fora de casa). O RABOBANK também emitiu relatório indicando crescimento de demanda (apesar de módico).

Apesar de poucos traders que converso acreditarem na possibilidade, ainda acho um risco potencial ao produtor e exportador brasileiro que, se passando o periodo de geada, tenhamos uma florada muito boa e o mercado volte abaixo dos 200 centavos porém, mantendo a estrutura invertida. Para o produtor indicará mercado presente e futuro abaixo dos $1.200/$1.150 reais (dependendo… sempre dependendo do câmbio) e, para o exportador vendido em diferencial, as coberturas possivelmente estarão bem mais caras (em diferenciais). Já para o torrador, nirvana!
Já no caso de a florada seja abaixo das expectativas, não existem estoques suficientes para segurar o tsunami! Nirvana para ninguém (humm… um momento… para o prudutor que investiu em irrigação: nirvana!)

Boa semana a todos!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.