Com o dezembro saindo da telinha, o mercado fechou em 165,05 centavos base Março, recuperando cerca de 10 centavos contra o fechamento de sexta-feira retrasada em 155,10 centavos.
Nenhuma grande novidade no cenário macro. As projeções inflacionárias, como também de uma posição de recessão nos EUA, começam a mostrar um cenário menos sombrio, mas por outro lado, a China parece outra vez mergulhada em lockdowns. Isto com certeza vai levar a novas projeções ainda menos otimistas sobre a economia Chinesa. Isso tende a colocar pressão nos preços do Petróleo e manter o dólar valorizado.
Internamente, vemos a insistência do novo governo em tentar pintar de verde e amarelo a figura de Fernando Haddad para liderar a área econômica.
O mercado continua sem engolir e, apesar das negociações sobre o futuro orçamento (estouro do teto de gastos) ter andado um pouco mais, a receita total do bolo continua no momento, sinalizando para a manutenção dos juros e fortalecimento do dólar.
NY estava bem carregado nas posições vendidas, e o ajuste da semana ainda mais, com o semi-prolongado feriado nos EUA… foi movimento muito mais técnico do que por algum fundamento.
Falando em fundamento, na semana continuaram a sair notícias (aqui já relatadas pela RR Consultoria) de problemas na florada/pegamento, o que define a próxima safra Brasil. Comentarios de vários agrônomos e produtores na Agência Reuters indicando que a próxima safra trará surpresas para quem espera uma grande safra Brasil (já sei, já sei como está… e nós continuando a embarcar mais de 3 milhões de sacas todo mês).
Na semana, em seu relatório anual, o USDA anunciou uma redução de 1,7 milhões de sacas na safra corrente. Reduzindo a produção de 41,5 milhões para 39,8 milhões de sacas. Um número em média 5-6 milhões de sacas acima da média de muitas projeções de safra.
Na semana, a certificação (ou recertificação) em NY voltou a crescer, com os estoques agora atingindo 557.938 sacas.
Em termos de consumo, uma análise mais profunda está complicada. Os últimos relatórios de mercado das maiores torrefações americanas, indicam uma retração de consumo, porém outros relatórios independentes indicam que o consumo de cappucinos, lattes e cápsulas seguem em um ritmo que cobrem as quedas nas gôndolas. O mesmo vindo da Europa… com toda a crise energética e inflação, estudos mostram um crescimento composto de 1,5% no próximo triênio.
No momento, o mercado mostra sérias dúvidas, tanto na produção brasileira, como no consumo mundial. Enquanto os fatos e dados não indicarem nada diferente, a escada continua íngreme!
Boa semana a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.