O mercado fechou sexta-feira em 178,20 centavos, quase 10 centavos abaixo de sexta-feira retrasada. O mercado já vinha trabalhando desde as mínimas com volumes módicos, com uma diminuição do volume de contratos em aberto. Ou seja, a medida em que chegávamos perto de 2 centavos, diminuía a entrada de volume de compradores.
Acho que, neste estágio, não é nenhuma surpresa que o mercado trabalhe em um grande canal de 150 a 200 centavos.
A mínima nos parece um ponto onde o torrador, ainda mais com a inversão de mercado, se sente bem a vontade para fixar. Para seguirmos com o movimento de alta, ainda temos algumas incertezas com relação ao real tamanho da safra brasileira 23/24, números atualizados de consumo e o peso do macro.
Não podemos esquecer que a grande liquidez do mercado vem da atuação dos fundos, e dada as atuais incertezas citadas, o dinheiro pode estar fluindo para outras oportunidades (energia, grãos, etc… com a volta da China), ou até para portos mais seguros (AAA Bonds Corporativos americanos pagando ate 8% a.a.).
Os estoques certificados voltaram a cair na semana e o inverso continua. Isto de certa forma mantém uma certa sustentação ao mercado.
Apesar das noticias de maiores embarques de Honduras, os números em geral do primeiro trimestre continuam mostrando as dificuldades na oferta. Colômbia, Indonésia, outros países da America Central, Brasil entre outros, estarão embarcando menos café em comparação ao anual no primeiro trimestre.
Os números do Brasil em Março deverão ser um pouco maiores que em Fevereiro, mas acredito que seja mais um importante número de redução ano a ano para a consolidação de um déficit de produção & consumo (consumo… o grande mistério!!).
A ABIC emitiu relatório indicando queda no consumo de café no Brasil em 2022 (1%). Faz até sentido frente aos aumentos auferidos na gôndola e a inflação generalizada que impactou o consumo. Não podemos comparar o poder de compra do consumidor local & de consumidores dos USA/EEUU/Japão… porém, teria esse impacto inflacionário também afetado o consumo por lá na mesma proporção???
Dai a reclamação de vários exportadores de um mercado altamente “travado“ ultimamente do lado comprador?
Tecnicamente já tivemos semanas melhores. Os números da ABIC mostrando uma queda no consumo do segundo maior consumidor do mundo (mesmo com todos os comparativos e teorias de conspirações), traz algumas perguntas…
Do ponto de vista de fluxo de café do Brasil, inverso na bolsa, redução em outras origens, ainda considero o mercado construtivo. Mas existem bandeiras de alertas suficientes no macro e consumo global para olharmos com bastante carinho qualquer puxada de mercado como oportunidade para fixações.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.