O Mercado fechou nesta sexta-feira à 177,80 centavos, basicamente inalterado perante sexta-feira retrasada, apesar da costumeira volatilidade durante a semana.
No macro, a importante notícia da semana, foi a insolvência do SVB, um dos 20 maiores bancos americanos. Muito ligado as atividades do setor tech e de startups em geral, setores fortemente afetados pelo aumento dos juros e consequente enxugamento de capital a disposição de risco, o banco começou entrar em insolvência na quarta-feira, e na sexta-feira já estava sob intervenção do FDIC (empresa independente do governo que gerencia os seguros bancários).

Apesar de depois da crise de 2008 o setor bancário estar bem mais regulamentado, podemos ter um efeito cascata em outros bancos regionais também expostos a estes setores. Isto sem contar que os 5 maiores Bancos americanos na ultimas semanas, perderam mais de US$ 40 bilhões em valorização devido a queda da bolsa.

A bolsa americana não resistiu a índices que ainda indicam uma forte resiliência da economia, e a aposta agora é de um aumento de 50 pontos na taxa de juro básica no próximo ciclo. Todo este cenário levou o capital para uma fuga de commodities e valores para notas do Tesouro ou “Bonds” de empresas AAA…. E o café resistiu!! Apesar de ainda tecnicamente estarmos em um território “neutro“.

Boa parte dessa atitude mais cautelosa (no sentido otimista) dos fundos (aqueles que permaneceram com suas posições compradas), é a confirmação que as exportações de Arábica do Brasil em Fevereiro caíram 35% ano/ano.
Notícias frescas saindo da reunião da NCA sendo realizada esta semana mostram dados fortes de consumo nos USA. Sempre existem oscilações nas exportações de diferentes países, mas nenhum país (ou países) conseguem atualmente suprir uma queda contínua de exportação de Arábica do Brasil.

Com os números de previsão da próxima safra chegando na média de 40-43 milhões de sacas de Arábica, teremos mais um ciclo apertado sem nenhuma margem para erro, como já estamos comentando à algum tempo. Sabemos que houve migração nos blends para um uso maior de Robusta, porém com a quase certa queda da produção de Robusta da Indonésia, temos agora um problema também na oferta e procura de Robusta (Trader Volcafe indica déficit de quase 6 milhões).
E os diferenciais não cedem!

Pessoal, ainda estamos em território neutro em NY, e precisaríamos um aumento de volume de compras e manutenção acima dos 184 centavos para sacramentar um novo ciclo de alta. Novas instabilidades lá fora podem não afetar tanto o café, mas também pode não trazer novas posições compradas .

Os números de consumo nos USA são animadores, mas existe o aumento de chance de uma recessão mais aguda.
Aqui o consumo cai e a safra de Conilon está para entrar, e temos uma equipe econômica com a mesma credibilidade do técnico do Flamengo. Os juros aqui até podem cair um pouco este ano (SELIC né!!!… Bradesco ou BB duvido).
Câmbio ajudando, vamos olhar sem emoção para possibilidades de vendas futuras e/ou fixações.
Um pouco em cada pote não faz mal a ninguém.
Boa semana a todos!!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.