O mercado fechou esta sexta-feira em 176,60 base Maio, basicamente inalterado frente sexta-feira retrasada a 177,80 centavos. Foi uma semana repleta de volatilidade no cenário macro, com mais dois bancos americanos com problema de solvência, e o Credit Suisse novamente na corda bamba.
Nos USA os reguladores deram o famoso “jeitinho”, “convencendo” os bancos privados a montar um pacote de 50 bilhões para devolver a solvência dos bancos com problemas.
Na Suíça estão costurando a compra do Credit pelo UBS.

Não estamos no cenário de 2008 porém, quando a água abaixa, os esqueletos aparecem. A alta dos juros globalmente abaixou as águas do “dinheiro fácil“ e excesso de liquidez, e aí apareceu a incompetência das gestões de risco de bancos e empresas. Claro que quando isto ocorre, existe uma transferência de posições para ativos de menor risco (como letras do tesouro americano por exemplo), e saída de posições de ativos de maior risco/volatilidade (como commodities).

Na minha opinião o Café mostrou uma boa resiliência. Apesar de um dia de forte baixa, conseguiu se recuperar com o que parece pouquíssima mudança nas posições dos especuladores e fundos… o que pode nos sugerir que, no momento para eles, Café nestes níveis ainda é uma commodity com risco administrável.

O que parecia como líquido e certo, um aumento de mais 50 pontos nas taxas de juros americanas, agora não está tão obvio assim. Estes bancos que balançaram tinham uma exposição muito alta em certos ativos que perdem muito valor quando os juros sobem. O FED deve estar querendo quantificar melhor o tamanho do risco de mais problemas, antes de um novo aumento de 50 pontos.

O BCEU seguiu em frente com 50 pontos esta semana porém, o sistema bancário europeu continua bem mais regulado que o americano, e portanto mais blindado. Um aumento de apenas 25 pontos, ou até um adiamento por parte do FED pode sim dar um suporte às commodities.

Do ponto de vista dos fundamentos, continuam saindo em conta gotas os Reports de que estaremos entrando em período deficitário. Esta semana o Citigroup revisou seus números mostrando agora um déficit de 1,6 milhões de sacas.
Como já conversamos, déficit ou superavit tem que ser na casa de 10 milhões para mostrar uma tendência clara… 2 ou 3 milhões pró ou contra simplesmente mostra que teremos volatilidade, incerteza na direção do mercado, e que o produtor necessita ter uma grande disciplina na administração de custos e metas de vendas e fixações.

Os estoques nos portos americanos mostraram uma queda de 160 mil sacas de final de Janeiro a final de Fevereiro. Mais um número que dá suporte ao mercado.

Com a volatilidade no macro, o Real teve uma desvalorização esta semana chegando acima dos $5,30. Com isso tivemos uma maior movimentação no mercado físico interno, com um pouco mais de café saindo do mato, e também uma procura maior de importadores para cobertura de custo prazo. Apesar disto, os diferenciais continuam com o + na frente em basicamente todas as qualidades e origens. E mesmo Robusta agora começa a mostrar também certa dificuldade de originação (em termos de diferenciais). Vamos observar a entrada da safra de conilon e entender como estará a demanda interna.
Se realmente temos uma queda de demanda internamente, poderemos ver números mais fortes de exportação de Conilon.
Para quem ainda ficou com café baixo Arábica atento a este número.

No curto e médio prazo, o mercado começa a construir um suporte interessante. Disciplina sobre ganância deve ser a ordem do dia!

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.