O mercado fechou nesta sexta-feira em 188,05 centavos, frente um fechamento sexta-feira retrasada em 185,95 centavos, base Julho.
Fora as oscilações normais dentro da semana, pouca coisa mudou, porém a volatilidade deve começar a aumentar.
Os estoques certificados continuam a sua corrosão semanal, chegando agora perto das 650 mil sacas. Isto deve continuar pelo menos até a safra Brasil entrar com volume e os diferenciais encaixarem (possivelmente, mas…).
Pelo visto somente mesmo o diferencial Brasil vai encaixar, pois foi amplamente noticiado no final da semana a possível quebra da safra Colombiana devido ao excesso de chuvas. Já começa a flutuar números de apenas 9 milhões a safra Colombiana de 2023, que vem seguido de uma safra de 11 milhões (que já era abaixo do esperado).
Se a Colômbia já precisava de 1,5 à 2 milhões de sacas do Brasil para cobrir seu déficit de produção, isto pode aumentar agora para perto de 4 milhões de sacas.
As notícias sobre o Vietnam também continuam a mostrar uma safra menor. Muito se comenta sobre um menor investimento nas lavouras, bem como perda de área para o cultivo de frutas (exportação China). Já algum tempo acreditamos que o teto de produção no Vietnam é realmente de 30 milhões de sacas, e não me surpreenderia se a próxima safra fecharmos perto de 27 milhões.
Do ponto de vista técnico, os fundos diminuíram um pouco sua posição comprada, base semana retrasada, mas é bem possível que nesta sexta-feira tenhamos uma recomposição destas posições, porém vamos ficar atentos… a maior volatilidade deve vir do câmbio.
Apesar do FED americano ter subido em mais 25 pontos a taxa de juros, a sinalização é que possivelmente será a ultima (possivelmente). Apesar do número de empregos criados em Abril ter sido bem acima da expectativa (a taxa de desemprego caiu para 3,4%), os números de Fevereiro e Março foram revisados para baixo, deixando a média anual muito pouco acima da expectativa.
Fora isto, os problemas dos bancos regionais continuam alarmando os mercados.
Por cima de tudo, começa a se tornar um problema maior e maior, a guerra política sobre o o teto de gastos (financiamento da dívida) do governo americano. A última vez que o embate não foi decidido, o governo começou a “fechar as portas”, e a economia americana foi rebaixada para B+, medida que enfraqueceu o dólar.
Um dólar mais fraco favorece as importações e costuma dar suporte a bolsa, já que os fundamentos continuam mostrando solidez.
Eu não preciso nem comentar como foi a semana aqui para o governo, com duas derrotas (uma nem chegou a ser, mas seria) em votações na câmara. A passagem do novo arcabouço fiscal pode não estar definida. Lembrando que as derrotas da semana vieram após a liberação de R$10 Bilhões em emendas. Um dólar mais fraco pode impulsionar a demanda, e dar suporte a NY.
Último tema que requer atenção: a ofensiva Ucraniana deve estar por vir em breve. Esperem volatilidade alta em Petróleo, grãos e açúcar. Café????
Internamente, o mercado continua bem travado. Interessante que nas últimas duas/três semanas pude observar mais cafés safras passadas aparecendo na praça…
Boa semana a todos e boa sorte aos Ucranianos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.