O mercado fechou a semana em 182,85 centavos base Julho, uma leve queda frente ao fechamento de sexta-feira retrasada de 188,05 centavos. Nenhum grande movimento, mesmo frente as últimas tendências, tanto no macro como nos fundamentos.

Todo o contexto sobre o que conversamos semana passada no macro, realmente levou a uma valorização do Real esta semana, com a cotação fechando perto dos R$4,90.

Fora o contexto maior sobre a economia americana, o spread de juros atuais é muito atrativo. Obviamente qualquer deslize interno (principalmente se a votação do arcabouço fiscal continuar a ser adiada) pode levar a percepção do risco ser maior que o ganho no spread, e o Real voltar a desvalorizar.
A inabilidade política de um partido que ficou no poder por quase 4 mandatos é surpreendente.
A visita do Vice Presidente e do futuro Diretor do BC a uma feira do MST em São Paulo caiu “muito bem“ com a bancada ruralista, no momento que estamos chegando perto de votações chaves.

Toda a tendência continua para um Dólar mais fraco frente ao Real, porém, aqui nada é certo.

Um pouco surpreendente também foi uma maior liquidação das posições compradas dos fundos, principalmente porque eles mantêm posições mais fortes em açúcar e cacau. Ainda mais em conjunção com notícias de quebras em Colômbia e Vietnam… o que nos leva a pensar… Aliás, para quem está apostando no mercado frente a estas possíveis quebras, minha sugestão é checar bem suas fontes (fica a dica…).

Os diferenciais Colombianos estão derretendo e muitos exportadores estão mesmo reclamando de falta de demanda… não conversa muito com a perspectiva de uma safra de 9 milhões.

As exportações brasileiras de Abril vieram 14% menores em comparação ano a ano, e foi o mês de menor volume desde 2019. As exportações de Arábica ficaram em apenas 2,27 milhões de sacas. As minhas previsões que estes baixos volumes em comparação ano a ano, de Janeiro em diante, poderiam levar este mercado novamente acima de 2 centavos vão afundando… e agora com safra Brasil entrando e os diferenciais para o segundo semestre alargando…

Se não existe nenhum problema com a demanda (quando digo problema, digo queda a/a), fica a esperança que, com os juros altos e perspectivas de recessão, os estoques na mão da indústria estejam bem mão para a boca. No mesmo prato estão os exportadores… e ainda por cima com o inverso na cabeça. Nesta situação, qualquer ruptura levaria a uma alta volatilidade. Mesmo assim deveríamos estar vendo uma queda mais acelerada nos estoques certificados e dos portos… A foto hoje é não muito promissora.

Um Feliz dia das Mães!!!
Boa semana a todos e boa sorte aos Ucranianos!!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.