O mercado fechou em 181,60 centavos base Julho, contra sexta-feira retrasada em 192 centavos.
O mercado segurou os níveis de 180 centavos. O mercado de NY continua com um net comprado de quase 15 mil lotes de posições spec, base dia 23.

Com certeza devolvemos parte disto no fim da semana. O mercado tem trabalho com volumes módicos, o que ainda dá amplo espaço para aumentos (ou diminuição das posições).
No momento NY esta “espremido” no range de 180 à 199 centavos, espremido entre um os apertados fundamentos e um perigoso sentimento macroeconômico.

Londres continua dando um bom suporte na arbitragem, com bom volume negociado, e onde os specs continuam a depositar sua fichas. A arbitragem entre NY e Londres fechou mais um pouco e deve assim continuar no curto prazo, pois como comentamos semana passada quem manda na demanda hoje são os diretores financeiros, e nominalmente manter robusta maximizado no blend continua sendo a melhor opção. Com o USDA projetando a próxima safra do Vietnam voltando acima dos 30 milhões de sacas, porque mudar?

O macro não ajudou muito. Durante a semana, com a passagem do arcabouço fiscal e uma queda da curva de juros futuros no Brasil sinalizando uma possível redução pelo BC, e um mercado nos EUA ainda precificando uma manutenção das taxas de juros, a arbitragem de juros caia e tivemos uma valorização do dólar.

Tínhamos uma negociação muito dificil na dívida americana, e uma geral aversão ao risco.
Na sexta-feira, novos dados da economia americana voltaram a mostra forte resiliência com crescimento de salários e aumento de consumo de bens duráveis. Novamente começaram as especulações de nova subida de 25 pontos da taxa de juros em Junho.
Dados da economia Alemã mostram um início de recessão, que já tinham se somado a números menos favoráveis da economia chinesa.

Com as negociações do teto da dívida americana caminhando bem melhor no final da semana, podemos ver crescer as chances de aumento de juros.
A arbitragem de juros voltara a subir?? E voltaremos a testar e romper os $4,90 reais, dando novo fôlego aos fundamentos de NYC?

Nos fundamentos, a OIC divulgou uma previsão de produção global de cerca de 171 milhões de sacas contra um consumo de cerca de 178 milhões no seu relatório de Abril,l. Ou seja, um déficit de 7 milhões de sacas. Os números são factíveis, somente lembrando que os número de 178 milhões de sacas (aumento de 1,7% ano a ano) estão bem na faixa mais alta das previsões.

As exportações brasileiras em Maio devem ficar por volta de 2 milhões e e pouco… novamente um número baixo.

Os fundamentos são firmes, e já vem sendo à algum tempo desde janeiro, porém tudo isto é comida requentada e o mercado tem muita dificuldade de quebrar as resistências e voltar a testar os 200 centavos mesmo com todas as contas de déficits.
Se os diferenciais do Brasil para a safra nova continuarem a alargar, a mensagem continua de uma safra maior do que esperada. E assim, quem espera um fluxo maior de café brasileiro, mantém a esperança de comprar MTGB perto dos – 20, e fixar NY abaixo dos 180 centavos.

Os estoques certificados continuam a cair, agora já abaixo de 600 mil sacas. Os diferenciais dos lavados cederam mais um pouco, mas ainda continuam acima de valer a pena certificar… porém, quem pagava + 40 para Honduras com um mercado acima de 200 centavos e agora paga + 20 com um mercado em torno de 180/190 centavos… novamente o diretor financeiro acertou… manter a demanda dominada por preço e na “mão para a boca“. Os diferenciais Brasil começam a chegar… porque não esperar também?

Segunda feriado nos USA. Boa a semana a todos! Boa sorte aos Ucranianos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.