O mercado fechou sexta-feira em 180,30 centavos base Julho, basicamente inalterado contra o fechamento de sexta-feira retrasada. Durante a semana o mercado seguiu testando suportes abaixo de 180 centavos, encontrando uma mistura de compras de indústria e fundos, que levaram o mercado novamente a testar 185 centavos.
Na sexta-feira não teve sustentação para furar os 185 centavos e buscar 192 centavos, e cedeu para perto de 180 centavos.
Apesar que net/net os fundos diminuíram suas posições, ainda existe muito espaço para tomada de posição tanto de um lado como para o outro.
A indústria parece olhar com mais interesse o mercado abaixo de 180 centavos, muito fruto da sustentação de Londres/arbitragem. Se não fosse o suporte da arbitragem, ainda mais que os diferenciais continuando lentamente cedendo e a estrutura de mercado no 1° semestre de 2024 começa a desenrolar, muito provavelmente o mercado estaria testando mais abaixo. Uma indicação que o mercado vê com certo ceticismo déficits no Arábica seguindo em frente.
Porém, a frente a frente no presente, os embarques de Maio vão ficar ao redor de 2 milhões de sacas de Arábica e os certificados continuam a serem tomados, apesar que Honduras e Costa Rica surpreenderam com números fortes de exportação.
A pressão no momento continua sendo no Robusta, apesar que do ponto de vista do torrador, continua sendo o café mais competitivo, e na arbitragem atual (mesmo fechando) não existe muito incentivo de mudança de blends. Ainda mais com a melhoria contínua na qualidade dos robustas globalmente.
Repetindo porém, nem tudo está perdido, em determinado momento o suporte de Londres vai eventualmente levar a mudança de blends.
Comecem a olhar o spread internamente entre Conilon e baixo Arábica para entender que existe um bom suporte pelo “aperto no Robusta“. Por isso mesmo que vemos a indústria cavocando mais perto dos 170 ao invés de segurar novamente ate os 150 centavos. Cada um sabe o seu ponto de equilíbrio mas, a não ser que encontremos fortes problemas na demanda, a indústria está atenta que o café Arábica mais barato está sob pressão (certificados, robustas).
Podemos até ver um bom volume de certificação de Brasil, mas após a pressão inicial de safra, e o Real permanecendo sem se desvalorizar, existe uma boa chance de vermos os diferenciais brasileiros apertando novamente em algum ponto do 3° trimestre. Se a florada for boa então…
No macro, o acordo nos EUA sobre o teto de gastos e congelamento do orçamento tirou o viés ante o risco do mercado. Existe ainda um sentimento de que agora o FED não subirá os juros (as apostas estão aí no 50/50), mesmo com pontos divergentes quanto a desaquecimento da economia americana. Existe uma corrente de economistas que acreditam que, com os problemas logísticos durante a pandemia e o aumento da pressão americana do retorno de investimentos industriais no eixo NAFTA & China, estaremos observando um período de “re-industrialização“ de alguns segmentos no eixo NAFTA. Com isto, a NAFTA passará por um período de inflação gerada por industrialização (de certa forma como ocorreu nos anos 50).
Isto no médio prazo estará deixando o dólar sempre sobre pressão (manutenção de juros altos), e com incentivo à importação. Ou seja, em determinado ponto, a subida de juros será ineficaz.
Do outro lado do pacífico, o PMI da China veio um pouco melhor do que o esperado, e notícias de que o governo chinês ira renovar incentivos fiscais, deram um bom suporte para metais e energia. A China indica um crescimento de 5% no ano, porém a realidade deve estar perto de 3%. Quanto ainda pode ir de incentivo para uma infraestutura já saturada??
Para o mercado de café, uma China bombando ou uma China meia boca, pouco afeta a oferta e procura. Para o Brasil como um todo já é diferente… estamos apostando no cavalinho Chinês. Para o mercado de café, vale mesmo uma apreciação do Real, que sempre dá um suporte a NY, segurando os diferenciais brasileiros e incentivando importação nos países consumidores.
Para a turma da boa bebida, os cavalinhos Americanos, Europeus e Japoneses ainda são as melhores apostas.
Internamente, acho que o Real tem uma boa chance de se segurar, sem querer ter um viés político, o início de Lula 3 tem sido medíocre. Absoluta falta de coordenação política com o legislativo, e uma “lambança” sem igual na área externa… na verdade, por mais contra intuitivo que pareça, a força do lesgislativo dá uma sensação ao mercado, que o governo não está tendo espaço nenhum para efetuar as “lambanças costumeiras”. Seja por um senso de republicanismo, ou simples pirraça/vingança, o poder atual do legislativo na verdade está sendo nossa apólice de seguro. Mais ainda com Haddad evitando qualquer embate mais acirrado (vide a PL da COAF) .
A colheita segue em ritmo normal. Sem querer bater sempre na mesmo tecla, precisamos focar em resultado e não em preço (o qual não controlamos). No último ciclo o KCL, base Paranaguá caiu mais de 35%. A turma dos grãos, com a queda dos preços ainda está segurando compras (mesmo também com a troca afins positiva). As revendas, cada vez mais na mão de fundos, precisando cumprir suas metas.
Aproveitem as puxadas técnicas e especulativas, façam boas trocas com foco no resultado.
No momento o mercado tem um bom suporte. Colheita e florada vão determinar o teto deste mercado.
Uma nota de agradecimento também aos “golpistas” e “fascistas” que entregaram 90% de um PIB acima do esperado no 1° trimestre! Crescimento acima de 20%!!
Boa semana a todos! Boa sorte aos Ucranianos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.