O mercado fechou nesta sexta-feira em 190,65 centavos base Julho (186,65 base Setembro), contra um fechamento sexta-feira retrasada de 180,30 centavos, alavancado pelas notícias de frio intenso se aproximando, e também pelo ambiente positivo do macro.
Tivemos um mix de compras de comerciais e fundos, pegando ordens de compras estacionadas em pontos de resistência e puxando o mercado. Base de Junho, os fundos aumentaram sua posição líquida e devem novamente ter aumentado esta semana, apesar de ainda estarmos longe de suas posições recordes.
Sexta-feira tivemos um retração, com notícias de que a frente fria poderia não ser tão intensa (mas continua oferecendo preocupação), e tivemos algumas consolidações de ganhos.
A agência americana de metereológica (NOAA) também divulgou que o fenômeno “El Niño“ está oficialmente instalado, o que em teoria, pode impactar safras na Asia e América Central.
Londres continua dando um bom suporte ao mercado de Arábica, e os certificados continuam a derrocada já chegando aos 550 mil sacas de estoque.
No Brasil, com quinta e sexta-feira em ritmo de feriado, pouca atividade no físico e também pouca venda de Brasil em hedges em NY.
No macro, tivemos uma nova valorização do Real, alavancado por entrada de dólares na bolsa brasileira (com a percepção menor de risco), um cenário inflacionário mais favorável (com as apostas ainda em aberto de uma redução na SELIC em Agosto), notícias de números inflacionários também mais positivos na China, onde seis bancos estatais cortaram a taxa de juros (a contínua aposta do mercado que com isto, o governo vai mesmo dar novos incentivos fiscais), e um aumento da possibilidade de que o FED americano não aumentará sua taxa básica (ainda que os especialistas considerem um 50/50 de possibilidade).
Com a retração do físico e valorização do Real, dá um bom suporte teórico em NY. Pelo spread entre os pedidos de compra e venda no físico nos últimos dias podemos ver os compradores realmente puxando para uma abertura dos diferenciais, mas no momento isto ainda não se transformou em volumes de vendas de hedges em NY.
O câmbio é sempre um marco difícil de seguir. Uma semana tranquila não garante nada para a próxima semana. No médio prazo, a prudência ainda indica que estamos chegando em pontos de compra de dólar.
Nos fundamentos, o USDA divulgou um novo número da safra 23/24 Brasil. Cerca de 66 milhões de sacas, sendo quase 45 de Arábica. Segundo a OIC, as exportações mundiais de Arábica nos últimos 12 meses (base Abril) & os doze meses anteriores, teve uma retração de quase 5 milhões de sacas, enquanto a de Robusta ficou praticamente inalterado. Por aí observamos a flutuação de demanda para o Robusta.
A Smuckers, maior torradora de café dos USA anunciou um aumento de 7% nas suas receitas de vendas de café para o quarto trimestre do seu ano fiscal que se encerrou em 30 de Abril. O relatório mostra que café é um negócio de $2,7 bilhões de dólares, e que 47% das vendas estão no segmento tradicional de vendas torrado e moído. Cafés especiais detém 15% das vendas. O relatório consolidado entre todos os segmentos mostra que o resultado vindo de volume/mix é basicamente zero, e o resultado de preços é de + 11% . Especificamente no café o resultado volume mix é de -1%. Interessante notar que, apesar de não segregar por segmento, não existe redução no valor dos estoques de matéria prima no balanço (ao contrário, existe um pequeno aumento). Também chama a atenção o aumento no valor dos hedges de matéria prima. Repito, no balanço não consigo ver a separação por segmento de negócio, porém os dados podem indicar que não existiu uma forte redução nos estoques, e sim um bom aumento de posições de hedge (compras) em matérias primas. Sendo café quase 50% de todos os COGS, onde podemos inferir com certo grau de confiança que houve um bom aumento de hedges de café.
Dados de estoques do Japão e EEUU não mostram nenhuma evolução significativa de impacto.
No geral, nenhuma grande mudança frente os últimos relatórios. Londres deve continuar a manter um bom suporte para NY, o câmbio uma incógnita mas no momento também da suporte a NY, o clima é um ponto de atenção, as expectativas de safra Brasil Arábica se consolidam entre 37-45 milhões de sacas para safra 23/24.
Se o relatório do líder de mercado no mercado americano espelha algo maior do mercado, as torrefações não estão brincando com estoques, tem aumentado suas posições compradas nas quedas, e os resultados vêm basicamente de aumentos de preços. Ou seja, não estão apostando contra o mercado, mas tem poder de “espera“ frente a puxadas especulativas.
A estrutura de mercado ainda é favorável para simples reposição se necessário até a próxima florada Brasil.
Quem sabe o spec/volatilidade de curto prazo será o melhor amigo do produtor desta vez… oportunidades de consolidar um bom resultado não devem ser desperdiçadas (pelo menos em parte da produção). Vai que a florada seja muito boa…
Boa semana a todos!!
Boa sorte aos Ucranianos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.