O mercado fechou base setembro em 180,75 centavos, contra um fechamento de 186,65 centavos sexta-feira passada. Mercado parece estar resistindo bem nos 180 centavos, novamente muito pela arbitragem com o mercado de Londres (Robusta). Apesar dos diferenciais terem cedido na ultimas semanas, NY continua um péssimo comprador.
Os estoques certificados continuam sua queda batendo as 545 mil sacas. No longo prazo, as últimas tentativas do mercado bater os 200 centavos e rápido recuo com falta de sustentação, mostra ainda preso entre 176 e 196 centavos.
O macro basicamente seguiu o script com o FED Americano mantendo a taxa de juros e a China. Como comentamos, este cenário é negativo para o índice dólar e positivo para as moedas emergentes colocando novos estímulos no mercado.
Internamente, novos dados uma inflação mais sob controle, com as apostas agora indicando uma redução na taxa básica já a partir de Agosto.
No câmbio também as últimas tentativas de quebra dos R$4,80 mostram que aí existe uma boa resistência, e as apostas que SELIC vai começar a ceder em Agosto diminuem o apetite para a aplicação no spread de juros com o dólar.
Olhando a foto de sexta-feira, parece que o mercado está assentando entre 176 e 196 centavos e o dólar entre R$4,80/R$5,00. Porém, não confiaria muito no dólar. Muitas incertezas internas e externas.
De interesse também, a reportagem da Bloomberg indicando que após acumularem estoques de café durante o período de pandemia… as gigantes mundiais de café estariam adiando compras, diminuindo seus estoques e esperando uma safra Brasil maior do a que a média do mercado e consequente melhora dos diferencias (já que o preço fixo veio na descida, abaixo de 200 centavos a algum tempo). A ideia de diminuir os estoques com o aumento das taxas de juros faz todo sentido. É uma simples conta de resultado financeiro com a melhoria do fluxo de caixa.
Também pelo commitment, podemos observar que as empresas adicionaram posições compradas após o mercado derreter para abaixo de 200 centavos, acelerando bastante abaixo dos 180 centavos. E com o bônus do mercado invertido, puderam alongar suas posições ao máximo sem nenhum custo de carrego. Nirvana para quem quer fixar um orçamento. Na verdade, agora só falta encaixar melhores diferenciais (até agora acontecendo).
A leitura que as torrefações estão perto de apertar o botão vermelho e puxar o mercado, pode ser precipitada.
Dados do CECAFÉ mostram que, de Janeiro a Maio, o Brasil exportou quase 20% menos, em comparação de 2022. Minha expectativa era que a continua redução iria eventualmente dar suporte aos diferenciais e consequentemente dar suporte a NY. Até agora expectativa frustrada. O suporte de NYC veio da mudança de blend e constante aumento do uso de Robusta. Não nos parece que o suporte no momento vai vir da indústria.
Por este motivo comentei semana passada que o grande amigo do produtor poderá ser o capital especulativo entrando no mercado em função de clima.
Essa semana o MAPA também definiu o direcionamento de R$6 bilhões do FUNCAFE. R$1,6 Bilhões irão para custeio e R$2,35 Bilhões para comercialização. As taxas de juros serão definidas junto com o comunicado do Plano safra pelo governo dentro de poucos dias.
Boa semana a todos!
Boa sorte aos Ucranianos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.