O mercado fechou sexta-feira em 159 centavos, uma retração de cerca de 5 centavos perante sexta-feira retrasada. A tendência de queda não se inverteu esta semana.
O capital especulativo inverteu a mão e agora está com posição net vendida, e com um espaço enorme para poder aumentar.
Londres também não aguentou a pressão, e apesar da arbitragem não ter se movido muito, também cedeu.
No macro nenhuma grande novidade. A tendência é de baixa, mesmo com correções de posições sobre vendidas no meio do caminho.
Os estoques certificados não sofreram grandes variações na semana, e dizer que eles estão em níveis muitos baixos não reflete no mercado, pois já estavam muito baixos a 15 centavos atrás.
O Real continuou valorizado, não ajudando muito os preços em reais, mas por outro lado tenho ouvido sobre novas quedas de preços de fertilizantes e demais insumos. As quedas dos preços em Reais refletiu em um grande estreitamento dos diferenciais, outro possível sinal de alarme que só ficou no amarelo.
No macro, os números globais continuam mostrando desaceleração de atividades industriais, mas por outro lado, novos dados nesta semana, indicaram contínua tendência de queda nos indicadores inflacionários americanos.
A bolsa americana teve uma boa semana, e agora as opiniões de dividem novamente se o ciclo dos aumentos do juros do FED poderia ter se encerrado.
A pauta do COPOM aqui continua relativamente ambígua e a possibilidade do corte de juros em Agosto, deixa meio em suspenso novas grandes entradas/saídas de dólares, e algum forte impacto no Real.
O arcabouço parece tema decidido, porém a reforma tributária (como não poderia de ser diferente) já mostra uma forte pressão contra do Estados e de setores específicos.
A colheita segue o ritmo normal, e nenhuma grande previsão de frio a frente. Segundo alguns agrônonos consultores de campo, a colheita está no pico nesse momento. “No Arábica estamos próximos de 50% da colheita feita, mas uma grande parte não iniciou procedimentos de varrição. A maioria desses cafés ainda estão nas estruturas de secagem, tulhas e armazéns”, comentou Régis Ricco, da RR Consultoria Rural com sede em Alfenas, sul de Minas Gerais.
Os números de produção, demanda, tanto de Brasil como globais, continuam mostrando uma razoável diferença. Tanto produção como consumo globais variando até acima de 10 milhões de sacas. A chance de entendermos quem está certo ou errado nos próximos 3 a 4 meses é bem pequena, porém existe um fator que pode trazer mais confusão ainda aos números, ou acabar com a discussão de vez: a florada Brasil!
Conversando com um bom amigo, produtor de bom tamanho em São Paulo: “segurei muita compra de insumos, mesmo com $800 reais/saca ainda estou no jogo, pois tenho uns 25% da produção vendida futura acima de $1.000 reais. Ainda bem que cumpri direitinho as entregas do ano passado! O foco tem que ser no resultado mesmo, pois tinha certeza que iria vender café a $1.500 reais agora em Julho/Agosto”.
Boa semana a todos!
Boa sorte aos Ucranianos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.