O mercado fechou nesta sexta-feira em 161,85 centavos, contra um fechamento de sexta-feira retrasada de 160,80 centavos. Quase nenhuma variação, porém com um fechamento forte na sexta-feira.
Os fundos base 18 de Julho aumentaram mais um pouco sua posição vendida, mas ainda longe de posições históricas. Se olharmos os canais de longo prazo, o mercado está “preso“ entre 150 e 190 centavos (na verdade um pouco acima e um pouco abaixo).
A estrutura de mercado continua firme e os estoques certificados continuam caindo tanto em Londres como em NY.
No momento não existem notícias exatamente otimistas sobre números de safras globais que mostrem algum novo crescimento de oferta.
Londres continua dando um bom suporte na arbitragem, e os preços atuais estão em níveis interessantes para a indústria ir tomando, visto o comentário de alguns dias atrás de uma grande torrefação europeia que não via espaço para diminuir preços na gôndola antes do ano que vem. Normalmente esta é uma decisão de quem não está perdendo nem market nem vendas.
Muito se comenta sobre o impacto do fator El Niño no mercado de café. Hoje em dia é só prestar atenção no dia a dia das notícias para saber que as mudanças climáticas são ainda menos previsíveis do que nunca. Em algumas décadas (ou menos), áreas que hoje tem café não terão mais, e áreas antes não habilitadas para o plantio estarão produzindo. O único país no mundo que possui a diversidade climática e extensão de área suficientes para se manter como grande produtor é o Brasil (só um lembrete para quem está pensando em jogar a toalha!).
Se olharmos uma média mundial de consumo em 170 milhões de sacas, e jogarmos crescimento de 1% a.a., a produção vai ter que manter o mesmo passo.
No macro nenhuma grande novidade. O Real foi uma das moedas que mais se valorizou contra o dólar este mês, o que também ajudou a dar um suporte ao mercado.
A semana foi de boas notícias para as bolsas de valores, principalmente lá fora, onde os balanços trimestrais mostraram resultados bem positivos. Mais um fator que mostra que a possibilidade de mais um aumento de 25 pontos nos juros pelo FED continua uma forte possibilidade. Se tivermos a queda SELIC em Agosto, vamos ter uma queda no spread, mas não acredito ainda o suficiente para mudar o fluxo cambial. A não ser que alguém (a gente sabe quem) fale alguma grande bobagem, não devemos ter nenhuma desvalorização do Real no curto prazo, mesmo porque a área econômica está se comportando de maneira bem responsável.
No longo prazo já tenho um visão diferente, no longo prazo muita coisa boa ao mesmo tempo precisa acontecer para que a conta feche, e ainda nem sabemos o impacto da reforma tributária. Long Real no curto, short Real no longo??.
Um dos impactos da crise logística na pandemia, bem como as tensões geopolíticas, é o fator chamado de “nearshoring” ; onde parte das cadeias de produção, estão saindo da Ásia (mais especificamente China) e estão retornando para o eixo NAFTA. É um processo de longo prazo, mas estamos falando em um eixo consumidor de 500 milhões de habitantes e que, com certeza vai trazer um possível crescimento para outros países da América Central. Costa Rica e Panama já são países bem estáveis… El Salvador começa a trilhar na mesmo direção. Cresce a industrialização e a área de serviços (turismo, etc) e aumenta fluxo do campo para as cidades. Caso isto se consolide, não é uma das áreas que veremos com aumento produtivo.
Mesmo as noticias de problemas na economia Chinesa deverão ter pouco impacto no momento para consumo global ou até para o Real.
A safra no Brasil segue no pico, já com boa parte dos produtores com mais de 60% colhidos. Segundo a RR Consultoria, alguns poucos já terminaram, mas tem também os que nem iniciaram a varrição, até por conta de não ter mecanização para tanto. “No geral, colheita chegando nos 70% colhidos e qualidade segue boa, com preocupação daqui para frente apostas precipitações das semanas anteriores”, comentou Fernando Diniz, da RR Consultoria.
Acredito que um posicionamento mais forte, principalmente do capital especulativo, venha durante/após a florada Brasil. Até lá não vejo uma razão fundamental ou técnica forte o suficiente para ficarem vendidos abaixo de 150 ou comprados acima de 190 centavos. Sei bem 40 centavos é um montão de dinheiro, porém o tempo vai se indo para um posicionamento.
Boa semana a todos e boa sorte aos Ucranianos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.