O mercado fechou na última sexta-feira em 161,35 centavos base Setembro, contra um fechamento de sexta-feira retrasada de 157,60 centavos.
Os fundo diminuíram levemente suas posições vendidas, e os contratos em aberto praticamente não se alteraram. O mercado bem que tentou ir, mas o câmbio não ajudou voltando a fechar sexta-feira perto dos 4,90. Tecnicamente pouco coisa mudou.
O mercado segue com a estrutura firme, pois não vemos melhorias na situação dos estoques certificados. Os fundos diminuíram levemente suas posições vendidas, e os contratos em aberto praticamente não se alteraram.
Os diferenciais brasileiros estão batendo na porta, mas ainda existe uma melhor margem entregando ao mercado. Conversando com compradores lá fora (os poucos que encontrei que não estão de férias), a conversa é dois minutos sobre safra brasileira e o resto sobre como se adequar (quanto vai custar) as exigências que estão por vir do mercado Europeu sobre rastreabilidade – desmatamento (imaginem então o pessoal da carne…).
O clima continua favorável para a colheita e para a qualidade. Apesar de muitas reclamações de falta de fluxo de café no mercado, os diferenciais brasileiros pouco se mexeram na semana, e mesmo assim não existe grande apetite de compra la fora. Agosto é um tradicional mês de férias lá fora no trade.
Graficamente no curto prazo, estamos trabalhando em um espaço entre 160 e 175 centavos.
Quanto mais perto das entregas de setembro, sem novas certificações, maior a possibilidade do inverso voltar a firmar. Existe aí uma boa chance do mercado testar novas resistências para testar e observar se o café sai do mato ou, se realmente o fluxo é menor. E neste ponto já devemos ter época de florada (ou não) e aí a história começa a ficar interessante.
Opções de compra de meses em 2024 a níveis acima de 2 centavos podem dar um ótimo retorno contra um aporte financeiro pequeno se virarem pó… só dizendo…
Esse ano não permite falhas na florada ….
No macro, as discussões focam na trajetória do câmbio. A maioria dos economistas apostam que os USA vai entrar em uma recessão moderada e que o FED não vai subir mais juros, e que com isso o Dólar vai se enfraquecer perante uma cesta de moedas (incluindo as latino-americanas). Aliado a isto acreditam que os novos incentivos que o governo Chinês estará lançando no mercado, vão dar uma turbinada na balança comercial brasileira. Tudo absolutamente possível. Não sei… apostar contra o dólar nunca deu muito certo…
Os altos prêmios pagos pelos cafés do Vietnam no spot com certeza vem a calhar muito bem para o Conilon brasileiro. É a hora de aproveitar! Se olharmos para o Novembro já vemos um desconto de 15 centavos contra o spot, e com certeza para os embarques do Vietnam em Dezembro os descontos ainda vão aumentar.
Agora é a hora e “carcar” no inverso… No longo prazo, ainda não vejo nenhum grande impacto para mudanças de blends. Até porque, essa semana várias empresas de torrefação soltaram seus relatórios trimestrais, e os resultados são muito bons. Exceto algumas promoções aqui e ali nas gôndolas, o preço do café em geral lá fora pouco se alterou.
Com a queda do mercado físico no mundo, lucro na veia! Nenhum produtor de Arábica está muito satisfeito com os preços atuais porém, aqueles que tiveram uma produtividade boa, o foco deve ser no resultado da operação… e com uma comprinha de opções lá na frente… são muitas variáveis de fundamentos, e que a percepção de um fluxo menor de café vai se converter com certeza em um mercado mais alto. Isto sem falar nos impactos macro econômicos!
Não dá para continuar apostando. Agricultura moderna é administração de custos, produtividade e proteção (hedge)!
Boa semana todos e boa sorte aos Ucranianos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.