O mercado fechou nesta última sexta-feira em 177,15 centavos, contra o fechamento da sexta-feira retrasada, que foi de 184,35 centavos.
Em termos gerais, as condições sobre as quais conversamos no relatório da semana passada, mudaram pouco. No entanto, devemos prestar atenção à deterioração das condições hídricas no eixo Espírito Santo – Bahia. Com os blends locais e globais historicamente com um alto percentual de Robusta e com baixos estoques no Vietnã (apesar da safra ainda prometer 28 milhões de sacas), a demanda por Conilon pode continuar interessante, mesmo com a safra vietnamita.

No âmbito macroeconômico, também não há muitas novidades, exceto pelos últimos dados da economia americana divulgados nesta última sexta-feira, indicando um “esfriamento” gradual da economia dos Estados Unidos. Retomando o tema da redução dos juros básicos no primeiro semestre de 2024, aqui continuam firmes as previsões de mais dois cortes de 0,5 pontos percentuais nas próximas reuniões do BC.

Notícias de fundamentos: o IBGE divulgou novo levantamento da safra corrente. Houve poucas mudanças, com a safra de Arábia em 38,9 milhões de sacas e 17,4 milhões para o Conilon. A ICO (Organização Internacional do Café) também divulgou novo relatório, com poucas alterações. A previsão para a safra 23/24 (de outubro de 2023 a novembro de 2024) indica um consumo de 177 milhões de sacas e uma produção de 178 milhões de sacas, resultando em um superávit de 1 milhão de sacas. O órgão espera um crescimento do consumo global em 2,25% neste período, lembrando que no biênio 2022/2023 o ICO indicou uma redução do consumo em 1,98%. Ou seja, poderíamos estar observando no período de 2022 a 2024 um consumo basicamente estagnado. Essa tendência está alinhada com o que temos observado nos relatórios de empresas listadas, onde há uma tendência de queda nas vendas nas prateleiras e um aumento do consumo nos lares, embora partindo de uma base menor.

Por aqui, os sinais não são muito animadores (e isso sem considerar qualquer viés ideológico). O PIB do terceiro trimestre foi de 0,1% (e foi muito comemorado… incrível, não?). Isso nos coloca em 28º lugar entre 51 países. A expectativa era de um PIB negativo. Ainda se espera um PIB entre 2,5% e 3% para 2023, graças ao crescimento do setor agropecuário no primeiro trimestre, que foi de 12,5%. Para 2024, a projeção de longo prazo indica, na melhor das hipóteses, um crescimento de 1,5%. O setor agropecuário pode surpreender novamente, mas os efeitos do El Niño são imprevisíveis. No entanto, isso é apenas parte do cenário. O investimento nacional e a poupança nacional também estão em queda. Não é uma questão de ir contra a corrente; são dados e fatos. O governo atual culpa a taxa de juros, no entanto o investimento já foi significativamente alto quando a SELIC estava em 13,75%. O potencial de aumento do consumo local (e isso inclui café) é muito preocupante.

Outro dado preocupante, que a longo prazo continuará sendo uma âncora para o país, é o pífio resultado da educação no Brasil. O resultado do PISA (um exame administrado globalmente pela OCDE, em Matemática, Ciências e Leitura para adolescentes, com a participação de 700 mil alunos em 81 países) mostra uma queda histórica nos países ricos, e o Brasil continua no Z4. Segundo os novos resultados, 25% dos alunos nos países ricos ficaram abaixo do nível básico em Matemática (ou seja, são incapazes de efetuar operações simples), enquanto no Brasil esse número permanece estável: 73% não conseguem. No ranking em Matemática:
1º Cingapura
2º Macau
3º Taiwan
4º Hong Kong
5º Japão
6º Coreia do Sul
7º Estônia
8º Suíça
9º Canadá
10º Holanda
**O Brasil ficou em 65º lugar.

Em Ciências:
1º Cingapura
2º Japão
3º Macau
4º Taiwan
5º Coreia do Sul
6º Estônia
7º Hong Kong
8º Canadá
9º Finlândia
10º Austrália
**O Brasil ficou em 61º lugar.

Em Leitura:
1º Cingapura
2º Japão
3º Irlanda
4º Taiwan
5º Coreia do Sul
6º Estônia
7º Macau
8º Canadá
9º Estados Unidos
10º Nova Zelândia
**O Brasil ficou em 52º lugar.

Outro dado: se todos os alunos que participaram das provas no Brasil tivessem notas médias iguais às dos alunos considerados na faixa mais rica da população, o Brasil estaria entre as quinze primeiras colocações nas três provas. O problema é que muitos desses alunos mais ricos acabam não permanecendo no país. Isso não é uma surpresa. Saber cantar o hino nacional não é mais importante, enquanto roubar um celular para poder tomar uma cervejinha é algo aceitável.

Não é um discurso político. É apenas a constatação baseada em dados e fatos, de que um país que não investe adequadamente na educação de seus jovens, acaba pagando o preço da mediocridade (tanto política quanto econômica).

Uma boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.