O mercado abriu 2024 em 190,15 centavos na terça feira e fechou em 182,80 centavos nesta sexta-feira, base Março.

Abrimos o ano seguindo as mesmas tendências de 2023. O clima vai continuar a ser notícia cada vez mais frequente (no Brasil e em outras zonas produtoras). Isto não vai mudar. Veio para ficar.
Várias zonas do Brasil devem registrar chuvas consideráveis ao longo das próximos dias, como também altas temperaturas.
As taxas de evapotranspiração continuam bastante altas.

Não costumo aqui discutir números de safra (apenas informo) pois já faz alguns anos que não faço viagens de previsão de safra. Porém, profissionais com tempo de mercado, incluindo agrônomos, indicam uma piora no quadro de produção. O quanto, e partindo de qual base, vamos buscar entender nas próximas semanas.

Em termos de fundamentos, poucas novidades.
● Quase não houve variação nos estoques certificados, tanto de Arábica quanto de Robusta.
● As exportações mundiais de café alcançaram 10,61 milhões de sacas em novembro, volume corresponde a um aumento de 4,12% na comparação com igual mês de 2022 (10,19 milhões de sacas).
Os números fazem parte de relatório mensal da Organização Internacional do Café.

Nos 12 meses encerrados em Novembro de 2023, a exportação de Arábica totalizou 74,39 milhões de sacas, ante 81,66 milhões de sacas nos 12 meses encerrados no período anterior, queda de 8,90%. Já o embarque de robusta aumentou 0,80% na mesma comparação, de 48,77 milhões para 49,16 milhões de sacas.
As exportações brasileiras de café em grão em Dezembro de 2023 totalizaram 4.059.333 sacas, fechando mais um mês na casa de 4 milhoes de sacas.

A colheita no Vietnam segue num bom ritmo, acelerando agora antes dos feriados TET. Ainda assim a recuperação do fluxo de estoques demora, e muitos traders ainda estão em situação delicada para cumprir as entregas.
Com o mercado ainda invertido, tentar recuperar estoques é uma decisão de onde perder menos.

No macro, os fundos continuam mantendo suas posições compradas. Espaço para aumentar as compras, eles com certeza ainda têm, mas talvez o volume alocado no momento seja de bom tamanho, considerando a “normalização de embarques“ & incertezas climáticas.

O que pode pender novamente a balança, será um posicionamento mais forte novamente do FED Americano. O mercado estava precificando uma queda dos juros já em Março, porém com o último discurso mais conservador do FED, as apostas agora não são tão otimistas. Dados do número de novos empregos nos USA surpreendeu os especialistas, mas aqui também acho que existe mais um senso de desejo do que realidade, já que é comum números maiores de empregos no fim do ano, principalmente no varejo, por causa do Natal. Ainda acho bem possível uma redução nas taxas em Março.
Mas o algoritmo não perdoa… mudam as variáveis… mudam as alocações, e com isto, ou os fundos diluíram um pouco suas posições compradas, ou não vão estender no momento.

Por aqui fechamos o ano com um bom saldo líquido na balança comercial e um péssimo resultado na balança fiscal. O dólar tem se mantido estável entre $4,85 e $5 reais, e com o resultado da balança comercial e uma tendência de manutenção dos juros nos USA, o equilíbrio deve se manter. O mesmo serve para a corrida positiva na Bolsa de valores no final do ano.

O mercado tem um razoável suporte em 180 centavos. Pode escorregar para entre 172 e 175 centavos dependendo dos fatores macro, mas em teoria com muitas incertezas sobre a safra Brasil para um novo derretimento.
Atenção especial com o aumento das tensões no oriente médio no curto prazo. No médio prazo, no início de Fevereiro vamos observar novos números de safra.

Boa semana e um ótimo Ano Novo a todos!!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.