O mercado fechou sexta-feira em 193,85 centavos, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 185,15 centavos.
Todos os fatores que temos conversado continuam mantendo um bom suporte ao mercado, com os fundos aumentando paulatinamente as posições compradas. Londres passou batida pelos níveis de 3.000 e depois 3.100 dólares por tonelada, mantendo a arbitragem contra NY na faixa de 45 centavos.
Os estoques certificados continuam flutuando em baixos níveis. Lembrando que começou semana passada a nova precificação de NY para algumas origens, aumentando os prêmios. Normalmente isto acontece quando temos uma constante melhoria de qualidade, ou temos um longo desequilíbrio entre oferta e procura. Provavelmente o principal objetivo é “trazer“ mais cafés Colombianos para certificação. A Colômbia passou para um prêmio de 10 centavos acima da bolsa. A bolsa de NY tenta ser um “comprador“ mais competitivo. Veremos…
Em algum momento, após o governo anunciar o novo plano de desenvolvimento industrial que caiu bem mal para o mercado, o dólar chegou a testar o nível de $5 Reais, o que durante a semana deu uma esfriada em NY, apenas temporária.
Novos dados da econômia americana mostram a inflação aparentemente sob controle, baixando dos níveis de 3% anualizada. Com isto o dólar voltou a perder força, e voltam as apostas de uma queda da taxa de juros ainda em março. Bom para as commodities!
O crescimento da economia americana anualizada em quase 3,5% (base 3º trimestre) também é boa notícia. Se o índice mantiver a base no 4º trimestre, estaremos com boa possibilidade de um pouco “muito suave“ da econômia por lá.
Interessante notar que a mesma conjuntura que levou o aumento significativo da inflação (globalmente) e consequentemente dos juros, também levou a economia americana a manter o ritmo de crescimento. O país ficou em segundo lugar per capita (só atrás de Singapura) no total de ajuda a pessoas físicas e jurídicas durante a pandemia (um total de quase $5 trilhões de dólares).
E foi exatamente o consumo constante (uma boa parte com esses dólares) que manteve um suporte a economia! Agora cabe o mesmo desafio… a redução do déficit público.
Os fundamentos atuais (situação de suprimento e estoques de Robusta, clima e manutenção de embarques do Brasil) bem como o macro global (inflação entrando em controle e consequente queda de juros, e crescimento médio global acima do esperado), são fatores que mantém o mercado de café com um bom suporte. Na verdade ainda existe espaço para os fundos aumentarem as compras. Uma questão onde estão os melhores retornos. Os retornos de maior risco vão ter maior alocação.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.