O mercado fechou esta última sexta-feira em 190,85 centavos, contra um fechamento de sexta-feira retrasada em 196,30 centavos base Março (semana que vem pulamos para o Maio).
Sem nenhuma mudança nas notícias, o mercado continuou trabalhando em um canal bem estreito, ainda sem forças para quebrar os 200 centavos, ou coragem para testar os 175 centavos.
As mudanças das regras e um pouco do afrouxamento dos diferenciais foram suficientes para aparecerem mais cafés para certificação. Nada extraordinário, pois já estamos chegando perto do “rabo“ da safra das centrais e nada indica diferença a mais na safra Colombiana.
Não vejo nestes níveis grandes volumes aparecendo para certificação.

Do outro lado, os estoques de Robusta continuam em níveis muito baixos, e como já sabemos, fruto dos estoques globais baixos, quebra na Indonésia, problemas logísticos, default nas entrais de Vietnam, e alta demanda e uso nos blends. De uma certa forma o Robusta tem segurado o Arábica, já que a arbitragem entre os dois mercados não cede e continua perto dos 45 centavos.

Os Fundos aumentaram levemente suas posições compradas (base 13 de Fevereiro), o que também indica que houve interesse de origem de fixar preços nestes níveis, chegando perto de 200 centavos, vide que a movimentação do mercado na direção de mais altas foi limitada.

Falando em bom momento de fixação, de interesse ao produtor o último relatório do Itau BBA. Além do relatório de expectativa da próxima safra (cerca de 69 milhões de sacas, sendo cerca de 46 milhões de Arábica), o relatório indica que, historicamente estamos em um momento muito bom para troca de Insumos: “No caso do MAP, o produtor hoje precisa disponibilizar 2,2 sacas de café por tonelada… o volume fica abaixo do mínimo já registrado na média histórica.
Para o Cloreto de Potássio, o volume é ainda mais baixo, de 1,4 sacas de café/tonelada. A Uréia também fica abaixo da média histórica com 1,3 sacas de café por tonelada. ”Também atenção aos embarques de Fevereiro, muitos atrasos no porto de Santos, carnaval e menos dias úteis. É comum números mais baixos em Fevereiro, mas…
É bem verdade que no comércio de fertilizantes, esses valores têm pressão de margem e juros, o que torna valores acima dos citados.

No macro, tivemos uma semana mais agitada… e mais complicada.
Um importante índice que a mede a inflação no atacado nos USA veio também acima das expectativas, jogando mais água fria em qualquer chance de cortes dos juros básicos por lá no 1° semestre. As notas do tesouro voltaram acima do 4%, e continuou a pressionando o dólar (apesar que o câmbio se comportou até bem por aqui, e não foi um fator baixista no mercado).

O BC por aqui deve continuar a baixar os juros básica o em 50 pontos por tranche, chegando 2024 em torno de 9 e 9,25%. O spread vai continuar caindo, e fica difícil enxergar um Real mais forte empurrando o mercado. Isto sem contar com a brutal dívida pública brasileira que explodiu para perto dos 250 bi, a degradação constante da segurança pública e da segurança jurídica, e perda de 10 posições no portal internacional de corrupção.

Interessante notar que o único segmento que enche os olhos de Fundos e investidores internacionais é o AGRO. Se de um lado tem dificuldade de conter crescimento e inflação, do outro a dificuldade é oposta.
A Inglaterra após um quarto trimestre negativo, está oficialmentente em recessão, e a EEUU luta para ficar no zero a zero.
O Japão luta contra uma contínua deflação, e a China com muitas dificuldades para manter o crescimento.
Uma andorinha só não vai conseguir fazer verão, e podemos começar a ver números bem menos otimistas globais.

Tudo bem… sabemos que café tem uma inelasticidade de preços bem forte (e mesmo em crise a turma continua tomando), mas isto sempre levou em conta o consumo doméstico. A premissa também vai valer para o espresso de 5 dólares/xícara??… minha opinião é que sim! Para o consumo em geral. Parte da cadeia que está ganhando dinheiro agora (pelos balanços publicados) irá ceder nas margens se isto acontecer. Ninguém quer perder market share.

Boa semana a todos!!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.