COMENTÁRIO SEMANAL – CAFÉ

O mercado fechou nesta última sexta-feira em 180,30 centavos base Maio, ante um fechamento sexta-feira retrasada em 186,70 (Maio).
O mercado deslizou lentamente está semana, porém o volume não foi dos maiores. Os Fundos certamente liquidaram uma pequena parte de suas posições.

Os estoques certificados continuam subindo lentamente, ajudado com certeza pelas mudanças de regras e valorização dos diferenciais para os lavados Colombianos. Notar também que o volume de lotes rejeitados é razoavelmente alto.

Tecnicamente o mercado continua preso dentro do canal de 175 a 200 centavos (204 se quisermos ser mais exatos). A arbitragem Londres/NY continua trabalhando com quase nenhuma mudança nos 44/45 centavos.
Com os embarques do Brasil em Fevereiro podendo chegar bem perto novamente dos 4 milhões de sacas, e os estoques certificados subindo (lentamente, mas subindo), pode se dizer que o mercado de robusta continua sendo um ótimo suporte para o Arábica. Qualquer deslize maior do Robusta, e o mercado de Arábica com certeza vai testar o canal em 175 centavos. Aliás, se o consumo global continuar crescendo, vamos dizer, na média de 1% ao ano, é bom nos acostumarmos com embarques de 4 milhões + de Brasil. Não tem muito de onde mais sair café no médio prazo… quem apostar na África… boa sorte!! 4 milhões de sacas de Brasil no médio prazo não será detrator de mercado.

No curto prazo a conversa pode ser um pouco diferente. Temos ainda o “rabo“ de safra Brasil, inverno Brasil, efeitos climáticos mundo afora… porém uma safra de Brasil 24/25 se consolidando em mais de 70 milhões de sacas, não se enganem… vai pressionar o mercado.

No macro, no momento o câmbio também está no canal de $4,80 e $5 reais/dólar. Como já comentamos, o governo tem ampla munição para segurar qualquer corrida forte acima dos $5 reais, porém no momento a conjuntura da economia brasileira e o spread de juros não vai ajudar muito o Real não. Esperar um empurrão do Real no mercado de commodities (ie café) também não nos parece muito viável.
Aliás, o mercado acionário nos USA parece prontinho para romper a barreira dos 40 mil pontos. Juros básicos compensadores, mercado acionário quente e sem mudança nos fundamentos do café… as alocações dos Fundos não devem indicar aumento em posições de café.

Interessante notar do dados de importações de café dos USA e Alemanha. Notável aumento do percentual de robusta do Vietnam. Somente corrobora que não somente problemas na Indonésia, ou problemas logísticos, ou defaults de exportadores vietnamitas… não foi a toa que o mercado terminou o ano com estoques tão baixos.
Os blends realmente flutuaram para um maior uso de robusta com o passar do tempo. Fora que a qualidade vem melhorando ano a ano (como também a qualidade das máquinas de torrar), o retorno financeiro era visível com a arbitragem perto dos 70/80 centavos.

Também de interesse ao produtor o último relatório de uma das maiores torrefações do mundo, a JDE (aqui dona das marcas Pilão, Caboclo, Maratá, entre outras). No geral, a empresa mostrou ganhos módicos, porém muito afetado, acredito pela decisão de desinvestir dos ativos na Rússia. A empresa apresentou 0,5% no crescimento de vendas terminando em 31 de Dezembro, para um resultado de 8,8 bilhões de dólares em vendas e EBIT de 1,2 bilhões de dólares (aumento de 1%). O mercado europeu contribuiu com 5,1 bilhões de dólares em vendas (4% crescimento, porém com 6% de aumento de preços).
A empresa coloca a América Latina junto com Rússia, Oriente Médio e Africa
.. então difícil olhar como foi a performance somente Brasil. A empresa tem como objetivo um crescimento orgânico de 5% em 2024!!

Para completar, dado importante: a empresa reporta uma melhoria significativa nos esforços de compra de café (dentro dos parâmetros de “responsabilidade social“). Atingiu 83% ano passado e objetiva 100% em 2025.
O investimento atual é de 150 milhões de dólares nesta atividade. O processo é uma parceria com a ENVERITAS, empresa certificadora das práticas sustentáveis.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.