O mercado fechou sexta-feira em 185,20 centavos base Maio, contra o fechamento de sexta-feira retrasada em 183,30 centavos.
Entre idas e vindas de 700 pontos, o mercado ficou basicamente inalterado na semana e ainda preso no intervalo de 175 a 204 centavos.
Tecnicamente, o mercado atuou com volumes razoáveis. Base dia 05/03, a posição dos Fundos ficou basicamente inalterado.
Os estoques certificados em NY subiram quase 100 mil sacas nos últimos 30 dias, chegando na casa de 410 mil sacas, e ainda com um volume razoável para classificação.
A arbitragem NY/LONDRES começa lentamente agora ficar sob pressão, fechando sexta-feira na casa dos 35 centavos base Maio. Durante várias semanas sustentou na casa dos 45 centavos ou mais esse ano, e nos dois últimos não chegou a quase 80 centavos.
Basicamente, o que observamos no mercado interno, com o Conilon chagando as $900 reais durante a semana, encostando nos cafés mais baixos Arábicos.
Existe um momento em que a demanda começa a se deslocar novamente para os cafés Arábicos, principalmente quando a percepção de que a situação do Robusta não vai aliviar no curto/médio prazo.
O quanto o mercado de Robusta vai sustentar a arbitragem e manter NY acima dos 175 centavos é a pergunta do momento considerando a chegada da safra Brasil. No curto prazo deve segurar… no médio saberemos…
Os problemas de Robusta começam a ficar mais preocupantes com a situação climática no Vietnam. Historicamente após um forte El Nino, o Vietnam sofre com a estiagem. A delta do Mekong, e o norte do país estão com uma estiagem fortíssima, impactando seriamente a safra de arroz.
Nas províncias onde predominam o café, Março e Abril são meses “chave” na questão de chuvas, e por enquanto estamos com alto calor e nada de chuvas. Existe sim bastante irrigação, porém de uma maneira não técnica, o que começa a prejudicar também o abastecimento para a população. Ou seja, o cenário começa a ficar mais preocupante.
No macro, externamente tivemos alguns sinais contraditórios. A criação de empregos nos USA foi acima do esperado em Janeiro, porém alguns dados de atividade ecônomica vieram dentro de uma esperada desaceleração.
Os comunicados do FED coincidiram com as declarações da autoridade Europeia, em que as taxas de juros realmente poderão cair no segundo semestre. Nenhuma grande mudança lá fora. Internamente, Janeiro deu um alívio na conta corrente primária de governo, com um superávit de quase $80 bi. O mercado já trabalha algum tempo com uma perspectiva de 0,7% de deficit fiscal, e o Janeiro vem a ajudar a área econômica. O problema é que as últimas pesquisas de popularidade do nosso atual governo, vem morro abaixo.
Obviamente a promessa de “cervejinha e picanha“ todo fim de semana até agora não se concretizou, e a atuação na área diplomática continua “brilhante“. E todos nós sabemos a fórmula deles: vamos gastar!!
À portas fechadas, muitos no mercado começam a trabalhar com os juros a 9,5 e 10%.
A fuga de capital em Janeiro e Fevereiro foi significativa. Se o spread de juros não ajudar, só vai piorar.
Coloquem na salada ainda as ingerências na Vale e na Petrobrás, e temos uma bela fórmula para o que o Real continue sob pressão. Ou seja, o câmbio não deverá ser um fator de impacto negativo para o faturamento em Reais. Com isto, quando observarmos um valor de troca historicamente bom entre sacas de café e insumos, não deveríamos perder a oportunidade.
Na última quinta-feira alguns amigos venderam entrega Outubro/Novembro acima de $1.050 reais. Eles não sabem quanto estará o preço em Outubro, e muito menos eu. Porém, são produtores mecanizados e com boa produtividade, e acima de $1.050 reais indicam seus resultados por saca bate os 100%. Se você pensar em resultado e não em preço… nada mal.
Nem todos podem ser mecanizados e/ou tenham uma alta produtividade mas talvez possam tirar a diferença na qualidade.
Cada vez observamos mais e mais empresas abrindo filiais novamente no Brasil para estarem perto do produtor e garantir os requerimentos de sustentabilidade. Isto tem um preço!
Não se esqueçam. Poucos países terão a condição de se adequar as novas legislações dos países consumidores (principalmente EEUU) como o Brasil. Se eles vão levar a sério??… tirando a parte do viés político envolvido, a Promotoria de NY (a mesma promotoria que está tirando o sono de Donald Trump) abriu um processo crime contra a JBS por fraudar o público e acionistas com promessas de sustentabilidade que não são ou serão exequíveis ou cumpridas.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.