O mercado fechou na sexta-feira em 184,85, contra sexta-feira retrasada em 182,95 centavos, base Maio.
Tecnicamente nenhuma grande mudança, somente o fluxo de certificações que chega aos níveis de 600 mil sacas, porém ainda sem que a estrutura do inverso se desfaça.
O mercado ainda tem a percepção de estoques apertados tanto no Arábica quanto no Robusta. Os volumes negociados em NY tem sido bons, e o mercado continua trabalhando na faixa de 175 a 204 centavos.
Os Fundos diminuíram um pouco sua posição comprada, mas ainda dentro da faixa de oscilações que temos observado nos últimos meses. Nas puxadas de mercado, o mesmo encontra boas fixações de Brasil.
Conversando com vários exportadores esta semana, o problema não é uma questão de volume… o volume ofertado segundo muitos deles, é bastante razoável. O problema é mesmo com o câmbio na faixa de R$5,00 e às vezes até puxando aos R$5,05 durante a semana, a conta está difícil de fechar (isto sem contar que a mensagem contínua de trabalhar com o mínimo de estoques devido ao inverso).
O produtor vai continuar encontrando demanda internamente.
A arbitragem entre NY e Londres continua estreitando lentamente, porém Londres continua sendo um bom suporte ao mercado pois ainda não observamos uma grande mudança na composição dos blends.
No mercado físico a arbitragem está ainda menor. O Conilon no Brasil ultrapassou os 900 reais/sacas, e o Arábica na faixa de $1.020 e $1.100 Reais dependendo da qualidade do café.
Segundo relatórios de mercado, no Vietnam o Robusta está nos níveis de $1.200 Reais/saca comparativamente.
A contínua melhoria da qualidade do Robusta durante os últimos anos, ao mesmo tempo foi uma benção e agora um problema, pois torna mais difícil uma mudança rápida de blend para Arábicas. Apesar que, também conversando com torradores locais, mesmo com os preços nos níveis atuais, não me pareceram extremamente preocupados com margens.
Lá fora, pelos relatórios das torrefações listadas, os resultados continuam bons. Ou seja, não está ruim para os produtores, e parece não estar ruim para as torrefações… desta vez é a turma que fica no meio que está em dificuldades.
No macro, poucas novidades de impacto na semana. As declarações do FED americano continua indicando mudança na taxa de juros somente para o segundo semestre, enquanto que por aqui o BC reduziu a taxa básica em mais 50 pontos. O spread de juros se fecha um pouco mais, o que deve manter o Real sob pressão.
A notícia sobre o recorde de receita histórico no mês de Fevereiro, pode ser visto como um ótimo respiro para a área econômica continuar na luta para manter o déficit fiscal dentro do que o mercado aposta, porém é importante frisar que os números estão muito mais ligados ao aumento de arrecadação via novas taxações, do que basicamente uma sensível melhoria da economia. Ou seja, estamos apertando mais e mais a arrecadação via impostos, e gastando cada vez mais e mais.
O nível de poupança interna está em níveis muito baixos, e os investimentos em infra-estrutura patinando.
Para o produtor, olhando o seu faturamento em Reais, não acho que o câmbio, tanto por fatores externos como internos, será um problema no curto e médio prazo.
Em outras notícias de interesse no mercado, a Cooxupé, maior cooperativa de café mundo, indicou que deve ter um recebimento um pouco acima de 7% maior nesta safra que vai se iniciar. Os números ficam em linha de muitas estimativas, que indicam safra de 5 a 10% maior em comparação com a safra que está se encerrando.
A gigante global de setor de commodities LDC (Louis Dreyfus) em seu relatório de 2023, indica um faturamento líquido de 50 bilhões de dólares, e um resultado EBITDA de 2,2 bilhões de dólares. Um resultado positivo importante, mas mostra a todos como as gigantes do setor necessitam um volume de caixa altíssimo para gerar resultados.
Alguns amigos produtores ainda com café remanescentes, e já preparando a nova colheita, parecem preocupados com uma possível derrocada do mercado com o início da colheita Brasil.
Bom… tudo é possível, porém se olharmos as condições de mercado atuais, talvez seja pouco provável. Os estoques continuam sem muito espaço para aguentar qualquer nova intempérie climática (e temos ainda o invernos Brasil pela frente). Não vi ainda nem relatório que mostra um possível superávit de mais de 10 milhões de sacas no próxima ciclo de safras.
Qualquer número abaixo disto fica dentro, absolutamente aberto para variações que não permitem fixar uma posição maior vendida.
O que pode mudar esta equação é passarmos por um inverno Brasil sem problemas, e termos uma florada muito positiva. Aí podemos ter uma mudança mais forte nos números de um possível superávit, mas ainda para 25/26.
Do lado do macro, todas as tendências são para queda de juros globalmente. O porto seguro começa a ficar menos rentável. A busca de rentabilidade em mercados mais voláteis vai aumentar. Neste cenário, no momento não vejo porque os Fundos detonarem sua posição comprada em café. Tudo é muito dinâmico hoje em dia. Mas por enquanto… obrigado Conilon!
Boa semana a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.