O mercado em NY fechou esta sexta-feira em 209,60 centavos base Julho, contra um fechamento sexta-feira retrasada de 201,15 centavos.
Os estoques certificados base dia 16, subiram para 750 mil sacas, com basicamente metade de cafés do Brasil. Um fechamento muito bom tecnicamente na sexta-feira, com o mercado fechando acima da resistência em torno de 204 centavos, quebrando o triângulo formado entre 194 e 204 centavos.
Mercado chegou a flertar em testar os níveis mais baixos. A arbitragem com Londres abriu mais um pouquinho chegando aos 47 centavos, indicando que a pressão começa a ficar para o lado do Arábica.

O mercado continua invertido, com o primeiro mês quase 2 centavos acima do segundo. Ainda percebe a situação de estoques, longe de estar com alguma folga.
Base dia 14, a posição especulativa em NY caiu mais um pouco sob o último report (líquidas 39 x 43 mil lotes).
Com o mercado basicamente de lado até ontem, as posições compradas devem mostrar um novo aumento. Importante notar que o volume não foi lá exceptional nesta sexta-feira (35 mil lotes), o que mostra que pegou um vácuo de vendas…

Sinceramente, no macro não observei nada que tenha sido um grande catalizador do retorno dos Fundos. Mercado em geral foi calmo, inclusive sexta-feira o índice Dow Jones da Bolsa de valores de NY fechou pela primeira vez acima dos 40 mil pontos. Começa a fatorar pelo menos um corte dos juros por lá em Setembro… Bolsa mais forte, Dólar um pouco mais fraco. A gente já sabe… tudo muda mais rápido que o vento na macro, porém se a calmaria continuar, poderemos ver o Dólar testar o nível de $5 Reias de novo.

Notícias da China indicam uma produção industrial acima do esperado (6,7% & 4,5% em Março), o que deu um bom suporte para Metais principalmente (apesar da imposição de novas tarifas de importação pelos EUA à importações chinesas – produtos valendo cerca de $18 bilhões de dólares).

Por aqui me emocionei ao ver a entrevista do “trader chefe“ do nosso governo, o ministro Rui Costa, indicando em uma entrevista que a Petrobras não perdeu US$40 bilhões desde a saída de Jean Prates do cargo de CEO. Segundo Costa, só perderíamos se a posição fosse realizada! Tenho certeza que todos os minoritários dormiram muito mais felizes e tranquilos (fico imaginando onde o governo contabiliza esta perda… virtual é claro).
Com essa queda, a Petrobras deixou de ser uma das maiores petrolíferas do mundo, sem contar que a nova CEO tem todos os ingredientes de empurrar ainda mais para baixo.

Outra entrevista bastante encorajadora, foi de Gabriel Galipolo (membro co comitê de política monetáriado BC), cotado para ser o próximo Presidente do BC. Quando questionado do porque votou pelo corte de 0,5% e não 0,25% nos juros na ultima reunião do BC… “ia votar no 0,25%, mas não quis ir contra o viés que já havia indicado ao mercado” (ou seja… não quero deixar o chefe irritado e perder a boquinha).

Temos hoje várias projeções indicando um PIB acima de 2% (alguns chegando a 2,7%) e ainda (quem diria) a resiliência de Haddad para uma política fiscal sensata. Já o Agro bateu novo recorde de exportacao em Abril, com um total de $14,6 bilhões de dólares. No ano estão em mais de $52 bilhões de dólares. Porém, olhando todo o contexto, infelizmente, se a história serve para alguma coisa, $5 reais para 1 dólar, serve de compra! Não acho que os valores de café para os produtores vão sofrer por causa do Dólar.

A realidade pessoal, é que hoje observamos um cenário muito pouco favorável a uma queda acentuada da inflação para níveis pré pandemia. Não digo somente Brasil, mas em termos globais mesmo.

Alguns pontos de atenção:
● Aumento maior dos subsídios internos. Só EUA e EEUU subsidiaram suas indústrias de semi condutores em 81 bilhões de dólares. Não preciso nem falar dos subsídios agrícolas…;
● Aumento dos gastos no setor militar. No ano passado quase 2,4 trilhões de dólares (o maior aumento desde 2009);
● Aumento de taxações de importações. Vide EUA & China, EEUU & Mercosul;
● Aumento de nearshoring, mesmo a custos mais altos x importações;
● Maiores custos logísticos;
● Restrições maiores aos fluxos de imigração (um fator importante na média salarial americana);
● Uma política fiscal que não conversa com a política monetária (Brasil…). Mantemos o PIB e aumentamos a meta de inflação, ou diminuimos o PIB em ano eleitoral?? E se os juros lá fora não cairem?? Como fica o spread para os juros internos e o risco de fuga da dólares??

Não tenho nenhum gráfico que mostre uma correlação direta entre café bica & inflação (mesmo lá fora não achei), mas para o produtor, importante manter suas atenções não somente nos preços, mas também na sua paridade de compras. Não adianta o preço em reais subir, mas a inflação para o produtor subir ainda mais.

Do lado dos fundamentos, também nenhuma novidade.

Globo:
● Chuvas no Vietnam: nos primeiros dias de Maio choveu quase 200 mm. Ok, não é o suficiente para cobrir o déficit hídrico histórico acumulado, mas dizer que 200 mm é pouca chuva??;
● A exportação do Vietnam em Abril ficou em 2,5 milhões de sacas, abaixo dos 2,9 milhões esperados. O total acumulado nos primeiros 7 meses desta safra está em cerca de 1% abaixo dos totais da safra anterior que foi de 18,4 milhões de sacas.
● USDA liberou alguns relatórios… também nenhuma surpresa. Indonésia voltando ao patamar de produção normal (cerca de 11 milhões de sacas). América Central com México, alguns países sobem um pouco outros caem um pouco. Porém pessoal, sabemos que não é de América Central e…entre nós… nem de Colômbia que virão os crescimentos para suprir o mercado de café nos anos futuros.

Brasil:
● Tanto Safras & Mercado como o Itaú emitiram novo report mantendo a produção perto dos 70 milhões de sacas para a safra que se inicia. Considerando o fato de que o Brasil necessita exportar cerca de 45 milhões de sacas, no mínimo, para manter a situação atual de estoques (sim… manter!), continuo com o pensamento de que não existe espaço para erros (considerando consumo interno em 22 milhões);
● Brasil exportou 4,2 milhões de sacas em Abril. É o mínimo daqui para frente o mercado vai pedir.
● Voltando ao ponto que a empresa RR Consultoria Rural, referência no segmento de assistência técnica, com quase 30 mil hectares sob orientação em quase todas as áreas de Arábica, indicou que a produção deste ano, nas áreas sob sua orientação, será igual ou menor que a safra passada, e que as primeiras notícias indicam números preocupantes na renda (conversão “in natura” & grão beneficiado), que acredito ser o grande fator a ser observado agora. Ok, concordo!… a criança nasce com 9 meses, mas estamos quase entrando em Junho.
Resta decifrar agora, qual foi o tamanho da safra passada, depois de tamanha exportação…

O que o USDA vai dizer sobre o Brasil vai ser bem interessante. E talvez uma grande oportunidade…
Do lado da demanda, também tudo se mantendo, porém gostaria de aqui mencionar alguns dados da China, cujo crescimento no consumo (junto com outros países do Oriente Médio e Ásia) pode continuar se tornando uma realidade cada vez mais presente.

Segundo alguns relatórios, as atuais dificuldades chinesas de manter um crescimento robusto, que vem trazendo um aumento no desemprego dos jovens, queda da valorização imobiliária (o mais importante senso de poupança para o chinês), e uma grande capacidade ociosa nas fábricas, vem trazendo um nível de ansiedade maior principalmente para a população jovem. Eles começam a enxergar o café como o estimulante para encarar a batalha do dia a dia.
Os preços bem competitivos da Luckin e Cotti, tem sido um importante fator para manter e aumentar o hábito.
Em Shangai, o centro financeiro do país, onde se concentra cerca de 20% do consumo (e subindo), devemos já este ano passar dos 10 mil pontos de venda.
Também temos observado um descompasso do preço do Ouro x Dólar. De onde vem o descompasso e o aumento forte do Ouro? Da China!
Desiludidos com o mercado interno (imobiliário e ações), o chinês médio se tornou um grande investidor em Ouro. O consumo de Ouro este ano já aumentou 6% em comparação ao ano passado, que já havia aumentado em 9%.
A plataforma de venda de Ouro na Alibabá é uma das mais navegadas. Os chineses compram em gramas mesmo, Os minúsculos grãos vinham em cinco formatos, incluindo um que se assemelhava a um amendoim e outro a um caqui. Pagando US$ 87 (R$ 440) por grão, uma pessoa poderia entrar no boom do Ouro pelo preço de uma refeição de panela quente.

Outro mercado que cresce muito são os novos Fundos de Ouro, porém o maior comparador continua sendo o Banco Central Chinês. No ano passado comprou mais Ouro do que qualquer outro Banco Central do mundo, aumentando mais em suas reservas do que em 50 anos. Com isto vem reduzindo sua participação em Notas do Tesouro Americano, caindo de $1,1 trilhao de dólares para 775 bilhões. As compras de Ouro aceleraram após os EUA congelarem as reservas russas no exterior.
O BC Chinês tem usado uma cesta de outras moedas junto com o Rinmbi para as compras de Ouro, diminuindo assim sua exposição ao Dólar. Segundo relatório do BC Chinês as compras vao continuar. O Ouro ainda representa menos que 5% das reservas cambiais da China… Um hedge para o assunto Taiwan?? Com qualquer resultado da eleição americana essa tensão não vai sumir tão cedo… Que bebam mais café!!!!!

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.