O mercado de café encerrou esta sexta-feira em 218,25 centavos contra um fechamento sexta-feira retrasada em 209,60 centavos, base Julho.
Tecnicamente o mercado segurou no suporte por volta de 214 centavos, mas não teve força para furar os 225 e depois os 232 centavos, onde novas compras técnicas deveriam ser geradas.
Até o dia 14 de Maio o mercado tinha diminuído sua posição comprada em cerca de 8%, e em Londres tinha sido um pouco mais. Com certeza veremos os números de posições compradas subirem no próximo relatório.

No macro, poucas novidades na semana. Como vínhamos comentando, o mercado começa realmente a precificar os juros básicos por aqui perto da faixa dos 10% para o final do ano, com o possível corte do juros americanos ser bem menor do que o previsto.
Sabemos que isto vai e vem com cada notícia nova, porém já é um indicativo que juros de custeio e juros de ACC não vão aliviar tão cedo.
O PT não aprende e acho que nunca vai aprender. Sem ajustes nas contas públicas, não existe redução de juros. E a relação divida/PIB continua a subir.

As maiores noticias nos fundamentos continuam surgindo de Vietnam e Brasil. O USDA emitiu relatórios de vários países produtores nas últimas duas semanas, e quando somamos tudo, nenhuma grande supresa. No geral, pouco muda no quadro de oferta e procura.
Uma importante empresa divulgou que a safra do Vietnam foi impactada de forma que, mesmo com o retorno das chuvas, difícilmente passaremos dos 24 milhões de sacas. Já são aí uns 2 a 3 milhões a menos do que outros números, inclusive USDA até o momento.
Foi o suficiente para gerar novas compras de Fundos, e mantendo a arbitragem perto dos 40 centavos, puxou NY para um tentativa nos 225 centavos na quarta-feira.

Importante agora, é realmente acompanhar o volume de exportações do Vietnam, de agora até o início da próxima safra (final de Novembro).

Por aqui, continuam só comentários sobre a quebra de renda. Temos aí cerca de 15% da safra colhida no Arábica. Um pouco cedo para conclusões desastrosas, porém com a turma do seminário rodando por aí, com certeza pessoal não perdeu a chance de jogar lenha na fogueira.
Em conversas com alguns Armazéns Gerais, que são exclusivamente prestadores de serviços, os operadores indicam que a média de peneiras altas realmente está aquém do comum para esta época de início de colheita (apesar também de indicarem que o volume de café novo que chegou para processo ainda é muito baixo).

A CONAB também emitiu novo relatório, estimando a safra em 58,81 milhões de sacas, 6,8% acima da safra que se encerrou.
Arábica com 42,1 milhoes de sacas, e produtividade média de 27,7 sacas/ha. Conilon com 16,7 milhões de sacas e produtividade média de 43,6 sacas/ha.
As médias não parecem tão fora, mas a área deixa espaço para debate (Conilon redução de 1% na area??). Todos já sabem que os números da CONAB estão abaixo da mediana de estimativas que temos até agora (normal…todo ano é assim).
Uma maneira de olharmos seria verificar a mediana de desvio da CONAB da mediana do mercado, ou até do USDA que costuma ser o guia de muitos Fundos e torrefações.

Observei dados bem interessantes em um grupo de amigos que falam sobre café no WhatsApp, que a diferença média nos últimos 9 anos entre CONAB e USDA são de 8,3 milhões de sacas. Seria então 58,8 + 8??

Os estoques europeus tiveram um leve incremento (também nenhuma grande supresa com os volumes globais sendo exportados) para 425 mil sacas base 30 de Abril. Os estoques certificados em NY estão em 765 mil sacas. Em Abril o Brasil voltou a exportar 4,2 milhões de sacas.

A cereja do bolo está sendo a chegada da primeira frente fria mais forte… para não deixar ninguém esquecer que o inverno Brasil está chegando. Quem quer ser agressivo na venda de NY agora??
Por outro lado, só para finalizar… Este mercado, já algumas vezes, ensaia formar as condições gráficas e fundamentais para buscar os níveis de 250 centavos novamente. Como já comentamos, as coberturas de preços feitas pelas grandes torrefações, incentivadas com a queda ano passado abaixo de 1,80 centavos e com custo “zero” (mercado invertido), estão se exaurindo. Observamos várias grandes torrefações anunciando que não tem mais como fugir de aumentar os preços, e isto em um cenário inflacionário. A maré virou para quem está na ponta de lá… Aumento os preços e asseguro rentabilidade?? Ou seguro os preços e mantenho market share??
Se a questão já começa incomodar bastante nestes níveis, como ficará se o mercado correr para cima novamente. Se os Fundos acharem que o Brasil vai ter X% a menor na safra por causa da renda, podemos muito bem ver isto ocorrer. Quanto realmente que a demanda vai estopar nestes níveis? acima dos 250 centavos, ou acima??
Pessoal, o mercado sempre é soberano, e se auto regula… não sei qual o ponto de equilíbrio do mercado, e apesar de café ser um produto muito inelástico, também faz tempo que não vemos uma situação inflacionária tão forte lá fora.
Do que é esperado de Brasil e de Vietnam, contra o que se começa a formar, podemos estar falando de 8 milhões de sacas a menos em um situação de estoques já bem enxuta. O mercado tende a subir com este deficit, porém não quero ser engenheiro de obra pronta…uma boa estratégia com a famosa “escadinha“ de vendas continua sendo uma boa escolha! Vai que a próxima florada…

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.