O mercado fechou esta sexta-feira em 226,80 centavos, contra sexta-feira retrasada em 225 centavos.
Novamente o mercado esboçou uma puxada aos 240 centavos, porém nem NY resiste aos desmandos do Real.
Apesar de uma decertificacao mais alta esta semana, os estoques certificados continuam com tendência lenta de recuperação.
Os Fundos continuam com suas posições compradas, e nada mudou no cenário de fundamentos ou de macro economia esta semana, que indicasse uma reversão de posição.
A arbitragem NY & Londres voltou a subir um pouco acima dos 40 centavos, talvez já começando espelhar uma maior preocupação com o Arábica.
Nada mudou no Vietnam, originação difícil, preços altos. O último relatório dos estoques no Japão, também sem nenhuma mudança significativa no mês a mês.
No macro, os últimos dados econômicos dos USA não mostraram surpresas, principalmente os índices de preços gastos com consumo, que veio exatamente dentro do esperado e mostra uma estabilidade inflacionária.
O índice ainda não mostra uma curva de queda ao objetivo do FED de 2%, porém reacende mais forte a possibilidade de uma redução de pelo menos 0,25 pontos na taxa básica de juros em Agosto ou Setembro.
O leilão das notas do tesouro de $44 bilhões de dólares esta semana teve uma boa demanda, o que derrubou as taxas oferecidas.
O debate entre os candidatos a presidência por lá, que foi realizado nesta última quinta-feira, foi um verdadeiro show de horror. De um lado um candidato que começa a mostrar o peso da idade, e de outro um candidato que parece acreditar nas próprias mentiras. Ambos, em suas gestões, aumentaram significativamente o déficit primário. Ou seja, sem querer ser repetitivo… olhando de um prisma global, o Dólar em uma curva de longo prazo, tem uma tendência de se desvalorizar (teoricamente sabemos das tensões geopolíticas, etc, etc) com uma possível queda das taxas de juros e o déficit interno ainda sem uma solução. Inclusive, várias moedas emergentes tiveram uma certa valorização esta semana… com uma excessão…
O que acontece com a gente? Mesmo com o legado pós Dilma, a puxada do tapete do Joesley, COVID, etc, etc… temos hoje uma inflação relativamente controlada, índices de empregos razoavelmente bons, consumo subindo, balança externa controlada,< entre outros fatores que não são de uma economia exatamente em crise.
Nosso problema nao é a foto… nosso problema é que o mercado já pode enxergar o final do filme. Por este motivo que o Real se desvaloriza.
Porque o mercado enxerga que estamos seguindo em um caminho de:
● Índices de investimentos fraquíssimos chegando a apenas 15% do PIB;
● Indústria que não cresce a anos;
● Um sistema jurídico que emite zero confiança;
● O crescimento do crime organizado na esfera pública;
● Carga tributária de primeiríssimo mundo;
● Serviços de saúde e educação de terceiro mundo (em média);
● E um rombo nas contas públicas, que em Maio que bateu o recorde de 27 anos… e por ai afora.
O problema da valorização do Dólar é basicamente um problema interno de absoluta falta de confiança na liderança do país. O que no momento ajuda ao produtor em remuneração em Reais… logo vai chegar a conta em termos dos custos de insumos e outros impactos inflacionários e de segurança jurídica e segurança pública.
Quando venho falando com vocês a meses, que não vale a pena apostar contra o Dólar, não é uma aposta contra o país, é uma constatação que a liderança atual segue na direção errada, e que no fim todos pagamos a conta.
Nos fundamentos, segundo relatórios, a colheita Brasil chega perto dos 50%.
Começam a surgir as primeiras revisões reduzindo as estimativas da safra brasileira.
Somente relembrando… estimativas de mercado & USDA… se o mercado estiver certo os 7 milhões de sacas de superávit global vão para o vinagre. Essa é a realidade!
Do lado da demanda, um relatório vindo da Europa mostra que o mercado de cafeterias cresceu 3,3% em 2024 até o momento, apesar das dificuldades econômicas do bloco. Anualizado o resultado ainda é melhor, chegando a 4% de crescimento.
Consumidores indicam que as cadeias de sucesso possuem qualidade no atendimento, qualidade e preços compatíveis dos produtos e foco em consistência na qualidade oferecida.
No fundo não são requisitos muito diferentes do que os que fizeram a rede Starbucks nos USA ter uma redução significativa no tráfego de lojas e vendas no último trimestre.
Atendimento e a percepção de custo & benefício.
Algumas redes continuam afirmando que o ponto de equilíbrio entre serviços e qualidade & preço da matéria prima está perto do limite.
A maior marca americana, a Smuckers, voltou a anunciar aumento de preço chegando. A gôndola é mais sensível. Não tenho visto estudos atualizados, mas após a última geada, alguns estudos indicavam que o mercado (principalmente no lar e de cafeterias) conseguiria absorver uma alta forte (acima de 250 centavos), sem uma grande retração de consumo. Agora… pós inflação… não posso afirmar se a conta seria a mesma. Muito, muito difícil quantificar globalmente a que nível de preços em Londres e NY o consumo estola no 0% de crescimento (Considerando todos os canais de vendas e a inelasticidade do café em todas suas formas de consumo). Mas já estamos trafegando alguns meses entre 200-240 centavos no Arábica, e até agora não observei nenhum relatório indicando queda de consumo.
Pessoal, a tendência é positiva. Embarques e estoques devem ser observados!! E o impacto nos diferenciais.
Mercado subindo e os diferenciais não abrindo, começa sempre ser um indicativo de dificuldade na originação (vide Vietnam).
Mais relatórios de empresas cortando a safra brasileira também colocará muito mais questionamento nos números do USDA… falar que a safra quebrou e continuar a embarcar 4+ milhões todo mes não adianta muito, porém não podemos esquecer que café é uma commodity com todos os fatores de volatilidade e incertezas. Nada é liquido e certo (principalmente o que pode sair da próxima florada).
Os resultado atuais não devem ser desprezados na estratégia de negociação de cafés da propriedade, desta e da próxima safra.
Boa semana a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.