O mercado fechou sexta-feira em 238,20 centavos base Setembro contra sexta-feira retrasada em 248,75 centavos. Uma continuação de realização ainda é bem possível até níveis de 230/232 centavos.
Se olharmos todos os fundamentos, é apenas um pausa, e a retração do mercado perto dos 250 centavos tem um pouco de tomada de lucro, mas também teve forte influência do macro no decorrer da semana.
Os Fundos continuam a manter uma posição bastante saudável na ponta comprada. Os diferenciais Brasil só não apertaram mais por causa do Dólar, e os estoques certificados tiveram pequeno acréscimo.
No macro, observamos uma certa corrida para o “Porto Seguro“ Dólar após o atentado contra o ex Presidente Trump nos EUA.
Aliado ao atentado, novos dados mostram um aumento de procura por seguro desemprego acima do esperado, o que é mais uma notícia que mostra uma desacelaração módica da economia americana. Isto deu novo impulso a Bolsa de lá, que varou os 40 mil pontos, atingindo até 41 mil pontos, antes de retrair quinta e sexta-feira com certa liquidação das techs.
Em geral, o cenário estaria mostrando um cenário benigno para a inflação e consequentemente um provável corte nas taxas de juros, porém não é uma visão ainda cristalina.
A nomeação de J.D. Vance como vice na chapa de Trump, reforça a corrente dentro do Partido Republicano que defende o isolacionismo, corte de impostos, aumento de tarifas de importação generalizada, e desvalorização do Dólar para impulsionar as exportações, sem um programa definido de redução do índividamento interno.
Uma coisa é retórica de campanha… outra é a realidade na hora de governar. Mas deixa todos em compasso de espera.
A última pesquisa a sair nesta sexta-feira, mostra Trump 5% à frente de Biden (3 à 7% corrigindo para a margem de erro), mas quem pensa que a eleição esta ganha, eu aconselho cuidado. Muita água ainda vai passar debaixo desta ponte, inclusive agora com a desistência do presidente Biden, de concorrerà reeleição. Acredito que o espaço ainda esteja aberto pra quem irá concorrer pelos Democratas.
Qualquer previsão de Dólar e juros no momento é pura adivinhação, mas caso Trump vença, poderemos muito bem ver volta de inflação e dólar mais fraco em 2025.
Por aqui, a jogadinha do corte de 25 bilhões, para depois voltar agora com 15 bilhões de contigenciamento, enganou muito pouca gente. Sabemos que não vai ser real.
O mercado em entrevistas mostrou que a iniciativa vai gerar algo aceitável em termos do percentual do teto gastos, porém as curvas futuras de DI e de risco Brasil dizem exatamente ao contrário. Você finge que faz… e eu fingo que acredito. Mesmo porque a sazonalidade de despesas e dos gastos primários são piores no segundo semestre em comparação ao primeiro.
As chances de vermos juros mais baixos em 2025 não é nada boa (ainda mais com uma possível vitória de Trump). Mesmo assim, a expectativa do mercado para 2025 é uma SELIC em 9,5%, e um IGPM em 3,90%. O PIB expectativa de 1,97%. A projeção do Dólar continua em R$5,20 para 2025.
Nos fundamentos, a colheita Brasil atinge quase 75%, segundo relatório Safras & Mercados. Uma média acelerada. A mesma consultoria também reduziu sua estimativa de safra Brasil em 4,3 milhões de sacas.
O Rabobank também reduziu o número de safra Brasil em 2,7 milhões de sacas. Ou seja, continuamos a ver empresas respeitadas reduzindo o número de safra Brasil. O superávit do USDA começa a sumir de maneira mais crível.
Os números de embarques do Vietnam continuam mostrando forte redução e, apesar de Julho voltarmos a ter uma condição chuvosa bem melhor que Junho por lá, isto pouco mexeu no volume ofertado no mercado bem como nos diferenciais do G-2 de exportação, mesmo com o recuo de Londres.
Relatórios desta última semana mostram um mercado de exportação um pouco mais calmo, com a entrada de preços da Indonésia um pouco mais competivos no spot. Poucos negócios de Novembro em diante, pois ainda existe a grande dúvida sobre a implementação ou não das restrições do mercado europeu. A arbitragem entre NY e Londres reduziu para quase 30 centavos mostrando a forte preocupação do mercado com a disponibilidade de Robusta… cuidado… o Vietnam de hoje pode ser o Brasil de amanhã… essa arbitragem pode não segurar muito tempo nestes níveis. Faz até sentido com os bons volumes de embarque Brasil em Junho e Julho.
À não ser que tenhamos alguma supresa em Agosto, a temporada de geadas está se encerrando, e agora o grande fator será a estiagem prolongada, turbinada por um inverno de temperaturas médias altas. Não existe o mínimo espaço para um problema na próxima florada Brasil. Os últimos números de safra, cada vez mais mostram que as quebras de Vietnam e Brasil acabam com os superávits que o mercado acreditava que teríamos durante este ciclo.
Minha opinião o produtor mecanizado, com boa produtividade e quebras médicas, fez muito bem em aproveitar este espaço de NY e Dólar e vender cafés de 1.200 a 1.500 Reais. Se a florada vier forte, 250 poderá muito bem ter sido o teto do mercado. Se tivermos qualquer problema que indique um número sequer médio para 25/26… veremos números mais altos com certeza e/ou uma volatilidade ainda mais forte, pois até agora nada indica que a demanda esta sendo seriamente afetada. Para o ciclo 25/26, mesmo com a recuperação do Vietnam, o Brasil vai necessitar exportar no mínimo os 45 milhões de sacas em média. Cada ciclo que a demanda aumenta 1% e no mínimo 2 milhões de sacas a mais que necessita sair dos países produtores. Se olharmos as estatísticas dos últimos 30 anos… de onde saiu sempre? Brasil e Vietnam.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.