COMENTÁRIO SEMANAL – CAFÉ
Joseph Reiner, 15/09/2024.
O mercado fechou sexta-feira em 259,45 centavos base Dezembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 236 centavos. O mercado descolou, foram 10 centavos somente na sexta-feira. Durante a semana observamos a volta da industria comprando. As férias de Agosto acabaram e a falta de chuva não deu outra opção a não ser apertar o botão.
Os certificados voltaram a subir um pouco, e Londres também ajudou bastante atingindo novas máximas com especulações sobre danos as lavouras com excesso de chuva no Vietnam (por enquanto nada de concreto). Mercado se sustentando nestes patamares, entramos em um novo território.
Apesar dos diferenciais no Vietnam terem se firmado um pouco durante a semana no FOB (+ 150 / X) no curto prazo, os valores no “mato“ não conseguem subir o mesmo ritmo. O mesmo está acontecendo no momento no Brasil, e podemos observar isto no spread NY & BMF.
Um bom amigo que trabalha na indústria lá fora, me disse que a gordura está no fim: “Vou tentar encaixar diferenciais mais agressivos agora para o primeiro semestre de 2025 e continuar aqui minha dança das chuvas”.
E comentou “não tenho dúvida que este período longo de estiagem com o forte calor causou um dano a próxima safra. Agora qual o percentual, e contra qual potencial, é muito cedo para qualquer um prever. Mesmo porque, ainda não choveu”.
Ele finalizou “acima destes valores é um território perigoso para a demanda, principalmente na gôndola. Se eu tiver que fixar meus preços nestes níveis, vou fazer apenas o necessário para curto prazo. Estatisticamente o mercado está acima da média, e poucas vezes ficou perto de 300 centavos por muito tempo. Fora isto, minha concorrência muito provavelmente não está muito diferente do que eu”.
No Vietnam observamos a queda nos embarques . Agosto foram embarcadas um pouco menos de 1,4 milhões de sacas. Queda de 7% m/m e 12,28% a/a . Os estoques locais continuam caindo mês/mes. No final de Agosto foram contabilizados em 2 milhões de sacas nos armazéns em HoChiMin e Daklak (interior). Uma queda de 29% a/a. Deste total 1,1 milhão de sacas estão em mãos de multinacionais.
Segundo fontes locais, a próxima safra se aproxima, e o número do USDA (29 milhões de sacas) não será atingindo, porém as mesmas fontes indicam por outro lado que ficará acima dos 24 milhões.
De qualquer forma, são 4 a 5 milhões a menos de uma situação de estoques que já era equilibrada em sem reservas.
O quanto temos que tirar do Brasil este ano (e o ano que vem) vai determinar o que já está fatorado no mercado.
Fato: preços muito acima da média corroem a demanda e incentiva outros países a plantarem. O Kenya já anunciou um grande aumento em incentivo a novos plantios, e Honduras um novo de incentivos a novos viveiros. E o velho ciclo agora com a pitada das mudanças climáticas.
A batalha para que a União Europeia adie o início da obrigatoriedade da rastreabilidade de não desmatamento em seu portal oficial a partir de 1° de Janeiro continua. Até o Chanceler Alemão já pediu o adiamento. Por enquanto a data se mantém, com todas as sua incertezas.
Do outro lado do Atlântico, a Keurig teve que negociar o pagamento de uma multa de 1,5 milhões de USD com o SEC (a CVM de lá), pois as declarações em seus relatórios ao mercado/acionistas indicavam que suas cápsulas tinham uma certa reciclabilidade, e na verdade, não tinham. Ou seja, todo cuidado é pouco com o “Greenwashing“ hoje em dia. As torneiras estão se apertando.
No cenário macro, a semana será de queda de juros no EUA, como também na zona do Euro.
Por aqui o COPOM ainda gera dúvidas sobre manutenção ou aumento do juros da taxa básica. Mesmo com a taxa local subindo, como comentamos semana passada, pouco deve mudar no fluxo de capitais.
A expectativa do próprio BC do Dólar em R$5,30 no final do ano seria uma normalidade, porém realmente o Brasil não é para iniciantes.
Agora vão confiscar o dinheiro dos cidadãos que por qualquer motivo esquecerem dinheiro em contas inativas.
Várias expectativas de arrecadação não estão se confirmando. E o gastos continuam a subir.
Enquanto não chover, não remem contra a tendência.
Boa semana a todos!
Joseph Reiner