O mercado fechou esta sexta-feira em 252,05 centavos base Dezembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 257,35 centavos.
Nada muito diferente do que poderíamos prever com a chegada das chuvas (irregulares ainda, porém com maior volume), e uma possível correção de NY.
A volatilidade vai continuar até a normalização das chuvas e florada, e após começamos o período de “adivinhação“ da safra 25/26 (que aliás já se iniciou). Continuamos em mercado de clima.
Em termos gerais, o Brasil embarcou quase 4,5 milhões de sacas em Setembro, e especialistas indicam quase 2 milhões de sacas em embarques atrasados. O mundo também embarcou mais a/a.
Especialistas também indicam que os estoques não estão subindo de acordo, o que pode significar um bom aumento do consumo. Pode ser… só lembrando que estatísticas de estoques são muito menos confiáveis que estatísticas de embarques. E logo logo, já estaremos com a nova safra do Vietnam entrando no mercado.
No macro, o governo Chinês ainda segura maiores informações sobre o novo pacote de estímulos fiscais. O principal motivo… esperar a eleição nos EUA.
O remédio pode ter que mudar, dependendo do tamanho da doença.
Do lado americano agora é a reta final para a eleição. Os últimos dados desta semana mostraram que o touro ainda não está domado. O índice de preços ao produtor subiu 0,2%, quando o esperado era 0,1%. Uma diferença pequena, mas ainda mostra uma inflação não totalmente sob controle.
Praticamente anula um possível novo corte de 50 pontos percentuais na Taxa de Juros em Novembro, que não ajuda muito em entradas de divisas no Brasil pelo spread de juros no momento.
As curvas de juros futuros no Brasil subiram bem essa semana, com a expectativa do BC subir novamente a taxa básica. Isso, aliado às incertezas do “pacotão“ Chinês colocaram um belo freio na Bolsa local.
Em termos de spread, se o BC elevar as taxas para acima de 12,5% poderemos ver um maior fluxo entrando no Brasil, porém não aumentem muito as expectativas. Um dos problemas é que continuamos a ser um país com mais direitos do que deveres:
● 12 dos 27 estados brasileiros têm mais gente recebendo bolsa família do que com carteira assinada;
● Esses beneficiários já doaram um total de R$650 mil para campanhas políticas;
● Esses beneficiários já destinaram mais de R$5 bilhões para as Bets;
● Ano que vem serão mais $13 bilhões de reais para o novo auxílio gás turbinado.
Continuando no tema de déficit fiscal, o déficit americano subiu para $1,8 trilhões de dólares a/a base setembro, para um total de $35,7 trilhões de dólares acumulados:
- Assistência hospitalar e custo remédios = $1,49 trilhões;
- Seguro social = $1,45 trilhões;
- Juros = $950 bilhões;
- Defesa = $826 bilhões;
- Departamento de veteranos de guerra = $325 bilhões;
- Departamento de educação = $267 bilhões;
● RECEITAS: - Impostos PJ = $529 bilhões;
- Desconto em folha pagamentos = $1,71 trilhões;
- IRPF = $2,43 trilhões;
- Outros = $255 bilhões.
Como podemos observar, os juros pagos na dívida está em $950 bilhões de dólares, maior que o orçamento de defesa. Ano que vem, todos os cortes de impostos que o governo Trump colocou em prática em 2017, vão expirar.
Nos últimos 20 anos, só cortes de impostos deixaram um déficit de $10 trilhões de dólares em receitas.
Não é só eleição para Presidente que conta! Quem tiver a maioria no congresso vai ditar o aumento de impostos ou não. Este é um tema que terá grande impacto no valor da moeda americana.
Internamente o governo procura baratear o crédito para linhas de consumo. O objetivo é usar ativos (móveis e imóveis), inclusive Previdência Privada como garantias para obtenção de empréstimos.
O spread de juros entre o que os bancos captam e o que emprestam gira em torno de 20% (a média Internacional é de 6%), e com estas e outras ações, o governo pretende reduzir para 10%.
O impacto no PIB, segundo as mesmas fontes governamentais, pode ser de 3% do PIB entre 3 anos.
Do lado da demanda, novo relatório sobre as cadeias de café nos EUA, indicam um crescimento nos últimos 12 meses, de 7% em valor, com um valor total de $54 bilhões de dólares mercado. As maiores cadeias continuam sendo STARBUCKS e DUNKIN.
Nos últimos doze meses um total de 2.062 novas lojas foram abertas no país. Mais de 500 diferentes marcas operam no país. A grande batalha do segmento é a manutenção dos valores em face a inflação de serviços e aluguéis, bem como do próprio café.
O preço médio de uma dose de cerca de 500 ml está em $3,52 dólares (o K Cup básico), enquanto os “lattes” já passam de 5 dólares. O mercado espera um crescimento composto de 3,7% para os próximos 5 anos, chegando à um total de quase 60 mil coffee shops, com um total de 72 bilhões de dólares em vendas.
Em geral ainda temos todas as incertezas da economia americana, mas ainda uma incerteza maior com a nossa, no médio e logo prazo. Ficar comprado (até via trocas para defensivos importados), parte em Dólar, pode ser um bom hedge defensivo.
Ainda temos um mercado de clima, mas não podemos esquecer que, se tivermos uma normalização de chuvas e floradas, os Fundos podem sair muito rapidamente de suas posições, pois tem em geral, médias muito boas nas compras. Eles já estão começando a realizar.
Os embarques precisam começar a refletir a quebra da safra atual em algum ponto no final do 4° trimestre, ou corremos o risco de ter uma liquidação maior em NY.
Para o produtor, ter uma parte (mesmo pequena – 25/30%) protegida contra alta de insumos e ter uma parte vendida para 2025 acima de $1.500 Reais, pode ser uma boa estratégia defensiva.
Se o Real se valorizar e/ou NY explodir para os 300 centavos, ainda ganha no maior percentual não realizado.
Agora… para quem acredita piamente que os embarques vão cair e refletir a quebra da safra atual, e que 25/26 já está muito comprometida… os dias de fortes ajustes na Bolsa continuam sendo oportunidades de compra.
Eu diria uma estratégia que trás certos riscos, porém muitas vezes o mercado premia os ousados!!
Boa semana a todos!
Joseph Reiner