COMENTÁRIO SEMANAL – CAFÉ
Joseph Reiner, em 20/10/2024.
O mercado fechou esta sexta-feira em 257,30 centavos base Dezembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada de 252,05 centavos.
Os estoques certificados deram uma leve recuperada para perto de 850 mil sacas, com quase 100.000 pendentes de classificação.
Tecnicamente o mercado continua mantendo firme o suporte em 250 centavos, mesmo com as notícias de regularização das chuvas pelas regiões cafeeiras. As informações ainda são conflitantes quanto ao volume durante a próxima semana, e certo desapontamento com os volumes das duas últimas semanas.
A estiagem foi muito longa, e mesmo com a normalização eventual das chuvas e florada, ainda haverá muitas dúvidas sobre “pagamento“, como também um quadro irregular de lavouras dificultando bastante as previsões para 25/26.
Os Fundos ainda mantêm uma posição significativa comprada em NY, mas não vamos esquecer que estamos em mercado de clima, e a normalização das chuvas pode trazer uma rápida liquidação.
Londres por outro lado, continuou a ceder terreno com a chegada da safra do Vietnam. A arbitragem Mar/Mar foi acima do 50 centavos, e aqui novamente podemos observar uma oportunidade, dependendo da visão da safra vietnamita.
Notícias do Vietnam indicam que a safra corrente basicamente se foi e a nova safra ainda está no pé (sim teremos algum atraso devido ao clima), porém a demanda para o último trimestre está muito calma.
Os preços internos vêm cedendo juntamente com Londres, e os diferenciais indicativos para o Grade 2 exportável vão de + 50 até +110/Janeiro dependendo do número de defeitos. Ou seja, o Conilon 5/6 continua valorizado e competitivo perante o mercado.
No macro, vamos falar um pouco mais da China… O último pacote fiscal/monetário lançado pelo governo ainda está gerando muitas dúvidas, porém o pacote é gigantesco e pode sim realinhar o ritmo da economia e investimento no país. O tamanho (ainda uma das dúvidas) vai ser de pelo menos $550 bilhões de dólares, voltados para devolver a confiança aos consumidores (um problema real) e as empresas em geral, além de investimentos em inovação e desenvolvimento tecnológico. A economia chinesa, que já chegou a ser 75% da economia americana, deve fechar em 62% em 2024.
O sucesso do “pacotão“ vai depender na efetividade e qualidade dos investimento em inovação e recuperação da confiança dos consumidores, mas o volume destinado mostra que o governo Chinês está levando a sério em atacar o movimento cíclico de baixa (principalmente o estouro da bolha imobiliária) e mudanças estruturais necessárias.
Mesmo com as tensões geopolíticas e regionais, a robustez da economia chinesa é importante fator para a recuperação do consumo, e consequentemente para mantermos a tendência do crescimento do consumo de café, local e regionalmente.
Por aqui, as notícias que a reunião dos principais Bancos do país com o Presidente Lula foi um sucesso, e que eles saíram muito satisfeitos e felizes, indica uma coisa: você não vai pagar juros mais baratos, porém o mercado financeiro hoje é mais diversificado e mais globalizado do que no Lula 1 e 2, e as desconfianças e críticas não vão desaparecer.
As novidades da semana foram, desde a taxação dos mais ricos, até retirar as Estatais do orçamento.
A inflação continua caminhando para os 5%, os juros básicos vão voltar a subir na próxima reunião do BC, e 2024 vai ser o recorde histórico de saída de divisas do país (até Setembro $52,5 bilhões de dólares haviam sido remetidos para fora do país).
O capital hoje é muito mais seletivo (spread de juros, tensões geopolíticas, etc, etc…) de onde escolhe como destino.
A eleição americana pode ainda trazer mais instabilidade na questão dos juros e aos alinhamentos geopolíticos. Como temos conversado, vamos entrar em período de risco para o Real.
Boa semana a todos!
Joseph Reiner