Essa semana me foi relatado em várias regiões do Brasil um volume maior de negócios, tanto para físico quanto para futuros 2026, produtores foram às vendas e realizaram negócios, já de olho na safra 2026.
Também tenho recebido as demandas de compradores para 2026, importadores se organizando para fechar contratos com embarques de agosto/26 até março/27. O Brasil tem um período no cenário de exportação global que é muito justo, pessoal organiza essas entregas nesses períodos e depois vão fazendo negócios pontuais conforme necessidades, qualidade e oportunidades do mercado.
Para safra 2025 somente negócios pontuais ou reposições tanto para produtores quanto para exportadores/importadores, a semana foi marcada por um mercado mais atento ao curto prazo e menos disposto a assumir posições grandes sem confirmação dos próximos passos para finalizar o estoque remanescente. Depois da semana passada que teve uma alta de 3.300 pontos, a Bolsa voltou e entrou em um momento de digestão das informações recentes, com compradores e vendedores avaliando com mais cuidado risco, fluxo e necessidade imediata, o ritmo está lento.
O ano começou muito bem de chuvas nas regiões cafeeiras, lavouras carregadas e um 2026 muito promissor em volume e qualidade, todos de olho na próxima safra para preencherem seus livros de compra e venda para 2026.
No Arábica, o contrato de Março segue sendo a principal referência do mercado e encerrou a semana em 355,30 c/lb, após ter trabalhado entre 363 e 350 c/lb. O movimento mostra um mercado ainda firme, mas com dificuldade de avançar sem novas notícias.
Nas próximas semanas, deve haver um grande movimento de rolagem ou liquidação, já que o contrato vence em 19 de fevereiro e ainda possui 71.170 contratos em aberto, o equivalente a aproximadamente 20 milhões de sacas.
No Robusta, Londres fechou a semana em exatos 4.000 USD/ton, refletindo um mercado mais técnico, com ajustes de posição e menor agressividade nas compras.
No câmbio, o dólar comercial teve papel importante na formação de preço interno, encerrou a sexta-feira em R$ 5,37 após oscilar ao longo da semana entre 5,42 e 5,34. A valorização do Real continua sendo um dos principais fatores influenciando diretamente na formação do preço da bica corrida.
Ainda falando em mercado físico, o ritmo de negócios segue seletivo, o produtor continua bem-posicionado, com café na mão e sem pressão imediata de venda, enquanto compradores avaliam necessidade real, qualidade e competitividade entre origens.
Nos diferenciais houve uma mudança significativa, se cruzarem os dados do CEPEA com KC, no arábica por exemplo, o preço da bica não subiu de setembro em diante, ficou oscilando numa faixa pequena e quando a bolsa caiu o preço da bica se manteve, conforme conseguimos ver no gráfico abaixo.
O diferencial da bica corrida livre ao produtor saiu de -78 em 15/dez para -47 em 15/jan, mostrando que, mesmo com a queda da Bolsa, o preço físico se sustentou. Esse movimento aumenta o risco para operações vendidas em diferencial a fixar, pois o movimento do diferencial pode gerar perdas relevantes para exportadores caso o físico não acompanhe o movimento da Bolsa.

Do lado do fluxo, os dados de exportação ajudam a entender melhor o momento, em dezembro de 2025 (apurado até 09/Jan/26), o Brasil exportou aproximadamente 3,13 milhões de sacas, levando o acumulado de 2025 para 40 milhões de sacas, esses números mostram que o fluxo segue ativo e dentro da média.
O que o produtor precisa observar agora é a combinação entre Bolsa, câmbio e fluxo físico. Um mercado invertido, com o curto prazo mais caro que os vencimentos futuros, indica demanda presente e necessidade de café agora, mas também sinaliza que o mercado não está disposto a pagar prêmio elevado por entrega mais longa, no futuro, com uma grande previsão de safra em 2026.
Para os próximos dias, o foco segue sendo:
• comportamento da Bolsa em relação aos suportes e resistências técnicas
• ritmo das exportações brasileiras de Janeiro a Junho de 2026
• variação do dólar e impacto na paridade
• evolução do clima nas principais regiões produtoras nesse período de granação
O mercado não trabalha com certezas absolutas, ele se move por necessidade, fluxo e percepção de risco. O produtor que acompanha esses sinais consegue tomar decisões mais conscientes, sem a pressão de acertar o topo, mas buscando consistência e proteção ao longo do ciclo da safra.
Semana após semana, o mercado vai dando pistas, cabe a cada produtor decidir como ler essas informações e como transformá-las em estratégia dentro da sua
própria realidade.
Boa semana,
Gustavo Matias
@matiascoffeetrading
*Não é recomendação de compra ou venda.
*Teremos curso de Precificação e Bolsa dia 28 de Janeiro, matricule-se pelo 16 99291-2005