O mercado de café segue lateralizado, com o Arábica ainda preso dentro do range desde fevereiro. Algumas tentativas de rompimento aconteceram nas últimas semanas, mas sem força suficiente para sustentar o movimento de alta.
Esse comportamento não é falta de informação, o mercado já conhece praticamente todas as variáveis relevantes.
A safra brasileira é grande, as revisões continuam elevando os números, o clima tem sido favorável, o café está bem formado e a colheita já começou em algumas regiões. Do lado do fluxo o curto prazo ainda mostra restrição de oferta disponível com diferenciais altos ainda.
De acordo com o CEPEA, o Arábica começou a semana em R$ 1.765,66 e encerrou em R$ 1.831,26, alta de 3,7%. O Robusta iniciou a semana em R$ 885,48 e terminou em R$ 955,12, alta de 7,8%.
O dólar recuou nas últimas semanas impactando diretamente o preço da saca no mercado interno. No macro as tensões geopolíticas continuam trazendo volatilidade, mas sem alterar de forma estrutural o cenário do café até aqui.
Ou seja, informação não falta e mesmo assim o preço não anda. Isso levanta uma pergunta simples, o que o mercado está esperando?
Se o mercado é movido por percepção então hoje ele convive com duas ao mesmo tempo.
De um lado a percepção de uma safra grande com números cada vez mais elevados e potencial produtivo forte. Do outro a percepção de um mercado ainda apertado no curto prazo, com fluxo físico restrito e oferta disponível sendo disputada. Enquanto essas duas leituras coexistirem o preço tende a ficar travado.
El Niño começa a aparecer no radar do mercado com modelos climáticos indicando possibilidade de formação no segundo semestre. Por enquanto isso ainda não é realidade no campo mas entra como mais uma variável de percepção em um cenário já dividido entre safra grande e aperto no curto prazo, a discussão climática adiciona um novo elemento de incerteza para frente mas não muda nada a safra 2026 que já está praticamente definida. Mas ficar atento que pode começar a influenciar o comportamento do mercado à medida que o tema ganha força para safra 2027.
Do ponto de vista gráfico o Arábica segue preso no mesmo range entre 277 e 300 c/lb, sem força para rompimento em nenhuma direção, refletindo um mercado em compressão e aguardando definição. Já o Robusta após um movimento mais pressionado nas últimas semanas, trabalha próximo de níveis importantes, testando a reação do mercado nesse patamar.
Ao mesmo tempo o número de contratos em aberto segue elevado, indicando que o mercado não está parado, está sendo construído. Posições seguem sendo montadas dos dois lados, à espera de um movimento mais claro. Esse tipo de comportamento costuma anteceder movimentos mais relevantes de preço.
O mercado hoje parece olhar mais para o curto prazo, ainda preso à restrição de oferta disponível enquanto a realidade da nova safra avança de forma consistente. O fluxo da safra nova já começa a aparecer nos diferenciais, que indicam uma normalização gradual.
Safra nova tem sido negociada diariamente com produtores e importadores no mundo todo.
Penso que o mercado não está sem direção mas sim dividido, o próximo movimento não depende de uma informação nova mas de qual dessas percepções vai prevalecer.
Até lá a lateralização deve continuar por falta de consenso, e é assim que o mercado funciona comprados e vendidos defendendo suas posições.
O rompimento virá quando uma dessas percepções perder força ou o mercado está tentando formar um novo ponto de equilíbrio no preço nesses níveis.
Boa semana,
Gustavo Matias
MCT | Matias Coffee Trading
Instagram: @matiascoffeetrading
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