O mercado nesta semana curta (feriado nos Estados Unidos na segunda-feira com as bolsas fechadas) voltou a ser foco muito mais de fatores “macro” em relação ao ressurgimento inflacionário nos Estados Unidos e as “lambanças” politicas internas (CPI , mudanças tributarias do Guedes, voto impresso e por aí afora).

 A nova desvalorização do Real durante a semana não muda a tendência de queda do dólar, com dados da melhoria da economia nacional, e um possível aumento dos juros básicos nos USA. Contudo, essa instabilidade sempre foi a regra e não a exceção durante anos na nossa politica, e isso não pode encobrir o fato de que com mais de 50% da safra nacional colhida ainda nao vemos a “pressão de safra” à nível de armazenamento.

Houve grande flexibilidade por parte dos exportadores no recebimento dos cafés futuros e o medo de um defaults (calote) em grande escala já não existe, o que é muito importante no sentido de manter ativa uma ferramenta que, em sendo bem usada, faz grande diferença no “cash flow” do produtor.

Os números exatos são muito difíceis de agregar, porém em média o mercado acredita que de 25-30% da safra estava comprometida com entregas futuras e que este café em grande parte já está vendido em forma de hedge e contratos físicos . Ou seja, os exportadores estão cientes da situação apertada , e muito provavelmente serão conservadores no sentido de venderem somente contra a reposição.

Temos números de safra entre 28-36 milhões de Arábica. Se 10 milhões já estão comprometidos em entregas futuras, e o mercado interno vai consumir pelo menos mais 8 milhões, quanto o Brasil vai poder exportar de Arábica por mês ate a próxima safra????

Nessa questão, o carry-over (estoque de passagem) passa a ser o grande fiel da balança, o que nunca conseguimos ser assertivos ao quantificar. As cooperativas com pouco estoque, mas armazéns de preparo (onde estão grande parte do estoque dos exportadores) ainda com grande quantidade.

No cenário externo ainda vivemos a lembrança do grande número exportado pelo Brasil na última safra, as costumeiras férias de verão no hemisfério norte, problemas logísticos (que estão levando à um maior consumo dos estoques nos países consumidores), queda nas exportação de Brasil e Colômbia sendo coberto por outras origens (pontual)… ou seja, ou a ficha não caiu totalmente no sentido do tamanho da safra brasileira, ou estão apostando em uma destruição de demanda caso os preços venham a subir para perto de 2 cts (uma aposta ousada, conhecendo a inelasticidade dos preços de café).

A partir de setembro este será um mercado ditado pelo produtor brasileiro. 

Que venha o mercado!

Joseph Junqueira de M. Reiner

Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no Gabinete do Ministro Blairo Maggi, e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.

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