O mercado fechou a semana num tom positivo (clima , dólar , etc). Nenhuma mudança drástica nos fundamentos tanto do café, como das incertezas da economia mundial. Tivemos uma pequena redução nos estoques americanos (GCA com redução de 0.6%), quando ciclicamente deveríamos ter um aumento… porém, com todos os atrasos de Colômbia e o contínuo problema logístico de containers, isto não se torna uma surpresa. O impacto de aumento dos custos de containers é significativo para os importadores.
Também muito positivo foram os números das exportações do Brasil para a safra 20/21. O Brasil fechou o ciclo 20/21 com um recorde nas exportações (45,6 milhões de sacas para ser mais exato). O numero é bastante positivo considerando que saímos de uma safra recorde num ano extremamente atípico de consumo por conta da pandemia, e não tivemos deterioração de preços para o produtor .
Segundo os órgãos oficiais, ao longo dos anos temos tido uma estabilidade e até redução da área plantada de café (EMBRAPA, CONAB e órgãos estaduais), também é inegável que temos tido melhora na produtividade, ganho em participação do mercado mundial, continuo acesso à financiamentos de R.O. (Recursos Obrigatórios), melhoria da qualidade (reconhecimento externo), e para fechar com chave de ouro este ano, o grande volume de cafés brasileiros aprovados pela bolsa de café de NY. Se houve uma estratégia coletiva, ela foi muito boa!
Os poucos que sabem como a bolsa (ou o dólar) vai se comportar semana que vem, não precisam de preocupar (eu infelizmente não sei, e infelizmente também a grande maioria de vocês também não), mas sabemos que :
- Produtores que são atentos aos custos (grande maioria no Brasil por natureza, são!) sabem que preço de café hoje acima de 850 reais é um bom negócio;
- Que na safra passada voltamos a deter quase 40% do mercado mundial com boa manutenção de margem;
- Que o consumo de café mundialmente (mesmo com a pandemia) se manteve em patamar positivo, e se voltarmos aos patamares de crescimento de consumo pré-pandemia, em 10 anos estaremos entre 190 a 200 milhões de sacas de consumo mundial. Nem vou ser tão ganancioso de querer subir a participação para 45 ou 50% (apesar que seria ótimo), mas se mantivermos os 40% para um consumo de 200 milhões… … … façam as contas vocês mesmos pra saber quanto o Brasil precisa produzir;
- Para tal, o Brasil necessita:
1 – Continuar com a estratégia coletiva de aumento de produtividade, qualidade, e contenção de custos;
2 – Dar segurança aos importadores/consumidores, de que o Brasil é um fornecedor sério e que a grande participação brasileira não é um risco ao mercado (isto inclui o cumprimento de contratos, inclusive as entregas futuras internas);
3 – Que o preço continue a impulsionar o consumo;
4 – Que o preço não incentive outras origens (sou solidário com produtores de outros países, mas eles não pagam minhas contas);
5 – E do Governo a manutenção dos R.O. (que boa parte já é de direito do setor via FUNCAFÉ) e uma politica ambiental mais inteligente e firme;
Cultivar café não é uma corrida de 100 metros. Cultivar café é uma maratona, onde a estratégia para o longo percurso é a chave!!
Uma ótima semana a todos!
Que venha o mercado!
Joseph Junqueira de M. Reiner *
* Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no Gabinete do Ministro Blairo Maggi, e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.
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