O mercado fechou sexta-feira em em 157,80 centavos base Setembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 161,35 centavos. Basicamente voltamos aonde estávamos duas semanas atrás. A estrutura do mercado continua achatada no Arábica e invertida no Robusta. Com os altos prêmios dos cafés do Vietnam e a redução nos estoques certificados, o mercado brasileiro se aproveitou bem e exportou um bom volume de Conilon em Julho (cerca de 500 mil sacas). Aliás, os embarques de Julho chegaram a quase 3 milhões de sacas, um aumento de cerca 20% frente mesmo período no ano passado.
O mercado na semana continuou basicamente nas operações técnicas, com os vencimentos de opções e o mercado trabalhando nas rolagens de posições do Setembro.
Com a contínua queda dos estoques certificados de Arábica e os diferencias ainda positivos para basicamente todas as origens, ninguém quer esperar muito tempo para rolar as vendas para Dezembro.
As chances do mercado voltar a carrego são muito pequenas. Os fundos aumentaram levemente suas posições vendidas e o volume geral de negócios se manteve estável.
Poucas novidades no macro esta semana. Os últimos dados de inflação nos USA foram dentro do esperado.
Os problemas na economia Chinesa continuam sendo foco de noticiários. Existem muitas duvidas sobre a capacidade do país manter o mesmo ritmo de crescimento, mesmo com os incentivos fiscais. A forte base de crescimento em grandes projetos e principalmente crescimento imobiliário encontra vários problemas, isto sem contar com êxodo de empresas estrangeiras. Não são boas notícias para os índices de commodities em geral a longo prazo.
Um dado interessante é a notícia sobre a queda das exportações Colombianas para os USA. A queda é de 20% em valor no primeiro semestre desta ano. Mas a principal questão na notícia, e de fontes amigas na Colômbia, é a queda de braço do governo esquerdistas de Petro contra o “establishment” da poderosa Federação com a nomeação do novo Presidente. Tempos difíceis para a cafeicultura Colombiana a frente…
A semana foi relativamente calma no mercado interno. Pouco volume relatado no interior. Continuam os relatos de um volume menor adentrando aos armazéns (principalmente cooperativas), e também alguns produtores amigos (sim, de confiança) relatando uma safra colhida menor do que o esperado . Porém, muitos comentam também que quando o café voltar a $1.000 reais… vai sair muito café do mato! Possível é…
Segundo a RR Consultoria, a safra chega à 80% colhida, mesmo com muitos produtores com nenhum café varrido.
Novamente esta semana observamos várias noticias sobre o tema sustentabilidade, e o controle da cadeia de suprimento para que a produção brasileira de café se adeque as novas exigências de rastreabilidade-desmatameto, principalmente do mercado comum Europeu. Não vou chover no molhado. Vocês todos tem acompanhado o tema, e também todas as dúvidas. Mas a gente sabe como isto acaba… o produtor acaba pagando a conta!
Os produtores/Cooperativas devem sim se engajar nas melhores práticas de sustentabilidade e cumprir com o rigoroso Código Florestal Brasileiro, mas temos que exigir que quem nos representa tenha pulso firme nas tratativas. Quem tem quase 35% da produção mundial não pode se curvar às exigências desproporcionais ao problema real de desmatamento gerado pela produção de café no Brasil.
Tecnicamente o mercado deveria ter segurado os 160 centavos. Exportamos 3 milhões em Julho… florada chegando…
Boa semana a todos e boa sorte aos Ucranianos!
Feliz dia dos Pais a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.