O mercado fechou sexta-feira em 153,15 centavos base Dezembro, com uma pequena melhora na semana, contra sexta-feira retrasada onde fechamos a 150 centavos.
O cambio ajudou, voltando abaixo dos R$4,90. Não houve muita novidade no front.
A colheita brasileira de Arábica esta chegando ao fim, e ainda precisamos de um par de meses para saber se a produção está mais para 37 ou 45 milhões de sacas de Arábica.

Os estoques certificados tanto em NY como Londres continuam caindo e, em NY na última checagem, não havia nada pendente para certificação. Ou seja, a bolsa continua a pior compradora, e o que está lá em termos qualitativos (comparando as mesmas qualidades) deveria ser uma ótima compra. Volta a pergunta, se a saída não deveria ser até mais rápida… ???

NY continua a ter um volume bem módico de contratos negociados em seus pregões e, apesar do mercado ter sustentado os 150 centavos na semana, ainda existe um amplo espaço para mais vendas de fundos.

Do ponto de vista dos fundamentos, também nada diferente dos fatores chaves que podem mover o mercado, que são exatamente: o ritmo de embarque do Brasil, florada Brasil, e o final da maturação no Vietnam.

Em leitura dos últimos relatórios da OIC, o mesmo indica um déficit de pouco mais de 7 milhões de sacas para o biênio 22/23. Os números de produção e demanda em si, não vou discutir porque cada um tem sua metodologia, porém o número de demanda está na faixa mais alta da média do mercado. O interessante foi a base de crescimento da demanda em 4,2% em 2021/22 e 1,7% em 22/23. Se a realidade for mais perto de 1 a 1,5%…

No macro, também uma semana de poucas novidades. O discurso do Presidente do FED não trouxe nenhuma grande novidade. O discurso da manutenção implacável das metas de inflação continua o mesmo. O núcleo inflacionário tem dado sinais de uma desaceleração, porém o mercado ainda enxerga bastante risco, principalmente no mercado de trabalho ainda aquecido.

Os juros das notas do tesouro ainda indicam as dúvidas do mercado.
● CHINA: pelo menos passamos a semana sem nenhuma bomba imobiliária, mas é uma economia hoje não tão robusta como antes.
● BRASIL: continuam as buscas para cobrir o rombo do caixa, principalmente de 2025 em diante. A conta não fecha, e desta vez não vamos conseguir surfar na economia de ninguém. Apesar de muitos comentários contrários (de economistas e Traders muito mais abalizados do que eu), apostar contra o dólar no médio/longo, prazo para suporte eventual dos preço em Reais, pode ser bem arriscado. Contar com quedas de juros acentuadas… idem.

Agosto, com raras exceções, sempre foi um mês de calmaria no trade, na demanda, final de colheita, férias no exterior de muitos players… Que os fundamentos melhorem para o produtor, porém repetindo que um posicionamento defensivo deve ser considerado pelos riscos atuais.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.