O mercado fechou sexta-feira em 159,15 centavos base Dezembro, contra o fechamento da semana passada em 148,65 centavos.
Uma semana positiva nas bolsas, com uma variação de mais de 10 centavos, e ainda quebrando algumas resistências ao longo do caminho.
A recompra veio quase de todos os lados, desde fundos até os comerciais. Todos reduzindo um pouco suas exposições.

Do ponto de vista de fundamentos, nenhuma grande novidade. O mercado acompanha de perto… de um lado a contínua redução dos estoques a níveis globais, e de outro o que ainda nos parece ser uma florada muito boa em desenvolvimento no Brasil. Só que entre uma coisa e outra temos de 9 à 10 meses aí pela frente.

Temos também problemas políticos e de produção na Colômbia, e uma distância de mais de 10 milhões de sacas entre os números mais altos e os mais baixos das estimativas de produção de Arábica no Brasil na safra corrente. Nada que, de certa forma, já não fosse conhecido pelo mercado, mas o mercado precisava de uma motivação para acionar algumas coberturas, que acabou vindo do cenário macro.

Tivemos principalmente na segunda metade da semana fatores que deram impulso ao mercado de commodities em geral. Um sensação de diminuição do risco.
Tirando o petróleo, o núcleo inflacionário nos USA continuam a mostrar uma pequena desaceleração, além das apostas de que o FED pode não mais aumentar os juros (apesar também das chances serem mínimas de cortes). Também da China algumas notícias positivas, com o governo novamente cortando os juros de curto prazo, e índices que mostram uma recuperação das vendas no varejo e um leve aumento na produção industrial (apesar que aqui também temos um mercado imobiliário com muitos problemas e ainda sem reação).

O motor da Europa, a Alemanha, também colocou em prática um pacote de medidas que diminuem os impostos para indústrias médias e pequenas. No Brasil, uma leve valorização do Real na semana também foi um fator de sustentação. No fundo também podemos dizer que nenhuma destas notícias por si são grandes novidades, porém olhando como um pacote global, deram uma sensação de diminuição de risco.
Como índices de commodities este ano ainda estão aquém dos índices de bolsas e renda fixa, porque não uma realocação de onde pode existir um potencial maior de ganho??

Como sempre destacamos, o macro muda semana a semana e junto ao apetite de risco do mercado. O humor pode mudar rápido com qualquer nova movimentação de aumento de risco.

Temos ai a florada Brasil e a finalização da formação da safra Vietnam. Temos os embarques do Brasil, principalmente no último trimestre que vão começar a mostrar quem estava com a razão nos números de safra de Arábica.
Ao produtor cabe entender friamente como aproveitar os momentos de maximizar seus resultados, tanto de curto como de longo prazo (vendas futuras). À não ser que surjam problemas com a florada Brasil e a safra Vietnam, o viés de médio/longo prazo ainda está negativo. O curto prazo pode trazer oportunidades. Ficar torcendo não é uma estratégia.

Entrou Setembro, e começamos o período de maior interesse em termos de demanda. Por enquanto, conversando com compradores e Traders, nada ainda de grande interesse. Europa e Japão com um pouco mais de movimento.
Para concluir, apenas um nota interessante que li esta semana: “A Comissão Europeia disse na quarta-feira, que as instituições financeiras não estão apoiando a nova lei de desmatamento da UE…”.
As ações que vem sendo tomadas no Brasil parecem estar indo no caminho certo, em que talvez até transformemos o limão em uma limonada (ganho de mercado).
Aos produtores, olho aberto com este tema!! Historicamente a gente sabe onde acaba estourando essa conta!

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.