SEMANA DECISIVA PARA FLORADA BRASIL


O mercado fechou sexta-feira em 151,15 centavos base Dezembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada de 159,15 centavos.

A semana até começou com sinais positivos do mercado baseado em fatores climáticos no Brasil com a forte onde de calor atingindo as regiões produtoras. Nenhuma surpresa que os fatores climáticos seriam fonte (e serão) de alta volatilidade durante o período de florada e de “pegamento” dos frutos, essa semana foi só o início.

Tecnicamente o mercado ainda não teve força para buscar níveis acima 162/163 e se manter, porém nas próximas duas semanas podemos ver esses níveis serem rompidos se conjunção calor x chuva for começar realmente ter algum impacto.
A semana terminou com o recuo do mercado em cima de uma pequena revisão da estimativa da safra Brasil para cima no Arábica e noticias de chuvas leves e esparsas em algumas regiões produtoras.

Houve pouca variação nos estoques certificados e, baseado nas posições de 19 de Setembro, os fundos haviam diminuído suas posições vendidas em cerca de 40%. No curto prazo os níveis de 147,50 centavos nos parece ser um fortíssimo suporte.

A consultoria Safras & Mercado reportou no seu ultimo relatório de colheita, que cerca de 50% da safra brasileira 23/24 já havia sido comercializada (cerca de 33 milhões de sacas). Índice muito perto da média anual para o período.
Observando os últimos números do CECAFE, sinceramente esperava um número mais forte de embarques em Setembro. Apesar dos números serem ainda do dia 19, o ritmo indica que ficaremos abaixo dos números de Agosto. A questão não é nem tanto que o saldo a comercializar indica um aperto, pois só vai ser mesmo um aperto se tivermos um problema com a florada.
Se uma ótima florada vingar o pior que pode acontecer é um mercado morro abaixo porém invertido. Convenhamos… para o torrador, com um mercado a 150 centavos e com diferenciais Brasil Arábica relativamente competitivos contra outras origens, seria de bom tom ter um volume de Brasil em Agosto, Setembro e Outubro e ter pelo menos o início do inverno em casa, e esperar o que acontece com a florada Brasil.
Qual seria o risco com a margem, se eles ainda têm na gôndola??

Esse número baixo de Setembro pode muito bem indicar a falta de apetite de pagar um pouco mais pelo diferencial Brasil e arrancar café do mato por aqui (e a gente sabe que acima dos $1.000 reais vai sair alguma coisa do mato sim!).

No macro nenhuma grande novidade. Lá fora, o FED manteve inalterada a taxa de juros nos USA, porém ainda mantendo um viés bem conservador de possíveis novos aumentos caso a resiliência da economia americana se mantenha.
O mercado começa a acreditar nesta possibilidade, ou pelo menos que a manutenção da taxa atual vai se estender por um bom tempo, pelas próprias taxas de retorno das notas do tesouro de lá lá.

Por aqui o BC cortou em 50 pontos a taxa básica de juros. O spread de juros entre lá e cá, cai com isto e, se ainda não é suficiente para uma corrida para a porta de saída, foi o suficiente para um enfraquecimento do Real, o que não ajudou muito o mercado no final da semana.
Spread de juros caindo, notas do tesouro americano remunerando bem, a aversão ao risco cai e o Real sofre.

O voto do marco temporal das terras indígenas também criou um novo foco de tensão para o Governo. O congresso reagiu, e a FPA Frente Parlamentar da Agropecuária) promete bloquear todas as pautas de votação até se votar uma PEC que desfaça a lambança da juizada. Mais um fator de tensão para o Real.

Segundo a RR Consultoria Rural, a semana pode ser decisiva para a florada. “Em muitas lavouras, ainda é esperado uma grande florada, após as chuvas que devem ocorrer nos próximos dias. O problema agora é o calor excessivo, que pode levar à escaldadura de botões por abrir, e prejudicar os que estão por vingar”, disse Moisés Alves, consultor do grupo.

Acabou a temporada das geadas, mas começamos a da florada. Até termos os reais impactos do que vai vir de calor x chuvas, no curto prazo o viés sai de negativo para neutro/positivo.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.