O mercado fechou sexta-feira em 160,95 centavos, base Dezembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada de 165,25 centavos, numa semana de realização de posições.
Com os fundos equalizando as posições para algo mais perto do “neutro“, não houve presença de novos compradores para continuar dando fôlego ao mercado.
Em um cenário de incertezas, gerado principalmente pelas guerras em andamento, a exposição a risco diminui. Segundo a opinião de um “operador” a ordem já era minimizar exposições em ativos de riscos, devido a situação muito volátil no Oriente Médio. O crescimento do PIB americano do 4⁰ trimestre em quase 5%, aumenta mais a tendência de um rebalanceamento maior para dólar e Notas do Tesouro, além da situação geopolítica para o Franco suíço, ouro e notas de tesouro de 1ª linha”.
Em termos do macro global, no curto prazo o cenário é de proteção. Se olhássemos somente a questão econômica de médio prazo, a possibilidade de uma redução econômica nos USA mais “tranquila“ (soft landing) e uma recuperação ligeira na Europa e China, estava se tornando algo mais plausível.
Uma política brasileira mais estável poderia levar a uma valorização do Real, porém já estamos observando o que já era esperado: uma reforma tributária descaracterizada, um ajuste fiscal que não vai se sustentar (até pela própria posição do Presidente em seu café da manhã com jornalistas), e o baixo preço de várias commmdities agrícolas pode não dar ao agro, fôlego suficiente para puxar toda a carroça. O Real vive dilemas!!
Todo ponto de vista do fundamento, nenhuma novidade na semana. Continuamos com “El Nino“, dúvidas no Vietnam, embarques Brasil no último trimestre do ano, entre outras.
Com as últimas chuvas nas regiões produtoras no Brasil, os riscos ao tamanho da próxima safra diminuem paulatinamente. A demanda de café aumentou nos últimos dias, e o mercado interno continua bem “travado“, com os produtores esperando melhores preços. Os diferencias de exportação apertaram um pouco e por enquanto o mercado resiste.
A dinâmica de quem está do outro lado não mudou muito… na gôndola os resultados continuam muito bons (é só observar os balanços de torradores que são listados em bolsa). Nas cafeterias, o café é o quinto ou sexto custo, atrás de mão de obra, aluguéis, leite, etc…
Os juros altos continuam ditando o tom do volume de estoques de grandes indústrias, e para as grandes tradings, não só os juros, como também zero de resultado no carrego, impede uma política mais agressiva nos diferenciais.
Não podemos deixar de atestar a relevância da queda nos estoques certificados (podendo cair para níveis baixos históricos), e a situação em geral de estoques baixos, principalmente após duas safras do Brasil abaixo de média. Porém, temos que balancear isto com os pontos citados acima, para podermos entender o que a nossa visão interna, que as vezes consideramos como óbvias, muitas vezes elas serão diametralmente opostas a quem está do outro lado da banca (que é o comprador final) e não por questões especulativas ou de manter propositalmente os preços baixos.
O que importa no final é a última linha do balanço, e como protegê-la!!
Qual o resultado da sua colheita até agora? E como proteger os resultados futuros??
Estar torcendo e rezando para que o mercado volte acima de R$1.000, é a melhor estratégia para proteger seus resultados presentes e futuros??
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.