O mercado fechou esta sexta-feira em 170,90 centavos, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 160,95 centavos.
Apesar da erosão dos estoques certificados, a sustentação do mercado, principalmente na sexta-feira veio mesmo do macro.

Dados da economia americana mostraram uma desaceleração, com um número de novas vagas de emprego abaixo do esperado em Outubro, e a mediana dos aumentos salariais também abaixo do esperado, sugerindo que a economia começa a perder fôlego (e também a inflação) o que sugere que o ciclo de aumentos de juros no momento está encerrado. Com isto o Dólar cedeu contra o Real, o que deu uma boa sustentação a Bolsa na sexta-feira, bem como a várias commodities.

Outra movimentação importante foi a declaração do Hezbollah, de que a escalada do conflito com Israel ainda depende dos eventos na Faixa de Gaza (o que muitos interpretaram como que o grupo não pretende um conflito aberto com Israel).

É realmente bem possivel que o FED não aumente mais os juros este ano, porém o último trimestre ainda pode trazer novos números de crescimento com a Black Friday e o Natal ainda por vir. O mesmo segue no Oriente Médio, a situação muda hora a hora. O novo apetite para voltar aos ativos de riscos com ambas as notícias pode durar pouco.

O vencimento das opções, bem como o possível início das rolagens de posições, podem junto com a corrosão do estoques certificados, ter dado também sustentações as compras, porém no fundo, nada mudou no cenário fundamental.

Conversando com um gestor de uma torrefação nos USA, do ponto de vista de risco ao negócio ele indicou que os estoques certificados podem até zerar, que na visão dele nada muda. Ele citou margens muito boas ainda no negócio, que podem absorver qualquer risco, que no momento ele nao vê. Segundo ele, Vietnam e Brasil seguem dentro da previsão. Esses cafés certificados, são cafés depreciados que mesmo tendo descontos contra Colombianos, Centrais e até Brasil já não estavam no nosso blend de qualquer maneira. É puramente uma análise de risco x beneficio… e o benefício financeiro de não carregar estoques é algo que não tínhamos a muito tempo.
Temos outras maneiras de manter um “delta“ de proteção (opções ????). Claro que o lado comprador nunca vai mostrar as cartas e muito menos é o dono da verdade, porém, se vocês se colocarem no lugar de um gestor de compras lá fora, estariam pensando como??

No lado da demanda, as últimas notícias parecem sustentar o pensamento comprador nos USA. As vendas na gôndola, de torrado e moído, caíram 5,6% , enquanto cápsulas 1,4% . Os preços subiram 9,3% até o final de setembro, em cima já de 12% nos 12 meses anteriores. Segundo a reportagem, apesar não termos estatísticas de PDV, existem fortes indícios que as vendas on line, principalmente de cápsulas, mantém um crescimento, bem como a venda por assinatura.
Os resultados nas vendas das cafeterias também parecem mostrar ainda bons resultados. A rede Starbucks anunciou resultados muito bons base Outubro. O resultado de vendas atingiu $9,4 bilhões de dólares, um crescimento de 11% neste trimestre, e para o final do ano nada deve mudar… e o resultado deve ser muito bom. Resultados puxados principalmente nos USA e na China, onde a rede continua a crescer. A excessão no momento é o Brasil, onde a rede descredenciou o master franqueado pelo não pagamento de royalties. O pedido de RJ ainda está todo embolado, e várias lojas tiveram que parar momentaneamente o atendimento por falta de pagamento de aluguéis e até de funcionários. Vamos ver como termina.

A expansão de consumo de cafes em cápsula, assinaturas e nas cafeterias não deve arrefecer no maior mercado global. O FED emitiu um relatório que a média do valor de todos os bens (incluso aqui imóveis com grande impacto) subiu de 749 mil dólares em 2019, para $1 milhão de dólares este ano. Claro que isto é uma média (famoso pé na geladeira e cabeça no fogão… na média, tudo ok), e que pode muito bem ter sido puxado por uma concentração ainda maior no bolso dos milionários.

O FED também fez uma analise usando a curva de Gauss, e asssim mesmo achou que a média de valor subiu quase 200 mil dólares. Ou seja, na verdade, a concentração de renda não aumentou, ao contrario. Hoje 16 milhões de famílias americanas tem $1 milhão de dólares em bens comparado com 9,8 milhões de famílias em 2019. Com certeza existe um universo de consumidores que sentem que seus bens tiveram um acréscimo acima de inflação. Não surpreende então o crescimento de consumo nos itens que oferecem uma percepção de qualidade… cápsulas, assinaturas, e uma paradinha no Starbucks.

Os embarques de Outubro devem fechar perto dos 4 milhões de sacas. As chuvas continuam dentro da normalidade até o momento. Vietnam ali na esquina. O resto é dia a dia, hora a hora.
Ainda não perdi minha falta de convicção no Real, ainda mais agora que a farra da gastança está liberada. Atentos aos preços em reais…

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.