O mercado fechou sexta-feira em 174,20 centavos, num movimento bem positivo frente sexta-feira retrasada quando o fechamento foi 170,90 centavos. Vale lembrar que o movimento forte ocorreu no Dezembro, com o mercado invertendo 4 centavos acima do Marco 24.
Na verdade, nada mudou dentro da semana. Com o final da farra da recertificação, estamos vendo a turma liquidar esses cafés velhos de Honduras. Rolar isto para o Março/24 então não é uma boa ideia com 4 centavos nas costas… então porque não puxar o Dezembrão e liquidar?

Para o exportador veio em boa hora, pelo muito bom movimento do físico durante o meio da semana. Os diferenciais devem ter encaixado (mas não acho o suficiente, nem em preço e nem em tempo para jogar contra a entrega de Dezembro).
Em geral, os assuntos e a volatilidade não mudaram: Clima Brasil, safra Vietnam, estoques certificados, juros que sobem ou não sobem nos USA e incertezas geopolíticas.

Na verdade, se você acha que os embarques vão diminuir e a próxima safra será apenas mediana, o que temos agora é somente uma escada técnica para testarmos novamente os 2 centavos.
Para quem acha que os embarques vão continuar em uma média adequada e a próxima safra é acima de média, o mercado está dando uma janela e uma oportunidade de fixação.
Pelo bom movimento do físico durante o meio da semana, …

Do ponto de vista da demanda, para quem não teve tempo de ler o último relatório da Nielsen sobre as tendências do mercado de café, o conteúdo corrobora o que temos lido sobre as tendências do mercado de café, principalmente nos USA.
● O consumo na prateleira caiu, mas não caiu para todos;
● Marcas que estão se adaptando a realidade inflacionária, com embalagens maiores e blends competitivos, estão ganhando espaço nas gôndolas pois estão atendendo cerca de 35% da população que hoje foca apenas em comprar o essencial;
● Na outra direção, vendas on line crescem 23,9% este ano, chegando à $5,8 bilhões de dólares;
● Outra forte tendência, como vocês já sabem, é o crescimento das bebidas geladas, inclusive em casa.

O interessante é que o relatório indica que um dos principais atrativos do consumidor é considerar o café gelado mais saudável (menos ácido e com menos cafeina… segundo o relatório). Isso seria a principal base do crescimento de 12% deste segmento no ano.
● Outra tendência em forte crescimento, é de aditivos alternativos (leites de amêndoa, etc), com um crescimento de 21% no ano.
● E por último, e também nenhuma novidade é o foco do consumidor em marcas com apelo/estórias de sustentabilidade, mesmo porque, difícil achar alguém quando entrevistado que fale que é contra.
Ou seja, reforça o que temos visto: ajuste para o consumidor das camadas que sofrem mais com a inflação sem a perda de percepção de qualidade, contínuo crescimento do on line, bebidas geladas e aditivos que apelam mais a saude, e sustentabilidade…

Do ponto de vista do campo, semana de veranico e forte calor trás preocupações, segundo a RR Consultoria Rural. “Tivemos uma boa florada e bom pegamento na maior parte do Arábica. Há ainda dúvidas na questão da fecundação (definição do grão para: normal, moca, triângulo ou cabeça), pelo veranico e altas temperaturas no mês anterior. Se a semana for realmente o que está previsto, preocupa agora pra questão de formação e desenvolvimento desses frutos (chochos ou mal-formados e até coração negro)” explicou Régis Ricco, consultor da equipe.

Tomara que o café seja resiliente o bastante!!

Boa semana a todos!!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.